> Notícias

Mutum-pinima é reencontrado após 40 anos


font_add font_delete printer
“Ela é considerada um dos cracídeos mais ameaçados do mundo e não era registrado pela ciência há cerca de 40 anos. Os últimos registros documentados datam do fim da década de 1970”. Foto: ICMBio

“Ela é considerada um dos cracídeos mais ameaçados do mundo e não era registrado pela ciência há cerca de 40 anos. Os últimos registros documentados datam do fim da década de 1970”. Foto: ICMBio

Pesquisadores, parceiros e indígenas localizaram a ave na região do mosaico do Gurupi, no Maranhão

14/12/2017

Pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) encontraram uma das aves mais raras e ameaçadas do Brasil: o lendário mutum-pinima (Crax fasciolata pinima). A espécie foi localizada na região do mosaico do Gurupi, no Maranhão.

“Ela é considerada um dos cracídeos mais ameaçados do mundo e não era registrado pela ciência há cerca de 40 anos. Os últimos registros documentados datam do fim da década de 1970”, comemora o analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) do ICMBio, Diego Mendes.

A expedição também localizou outras espécies raras ou ameaçadas, como o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa), a jacupiranga (Penelope pileata), o jacamim-de-costas-escuras (Psophia obsura), a ararajuba (Guaruba guarouba) e o macaco-caiarara (Cebus kaapori).

Além da busca em campo, foram instaladas armadilhas fotográficas na região e aplicados questionários junto às comunidades, para obter pistas e informações sobre a ocorrência do mutum-pinima. A equipe também buscou informações sobre o hábitat da ave.

Durante o percurso, muitas pistas foram obtidas. Com informações dos indígenas, eles recolheram dados sobre os hábitos do mutum-pinima, tais como alimentação, repouso e reprodução. “Essas informações são importantes, pois vão auxiliar nas futuras expedições de busca. Um casamento perfeito entre conhecimento científico e conhecimento tradicional dos povos indígenas, auxiliando na conservação desta espécie", ressalta o analista ambiental do Cemave, Emanuel Barreto.

A ave ainda sobrevive na unidade de conservação do Gurupi. "Isso reforça a necessidade de integração da Rebio do Gurupi com as terras indígenas circunvizinhas, visando maior proteção dos últimos remanescentes de floresta amazônica do estado do Maranhão e o investimento em pesquisa, educação ambiental e recuperação de hábitat, especialmente de matas ciliares e formação de corredores ecológicos para conexão das áreas protegidas", ressalta o pesquisador Diego Mendes. Ele defende, ainda, a criação de novas unidades de conservação na região, a fim de aumentar as áreas protegidas que possam servir de refúgio para o mutum-pinima e as demais espécies ameaçadas e endêmicas do Centro de Endemismo Belém.

Ameaças

As principais ameaças ao mutum-pinima são o desmatamento e a caça. De acordo com o pesquisador, uma das maneiras mais eficazes e comprovadamente reconhecidas como salvaguarda de longo prazo é a criação em cativeiro.

“Eles se reproduzem relativamente fácil em cativeiro , e no Brasil, felizmente, temos criadores experientes para lidar com essas aves, o que aumenta as chances de sucesso dessa iniciativa", destaca Luís Fábio Silveira, Curador da Seção de Aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
 

Fonte: ICMBio


Compartilhe




Outras Notícias