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Reino Unido proíbe microesferas plásticas em cosméticos e produtos de higiene


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O fato de os plásticos serem extremamente duráveis é também uma das principais razões pelas quais é fundamental que a produção, o uso e o descarte sejam adequados, para que não representem uma ameaça ao meio ambiente.Crédito: Creative commons

O fato de os plásticos serem extremamente duráveis é também uma das principais razões pelas quais é fundamental que a produção, o uso e o descarte sejam adequados, para que não representem uma ameaça ao meio ambiente.Crédito: Creative commons

Partículas de plástico contidas nesses produtos poluem córregos, rios, lagos e oceanos


06/02/2018


Desde a sua origem, os plásticos se tornaram indispensáveis para a vida moderna, sendo pilar essencial de uma série de indústrias e cadeias produtivas, como componente dos produtos em si ou de suas embalagens.

Isso possibilitou a substituição de diversos materiais usados no passado, dada a atratividade de algumas das principais propriedades dos plásticos, tais como a durabilidade, a moldabilidade, a reciclabilidade de grande parte deles, a facilidade de higienização e o baixo preço.

Por outro lado, o fato de os plásticos serem extremamente duráveis é também uma das principais razões pelas quais é fundamental que a produção, o uso e o descarte sejam adequados, para que não representem uma ameaça ao meio ambiente.

Um problema grave e bastante discutido nos últimos anos é a presença de enormes quantidades de plástico nos oceanos. De acordo com a Fundação Ellen McCarthur, ao menos 8 milhões de toneladas de plásticos são descartados nos oceanos todos os anos, o equivalente ao despejo de um caminhão de lixo cheio de plástico por minuto no oceano.

A mesma fundação estima que se for mantido esse mesmo ritmo, em 2050 haverá mais plástico do que peixes (em peso) nesses ecossistemas. Um passo importante em direção à mitigação desse problema foi dado no começo deste ano, quando o Reino Unido proibiu a fabricação de cosméticos e produtos de higiene que contenham, em sua formulação, microesferas de plástico.  A proibição foi aprovada em 2017 e acaba de entrar em vigor. Em julho, deverá ser vetada também a comercialização desses artigos.

Microplásticos

O termo “microplásticos” foi introduzido na última década para descrever pequenas partículas de plástico usadas em produtos cosméticos e de higiene pessoal.

Essas pequenas esferas – encontradas geralmente em esfoliantes, sabonetes, cremes hidrantes, pastas de dente e esmaltes – são praticamente invisíveis a olho nu, e têm sido grandes poluidoras do meio ambiente.

Elas não são biodegradáveis e, por estarem presentes em vários produtos de beleza e higiene pessoal, passam pelos ralos das pias e dos chuveiros e chegam até o esgoto, onde passam facilmente pelos filtros dos sistemas de tratamento de água, e chegam aos córregos, rios, lagos e mares. No final, essas micropartículas acabam se juntando às imensas ilhas de lixo que se acumulam nos oceanos do planeta.

Além disso, são ingeridas por animais marinhos e passam a compor a cadeia alimentar, se alojando em peixes e outros animais marinhos que são consumidos por muitos de nós, podendo trazer riscos à saúde. E comprometem, assim, o bem-estar humano.

Mas os problemas não se resumem apenas à saúde ou segurança alimentar. Os oceanos são responsáveis pela produção de boa parte do oxigênio do planeta, sintetizado pelas algas marinhas.

Também servem como uma “esponja” de calor, que é distribuído pela Terra por suas correntes marítimas, influenciando todo o clima do planeta. Portanto, a preservação desse ecossistema é fundamental para a manutenção de toda a vida na Terra.

 

Medidas adotadas em outros países

Além do Reino Unido, outras nações também já sancionaram leis que proíbem a fabricação de produtos contendo micropartículas plásticas, mas de forma menos abrangente do que o Reino Unido. No fim de 2015, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou decreto que bania o uso dessas microesferas em alguns cosméticos. Em dezembro passado, dois países anunciaram a proibição: Nova Zelândia (a partir de maio deste ano) e Itália (em 2020).

E a mobilização nessa direção está crescendo cada vez mais. Há uma campanha internacional contra o uso dos microplásticos. É a “Beat the Micro Bead” (“Acabe com as microesferas”, em tradução livre), que já tem a adesão de 91 organizações, de 38 países.

O Brasil, por enquanto, não tem regulamento que proíba o uso de microesferas de plástico em produtos cosméticos ou de higiene pessoal.

Como contribuir por aqui?

O consumidor consciente deve compreender que a eliminação do uso de microesferas de plástico nos produtos é um processo que leva tempo, pois exige uma nova formulação dos produtos de forma a poderem cumprir as suas funções sem esse componente. Empresas brasileiras de cosméticos e higiene pessoal já vêm trabalhando nessa direção.

Prova disso pode ser vista nos aplicativos que identificam essas substâncias em cosméticos, como o Beat the Microbead, disponível para smartphones. Outra forma de identificar sua presença é analisar os rótulos das embalagens de produtos e verificar se em sua composição há ‘polyethylene’ ou ‘polypropylene.’

Ao dar preferência a produtos que não contenham as microesferas de plástico, o consumidor consciente estará contribuindo para a conservação do meio ambiente e, consequentemente, para o bem-estar da própria humanidade.


Fonte: Akatu


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