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Quinta, 24 de março de 2016

Entre o ódio e o amor

A “escolha de Sofia” que a mineração ainda não fez 15 anos depois da tragédia da Rio Verde em Macacos (MG)

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A escolha final que o setor deve fazer: acirrar mais ainda o ódio da população cada dia mais indignada com os danos causados pela mineração ou se abrir para o amor que advém, naturalmente, de tudo aquilo que é feito com respeito - Imagem: Gualter Naves

A escolha final que o setor deve fazer: acirrar mais ainda o ódio da população cada dia mais indignada com os danos causados pela mineração ou se abrir para o amor que advém, naturalmente, de tudo aquilo que é feito com respeito - Imagem: Gualter Naves

São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima, Minas Gerais, mais conhecido por Macacos, no coração geográfico da Área de Proteção Ambiental (Apa-Sul) da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Às 16h45 do trágico dia 22 de junho de 2001, o rompimento da barragem de contenção de rejeitos de minério de ferro da Mineração Rio Verde matou cinco trabalhadores.

Eles foram soterrados e levados pela lama até seis quilômetros abaixo do Córrego Taquaras, afluente do Fechos, próximo à ponte que dá acesso ao vilarejo turístico - famoso por suas riquezas naturais. A exemplo do que aconteceu em  Bento Rodrigues, na tragédia de Mariana, causada pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, um dos corpos jamais foi encontrado.

Foi assim que o último número do então suplemento Estado Ecológico, do jornal “Estado de Minas”, precursor da hoje Revista Ecológico, noticiou em sua Edição Especial “Entre o ódio e o amor”, sob a lembrança do artigo 225, parágrafo 2º, da Constituição Brasileira: “Aquele que explora recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público”.

Reveja, caro (a) leitor (a), a atualidade da abordagem, já decorridos quase 15 anos do acidente que abalou a sociedade e fez piorar, mais ainda, a imagem pública do setor em um estado chamado Minas Gerais:

“A Mineração Rio Verde, que degradou o Córrego Taquaras, cinco vidas humanas, dois caminhões e um trator sob uma lama cinza e mortal de rejeitos na bacia hidrográfica de Macacos, não está sozinha. A dor é e vem de todos. A mineradora, que se encontra no banco dos réus por não ter projeto, nem sabido operar uma barragem ecologicamente correta, já teve contrato com a MBR (antiga Minerações Brasileiras Reunidas, hoje Vale). Ela minera (50% da sua produção) para a Ferteco, que foi comprada pela Vale, em Brumadinho.

A Vale, que também comprou a Samitre e estuda comprar a MBR, passou a ser vizinha, em Sabará, da AngloGold, antiga Mineração Morro Velho. A Mineração Brumafer, que herdou o passivo ambiental da Miprisa, que degradou metade da Serra da Piedade, quer explorar o seu outro lado, em Caeté, para atender à Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, em João Monlevade”.

Minas é assim.

Vai por aí, como já foram, e eram várias, as suas montanhas. Curral, Cauê e Piedade, agora, já pela metade. Várias minas, crateras gerais. As mesmas e clonadas paisagens lunares onde a beleza era estonteante. Uma beleza que, querendo alcançar as estrelas, sempre se molhou de nuvens, mesmo quando tudo abaixo estava deserto e seco.

Minas também é assim.

De vez em quando, um oásis. Uma esperança. Um exemplo de recuperação ambiental. É a MBR, por exemplo, toda verde e atlântica, preservando a Mata do Jambreiro e devolvendo água limpa para Nova Lima. É a CBMM, em Araxá, que chega até a se confundir com um parque, de tão limpa, ajardinada e florida.

Entretanto, o trabalho de reconstrução da imagem de um setor que, tradicionalmente, foi inimigo e desprezou a natureza, está apenas começando. Tem condições e promete bons frutos. Isso porque a feiura e o jeito antigo, nada ecológico e ainda degradante, que, infelizmente, caracteriza a maioria das nossas mineradoras, não têm como se sustentar mais.

Não é só a atividade minerária, por responsabilidade solidária, do explorador ao comprador e exportador, que corre perigo. São as nossas nascentes, córregos, rios e mares que, juntos, podem morrer ou se recuperar.

É a escolha final que o setor deve fazer. Acirrar mais ainda o ódio da população cada dia mais consciente, amedrontada e indignada com os danos causados pela mineração. Ou se abrir para o amor que advém, naturalmente, de tudo aquilo que é feito por respeito, e não apenas pela força de lei, no solo que é impactado para nos servir como consumidores – e não abrimos mão – de minério de ferro.

Ódio ou amor à mineração?

A escolha é mineral. É deles.

É nossa!

A torcida é da natureza, incluindo a natureza humana.

O setor decide!


Leia a reportagem completa:

Por um novo futuro

Mediação sustentável

Alô Rio Doce, temos um acordo!

“É um urgente um plano de desenvolvimento!”

Entre o ódio e o amor

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