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Interação com pesca é uma das maiores ameaças aos botos na Amazônia


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Drones podem chegar a locais inacessíveis às embarcações e reduzir o custo de expedições. Foto: Everson Tavares/Divulgação

Drones podem chegar a locais inacessíveis às embarcações e reduzir o custo de expedições. Foto: Everson Tavares/Divulgação

Animal é usado como isca para a pesca de piracatinga. Monitoramento por drones está sendo testado para estimar se número de espécies está diminuindo

 

06/07/2017 

Encalhes em redes e ataques de pescadores na área de pesca são ameaças graves aos botos da Amazônia que recebem pouca atenção nas ações de proteção, segundo a oceanógrafa Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Miriam estuda botos na região desde o início da década de 1990 e considera a interação com a pesca um risco para os animais ainda maior do que a captura da piracatinga.

O boto-vermelho é a principal vítima dos pescadores, segundo ela, devido a fama que tem de roubar peixes das redes e até mesmo virar canoas, embora não exista comprovação de que botos sejam capazes de jogar os pescadores na água. “Há uma sobreposição de locais produtivos para a pesca e hábitats críticos para o boto”, afirma a oceanógrafa. “São águas mansas, com pouca movimentação de barcos e maior concentração de peixes. São áreas de aprendizagem para o filhote”, completa.

A piracatinga é um peixe que se alimenta de carcaças no fundo do rio. Após denúncias de abates de botos-vermelhos para servir de isca, o governo federal decretou uma moratória de 5 anos para a pesca e venda do peixe, sob pressão do Ministério Público Federal. A proibição começou a valer em janeiro de 2015 e vai até 2020. Durante esse período, os efeitos da decisão sobre a população de botos devem ser avaliados e se pretende buscar uma alternativa para a pesca, que proteja esses animais.

Para Miriam, o uso como isca é uma ameaça ao boto, mas não a ponto de colocar as espécies em risco de extinção. “É mais um estímulo ao pescador que não gosta do boto-vermelho matar. Mas não é tão fácil abater um boto. É mais fácil um jacaré, que fica parado”, conta a pesquisadora. Um estudo desenvolvido pelo Instituto concluiu que eram abatidos três vezes mais jacarés do que botos para a pesca da piracatinga.

De acordo com a oceanógrafa, existe uma grande densidade de botos na Amazônia, que pode variar segundo o rio ou a região, mas não é possível saber se a população está em declínio. São necessários estudos como índices de mortalidade, parâmetros reprodutivos, número de filhotes por fêmea e dados sobre o passado.

 

Boto vermelho. Foto: Everson Tavares/ Instituto Mamirauá

 

Monitoramento por Drones

O Instituto Mamirauá, em parceria com o WWF, está testando drones para estimar de densidade populacional de botos na Amazônia. Equipados com câmeras de vídeo, podem chegar a locais inacessíveis às embarcações e reduzir o custo de expedições. Os drones acompanham equipes de observação que fazem a contagem dos botos e fazem imagens que ajudam a corrigir eventuais erros na contagem tradicional. Mas intenção é desenvolver uma metodologia em que as imagens geradas por eles sejam suficientes para realizar as estimativas.

“Se você tiver uma pessoa especializada ou dinheiro para contratar um piloto, podem ser feitas imagens e enviadas para um especialista”, exemplifica a bióloga Daiane da Rosa, pesquisadora do instituto. “Nas unidades de conservação da Amazônia, faltam recursos e pessoal. Os drones podem resolver em parte esse problema”, completa.

Em testes realizados em junho, foram usados dois drones que se revezavam. Eles são posicionados sobre a proa da voadeira (bote com motor usado na Amazônia), a 20m de altitude, que registra imagens do rio. Além do condutor, o barco leva dois pesquisadores à frente e um atrás, que contam os botos quando sobem para respirar. Em outro bote, vão dois pilotos de drone, um auxiliar e o condutor.

É uma estrutura bem menor do que a usada em expedições tradicionais para a contagem. No ano passado, no Rio Juruá, interior do Amazonas, por exemplo, o barco regional usado carregava 20 pessoas entre tripulantes e pesquisadores, que se revezavam para avistar os animais. O custo de uma expedição como gira em torno de 70 mil reais. Com o uso de drones, este valor pode ser reduzido a até 10 mil reais.

 

Fonte: O Eco

 


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