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Um parque para o tatu-bola


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O tatu-bola-da-caatinga. Foto: Liana Mara Mendes de Sena/ICMBio.

O tatu-bola-da-caatinga. Foto: Liana Mara Mendes de Sena/ICMBio.

Local abriga riqueza natural bem preservada, de grande beleza cênica e com baixa densidade de pessoas

05/02/2018
 

Quase quatro anos depois de servir de mascote à Copa de 2014, finalmente o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus) recebeu a devida recompensa, um parque estadual para proteger 844 mil quilômetros de Caatinga, no Piauí, bem na região onde ele ocorre. Uma região de riqueza natural bem preservada, de grande beleza cênica e com baixa densidade de pessoas.

O decreto 17.429, que criou o Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, foi assinado em 18 de outubro de 2017. Ele vai proteger uma área importante da Caatinga, região semiárida com maior biodiversidade do planeta e que abriga cerca de 1.400 espécies de animais, muitos endêmicos e que correm risco de extinção.

“É uma área que tem muita abundância dessa espécie”, afirma Flávia Miranda, coordenadora do Projeto Tamanduá, que promove expedições para conhecer melhor e preservar a região do novo parque estadual. “Ela está criticamente ameaçada, quase se acabando, devido à degradação do ambiente e à caça, e serviu de espécie guarda-chuva, usada para proteger outras espécies e todo o hábitat”.

Flávia Miranda explica ainda que o tatu-bola-do-nordeste é endêmico do Brasil. Ele só ocorre em uma pequena parte do Cerrado e na Caatinga. Expedições do Projeto Tamanduá tentam verificar se a espécie também ocorre a norte do Poti ou se o rio representa uma barreira natural para a espécie.

Ela lembra que, no país, ocorrem 11 espécies de tatus, entre elas duas de tatu-bola, a do Nordeste e o Tolypeutes matacus, encontrado no Pantanal. É um animal pequeno, que ao ser atacado se enrola, daí seu nome. Esse comportamento o protege da maioria dos predadores, mas o deixa vulnerável a caçadores. O desmatamento na região também é uma preocupação, pois a vegetação natural é cortada para servir de lenha.

 

Falha geológica

O Poti nasce na Serra dos Cariris (CE) e deságua no Parnaíba, após passar por Teresina, capital do Piauí. Na divisa entre os dois estados, atravessa uma falha geológica na Serra da Ibiapaba, onde forma os cânions. É um rio permanente que corre por uma região semiárida, portanto, um recurso natural importante para as espécies que vivem ali e também para populações humanas.

No parque há também pinturas rupestres, além de uma diversidade ainda pouco conhecida. Flávia Miranda cita a presença de arraias, que ocorrem do litoral até a Cachoeira da Lembrada. A criação do parque é vista como uma alternativa econômica na região, onde a pecuária e a agricultura encontram dificuldades para se desenvolver, devido às condições naturais.
 

Fonte: O Eco


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