> Notícias

Adubação e dieta diminuem emissão de metano e aumentam produtividade de gado de corte


font_add font_delete printer
Adubação de pastagens de gramíneas tropicais e suplementação da dieta com nutrientes selecionados por pesquisadores da Unesp resultaram na redução das emissões de gases de efeito estufa e em ganho de peso de tourinhos nelore. Foto: Domínio Público

Adubação de pastagens de gramíneas tropicais e suplementação da dieta com nutrientes selecionados por pesquisadores da Unesp resultaram na redução das emissões de gases de efeito estufa e em ganho de peso de tourinhos nelore. Foto: Domínio Público

Comprovação foi feita por pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp)

18/12/2017

 

A adubação do pasto com nitrogênio e a suplementação da dieta do rebanho com nutrientes selecionados podem resultar tanto na diminuição das emissões de gases de efeito estufa quanto no aumento da produtividade e da eficiência econômica na criação de bovinos de corte em sistema de pastagem.

As comprovações foram feitas durante um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp) em colaboração coma University of Queensland, da Austrália, da University of Florida, dos Estados Unidos, da Embrapa Pecuária Sudeste e da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Polo Regional Alta Mogiana.

Alguns resultados preliminares do estudo, realizado no âmbito do Projeto Temático “Estratégias de manejo para redução de impactos ambientais em sistemas de produção de bovinos de corte” foram apresentados durante a reunião anual de projetos do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 83,9% da pecuária nacional é representada por bovinos (89% bovinos de corte e 11% bovinos de leite).

As pastagens constituem a forma principal de alimentação de bovinos no país devido à extensão territorial e às condições climáticas favoráveis.

Estima-se, porém, que cerca de 80% dos 45 a 50 milhões de hectares da área de pastagens nos Cerrados do Brasil Central, por exemplo, apresentem algum grau de degradação devido, em grande parte, à redução da fertilidade do solo, o que resulta em queda acentuada da capacidade de suporte da pastagem e do ganho de peso dos animais.

Essa situação tem contribuído para que a pecuária de corte no Brasil apresente, há décadas, índices zootécnicos baixos, com lotação das pastagens em torno de um animal por hectare, e produtividade na faixa de 100 quilos de peso vivo por hectare/ano.

A fim de reduzir os impactos ambientais dos sistemas de produção de bovinos de corte e melhorar o rendimento zootécnico e econômico, os pesquisadores da FCAV-Unesp de Jaboticabal começaram a estudar, a partir de 2014, diferentes estratégias de manejo de pastagens tropicais utilizando técnica de manejo conhecida como interceptação luminosa, num percentual de 95%, e altura do pasto aliada à adubação como critérios de avaliação.

Forragem de qualidade

A técnica de interceptação luminosa de 95% leva em conta não a rotatividade pré-programada do gado nos piquetes, mas a altura do capim. Ela permite oferecer continuamente aos animais uma forragem de melhor qualidade, com alta proporção de folhas no pasto, além de proteína verdadeira de alta digestibilidade, nitrogênio solúvel e baixas quantidades de fibras indigestíveis – as grandes causadoras de emissão de metano (o principal gás de efeito estufa gerado na pecuária), produzido na digestão dos ruminantes e eliminado por eructação (arroto) e respiração.

Além dos impactos climáticos, a eliminação do metano pela boca e narinas representa perda de energia do animal – entre 2% e 12% da energia bruta do alimento consumido – o que, consequentemente, afeta seu desempenho em termos de produção de carne.
 

Fonte: Agência Fapesp


Compartilhe




Outras Notícias