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Falta de água leva o mundo a refletir sobre o consumo consciente


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A Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul, corre o risco de ficar sem água nas torneiras/Crédito da foto: Fábio Paschoal

A Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul, corre o risco de ficar sem água nas torneiras/Crédito da foto: Fábio Paschoal

Abastecimento hídrico poderá ser suspenso na Cidade do Cabo, na África do Sul – que sofre uma das piores secas de sua história –, caso nível de suas represas caia abaixo de 13,5%

1/03/2018

 

A Cidade do Cabo – a segunda maior metrópole da África do Sul – está sofrendo uma das piores secas de sua história. As seis represas que abastecem a cidade, somadas, estão somente com 24,4% do volume.

Se o nível cair para menos de 13,5%, o governo instituirá o ‘Dia Zero’, data em que será cortado o fornecimento de água em residências e empresas até o inverno (a estação das chuvas). O abastecimento será mantido apenas em locais onde há serviços essenciais, tais como hospitais. Por enquanto, a previsão é que aconteça no dia 4 de junho.

Mas o que acontecerá se de fato for cortado o abastecimento hídrico da cidade? A população terá de se dirigir a um dos 200 postos de distribuição espalhados pela cidade, que serão controlados por forças de segurança, para receber apenas 25 litros de água por pessoa/dia, o equivalente a menos da metade da água necessária para um banho médio.

Impactos devastadores

Os impactos na saúde pública poderão ser devastadores. Com saneamento básico deficiente, haverá o risco de disseminação rápida de doenças perigosas, principalmente em regiões mais pobres. Outro problema será com as tubulações, que poderão quebrar em condições de secas, ameaçando a futura distribuição de água na cidade.

Para evitar esse colapso hídrico, desde 1º de fevereiro o governo estipulou um racionamento de 50 litros diários de água por pessoa. Quem ultrapassar o limite paga multa. Está proibido também lavar carro, encher piscinas ou irrigar plantas.

A situação caótica enfrentada pela Cidade do Cabo já ocorreu, de forma mais branda, em outras áreas urbanas pelo mundo. A Itália enfrentou, em 2017, uma das piores secas dos últimos 60 anos, a ponto de centenas das icônicas fontes espalhadas nas ruas serem desligadas.

A Califórnia, nos Estados Unidos, sofreu durante cinco anos com uma seca que se encerrou ano passado. A China e sua capital, Pequim, também lidam com a falta de água – o país concentra 21% da população mundial e 7% da água fresca do planeta. No Brasil, a escassez também é sentida nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Mudança de comportamento

A mudança permanente de comportamento do consumidor para um uso mais consciente da água é essencial para combater a escassez hídrica. Economizar água não deve ser uma atitude exclusiva de situações de crise, quando os reservatórios das cidades caem a um nível crítico.

A crise na África do Sul, no Brasil e em outros países são grandes oportunidades para a mudança de comportamento do consumidor. Na Grande São Paulo, por exemplo, a população reduziu o gasto de água em 15% desde o início da crise, em 2014, até hoje.

Mas ainda há espaço para mais economia. A média de consumo per capita de água no Brasil em três anos (de 2012 a 2014) foi de 165,3 litros por habitante/dia. A região Sudeste é a que tem o maior consumo de água per capita de todas as regiões: 192,2 litros por habitante/dia, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Uma gota

A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda 100 litros/dia para atender às necessidades básicas de uma pessoa. Vale ressaltar que, a água na Terra pode ser abundante, mas o percentual de água doce, usada nas atividades humanas vitais, é pequeno. Se toda a água do planeta coubesse em uma garrafa de um litro, a água doce disponível equivaleria a pouco mais de uma gota!

Essa escassez, somada à administração ineficaz dos recursos hídricos, ao crescimento populacional, ao aumento do consumo de bens e alimentos e às mudanças climáticas em consequência do aquecimento global, complica a situação em muitas cidades ao redor do globo.

Neste contexto, todos os atores sociais devem participar para que haja uma mudança real. O engajamento dos consumidores é tão importante quanto a atenção das organizações da sociedade civil, do governo ou das empresas.
 

Fonte: Akatu


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