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Água do Rio Doce está imprópria para consumo dois anos após tragédia de Mariana


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Mariana (MG) - Ruínas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, dois anos após a tragédia do rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mariana (MG) - Ruínas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, dois anos após a tragédia do rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Poluição de toda a bacia atingiu os municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo


13/11/2017

As águas da Bacia do Rio Doce estão impróprias para consumo humano e pesca, irrigação e produção de alimentos em todos os pontos analisados pela Fundação SOS Mata Atlântica, ao longo de 733 quilômetros, por onde correu o rastro de lama resultado da maior tragédia ambiental do país, ocorrida há dois anos, no município mineiro de Mariana. Além disso, a qualidade da água dos rios que compõem a bacia está ruim ou péssima em 88,9% dos pontos de coleta analisados e regular em 11,1%.

A bacia foi contaminada pelo rompimento da Barragem de Fundão, pertencente à Samarco em novembro de 2015, poluindo as águas dos municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Expedição realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, entre os dias 11 e 20 de outubro, percorreu o rastro da lama ao longo do rio, desde os seus formadores – os rios Gualaxo do Norte, Piranga e Carmo – até uma centena de afluentes que formam a bacia e banham 29 cidades e distritos. Em nenhum local a água foi considerada boa ou ótima, na escala de avaliação da entidade.

 

Piora nos índices

Em 2017, houve piora na qualidade da água em relação ao ano anterior. No ano passado, a água foi considerada ruim ou péssima em 53% dos pontos de coleta, regular em 41,1% e ótima em 5,9%. O índice revelado neste ano se assemelha à coleta feita logo após a tragédia, em novembro de 2015, quando 88,9% das águas estavam em péssima qualidade e 11,1 dos pontos estavam regulares.

Metais pesados

A água do Rio Doce continua fora dos padrões legais, segundo a SOS Mata Atlântica, e apresenta concentrações elevadas de sólidos em suspensão e metais pesados, como manganês, cobre, alumínio e ferro, em diferentes trechos monitorados. Apenas dois pontos de coleta, localizados em Perpétuo Socorro e Governador Valadares, ambos no Rio Doce, não apresentam índices de cobre na água.

No restante da expedição, a concentração do cobre está acima do permitido. “O consumo de pequenas quantidades desse elemento pode provocar náuseas e vômitos. Quando ingerido em grandes quantidades, pode afetar os rins, inibir a produção de urina e causar anemia devido à destruição de glóbulos vermelhos”, alertou a entidade.

Em cinco dos pontos analisados, a concentração de manganês também estava acima dos índices permitidos. De acordo com a SOS Mata Atlântica, a ingestão do metal pode trazer rigidez muscular, tremores das mãos e fraqueza. “Pesquisas feitas em animais apontam que o excesso desse componente no organismo provoca alterações no sistema nervoso central e pode levar à impotência”, acrescentou.

Sinais de vida

Nove pontos de coleta apresentaram sinais de vida aquática, apesar de estarem ainda longe do cenário ideal. Eles estão localizados justamente onde há fragmentos de mata nativa ou que têm áreas de preservação permanente.

Diversos fatores têm contribuído para reduzir o índice de oxigênio na água, como a elevada turbidez, o baixo volume dos rios, o excesso de nutrientes em decomposição lançados pelo esgoto sem tratamento e as altas temperaturas, o que dificulta a vida aquática.


Fonte: Agência Brasil


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