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Projeto de trilhas de longo curso no Brasil começa a sair do papel


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O padrão de sinalização das travessias brasileiras, feito na Flona São Francisco de Paula. Foto: Jeremias Freitas

O padrão de sinalização das travessias brasileiras, feito na Flona São Francisco de Paula. Foto: Jeremias Freitas

A ideia é que o percurso se construa de forma espontânea e gradual

 

11/10/2017

Oiapoque é um município localizado no extremo norte do estado do Amapá e do Brasil. Chuí, na direção oposta, é o ponto mais ao sul do país. Entre eles há uma distância de 4 mil quilômetros em linha reta. Esse caminho imaginário entre os dois extremos brasileiros está em vias de não ser mais tão fictício assim. Aos poucos, a partir de trilhas regionais menores, está nascendo a grande ‘Trilha Oiapoque x Chuí’.

A ideia é que o percurso se construa de forma espontânea e gradual, na medida em que, localmente, se implementem as trilhas, que funcionam como atrativos locais, porém são pensadas para se encaixar no traçado maior. “É como se estivéssemos construindo um grande quebra-cabeças”, explica o responsável pela Coordenação Geral de Uso Público e Negócios (CGEUP) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Pedro da Cunha e Menezes.

As sementes para construção de um sistema brasileiro de trilhas de longo curso já estão germinando. Entre os dias 21 e 24 de setembro, a Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, recebeu uma oficina de sinalização e manejo de trilhas. A capacitação, oferecida pelo ICMBio, ajudará os atores locais, gestores e voluntários, a construírem o Caminho das Araucárias. O modelo já é usado na Trilha Transcarioca e no Caminhos da Serra do Mar, no estado do Rio de Janeiro; na Trilha Chico Mendes, na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre; e na Floresta Nacional de Brasília, no Distrito Federal.

No total, são quatro eixos que começarão a esquadrinhar os caminhos das trilhas de longo curso no Brasil. Além de Oiapoque x Chuí, o Caminho de Cora Coralina ou Trilha Missão Cruls ligará a Chapada dos Veadeiros ao município de Goiás Velho, uma caminhada de aproximadamente 500 quilômetros que está sendo implementada com apoio do governo estadual.

No Paraná, a Travessia Peabiru (nome provisório), conectará o Parque Nacional do Iguaçu ao litoral paranaense, e já começou a sair do papel no entorno da unidade de conservação. Um nome familiar aos mineiros, a Estrada Real, atualmente percorrida por automóveis e bicicleta, ganhará trilha em paralelo para ser percorrida também a pé, em iniciativa que será discutida em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG).

 

Florestas de Minas Gerais

Além disso, com a consolidação do uso público, as unidades de conservação ganham um aliado que tem se mostrado essencial: o voluntário. “A própria definição de montanhismo envolve essas atividades de manejo e voluntariado em áreas naturais, porque os montanhistas fazem isso há mais de 100 anos. Só que antes a gente fazia e ninguém ficava sabendo. Hoje isso é valorizado”, acrescenta Nelson Brügger, diretor de Meio Ambiente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME).

As trilhas também funcionarão como extensos corredores ecológicos. Essa conexão de áreas naturais serve como passagens de fauna e facilitam a troca e variabilidade genética das espécies.

Construir uma trilha como a Oiapoque x Chuí, com potencial de ser, não apenas maior, mas o dobro da Appalachian Trail, nos Estados Unidos, uma das mais famosas do mundo, com certeza leva tempo. Mas a partida, em escala local, já foi dada. As primeiras peças - e quilômetros - do quebra-cabeças já estão na mesa.

 

Fonte: O Eco


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