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Quinta, 24 de março de 2016

Novo “divisor de águas”?

Tragédia de Mariana pode ser um novo marco na mineração

redacao@revistaecologico.com.br



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Segundo o ambientalista Marcus Polignano, coordenador-geral do Projeto Manuelzão, a tragédia de Mariana, causada pela Samarco, será lembrada um dia como o “divisor de águas” na história da mineração brasileira: “O setor vai ter que se reinventar. Mariana é o grito de que não temos mais como caminhar com esse modelo”, disse ele.

Será?

Quinze anos atrás, tamanho o impacto visual causado pelas imagens dos corpos das vítimas boiando sobre a lama, o acidente da Mineração Rio Verde também foi anunciado como um “divisor de águas” para o setor. Na época, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), os órgãos ambientais se juntaram ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e ao Ministério Público prometendo um basta a toda e qualquer atividade predatória em Minas Gerais.

Foi o que o Estado Ecológico também registrou nessa sua mesma edição, sob o título igualmente esperançoso de “Nada será como antes” (veja na página ao lado), que reproduzimos a seguir, tamanha a sua indesejada e ameaçadora atualidade:

“O tempo do xiismo ecológico passou. Ninguém vai proibir a mineração como atividade produtiva, responsável e ecologicamente correta. Mas o tempo da tolerância ecológica também passou. A mineração predatória, irresponsável ou com passivo ainda não acertado com o meio ambiente – esta, sim – está com os dias contados.

Todas as suas licenças, planos de operação e pedidos de expansão passarão a ser revistos sob a nova ótica do licenciamento integrado. Isso significa análise, acompanhamento, fiscalização e pareceres a serem dados em conjunto, doravante, pelos técnicos da Feam, Igam e IEF. Isso antes de passar pela Câmara de Atividades Minerárias e, finalmente, à decisão final do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A mudança mais profunda que pode entrar para a história, envolvendo e definindo mais os papéis do DNPM, Crea e Ministério Público é a aplicação, na prática, da ‘responsabilidade solidária’ do setor.”

Esse foi também, em síntese, o posicionamento do então governo Itamar Franco quando Paulino Cícero era titular da Semad. Não apenas a Mineração Rio Verde, mas toda a situação da mineração, tanto na bacia hidrográfica de Macacos quanto na parte sul da Região Metropolitana de BH, passou por esta varredura. E o que se constatou nas vistorias é trágico, de meter medo mesmo na população.

A maioria das mineradoras ainda traz traços de uma cultura antiga, quando se jogava rejeitos de minério, esgotos industriais e humanos rio abaixo e o DNPM nem se importava. Depois, com o advento da consciência ambiental e a escassez das águas, que essas empresas provocavam, descobriu-se que era melhor construir barragens. Mas isso foi feito de qualquer jeito, sem técnicas apropriadas, na medida em que uma barragem (modelo) de água não é o mesmo que uma para conter sedimentos.

Foi o que adiantou, na época, o então secretário-adjunto da Semad, Celso Castilho, ao Estado Ecológico: “O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa a maioria das grandes e médias mineradoras, também será convocado a sair do discurso para a prática ambiental de ajudar a recompor a paisagem das nossas montanhas degradadas indistintamente pelo setor ao longo do tempo”.

Reportagem vanguardista do Estado Ecológico, de agosto de 2001, já apontava a necessidade de monitoramento mais eficiente de barragens de rejeitos


Leia a reportagem completa:

Por um novo futuro

Mediação sustentável

Alô Rio Doce, temos um acordo!

“É um urgente um plano de desenvolvimento!”

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Novo “divisor de águas”?

 

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