Segunda, 21 de março de 2016

Mata do Passarinho ampliada

Reserva da Biodiversitas, que ganhou mais 300 hectares, é refúgio de aves ameaçadas de extinção, como o entufado-baiano

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A RPPN Mata do Passarinho agora tem 950 hectares de Matas Atlântica preservadas - Imagem: Rômulo Ribon/Acervo Biodiversitas

A RPPN Mata do Passarinho agora tem 950 hectares de Matas Atlântica preservadas - Imagem: Rômulo Ribon/Acervo Biodiversitas

A Fundação Biodiversitas, com o apoio da American Bird Conservancy (ABC), vem trabalhando intensamente para promover a conservação da Mata Atlântica e de sua fauna exuberante. A conquista mais recente é a ampliação da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Passarinho, localizada na divisa entre Minas Gerais e Bahia, na região do Vale do Jequitinhonha. Foram incorporados cerca de 300 hectares, totalizando 950 hectares de área preservada.

A Mata do Pasarinho abrange os municípios de Bandeira e Jordânia (MG) e Macarani (BA). O novo espaço inclui grandes áreas de floresta primária, bem como antigas zonas de criação de gado que, intocadas por mais de uma década, tornaram-se florestas secundárias robustas.

De propriedade da Biodiversitas, a reserva foi criada em 2007 e passou a proteger o último remanescente de Mata Atlântica em bom estado na região. Um dos principais motivos de ter sido criada foi a presença de uma ave extremamente ameaçada de extinção – o entufado-baiano (Merulaxis stressemani). Até 2007, ela estava em vias de ser considerada extinta pelos cientistas. Estima-se que haja apenas 15 indivíduos na natureza.

Segundo Gláucia Drummond, presidente da Fundação Biodiversitas, a RPPN Mata do Passarinho é considerada um baú de biodiversidade. “Além do entufado, provavelmente a espécie mais ameaçada da região, a reserva protege uma infinidade de outros animais, muitos deles ameaçados de extinção em grau regional, nacional ou mundial”, explica ela, que também é bióloga. São várias espécies de mamíferos, como o macaco-prego-do-peito-amarelo, o tatu-canastra e a onça-parda (ou suçuarana). Trezentas e trinta espécies de aves estão protegidas no local, tornando a reserva um paraíso para observadores – os birdwatchers.

Gláucia Drummond: "A RPPN protege uma infinidade de animais" - Imagem: Arquivo Biodiversitas

 

Observação de aves

A Fundação Biodiversitas investiu em infraestrutura para proporcionar o recebimento de turistas, observadores de aves e pesquisadores na RPPN. Além da reforma de algumas edificações que já existiam no local, foram construídos um quiosque na mata - ponto de parada das trilhas interpretativas que podem ser feitas na reserva-, um centro de visitantes multimídia e um alojamento para turistas. Este último tem uma característica peculiar: todo o esgoto produzido pelos visitantes é tratado na própria reserva por meio de um canteiro biosséptico, tecnologia ecologicamente correta e muito barata.

Entufado-baiano: só existem 15 exemplares da espécie na natureza - Imagem: Ciro Albano/Acervo Biodiversitas

Guia fotográfico

Recentemente, a Biodiversitas lançou o “Guia Fotográfico das Aves da Reserva Mata do Passarinho”, de autoria de Thais Aguilar e Alexandre Enout, ecólogo da Fundação Biodiversitas, que tem apoio da Petrobras e da Fundação Grupo Boticário.

Com imagens de um dos mais experientes guias de observadores de aves do Brasil, o fotógrafo cearense Ciro Albano, a publicação é inteiramente dedicada às espécies de aves que habitam a RPPN. São 140 fotos que registram a beleza de algumas das aves catalogadas na reserva.

Cada foto vem acompanhada de informações da espécie, como hábitat, estrato, tamanho, dieta e peso, distribuição e os principais fatores de ameaça. O guia apresenta preferencialmente imagens de espécies de maior interesse para os observadores de aves, como as florestais, as ameaçadas de extinção ou de difícil identificação.

Imagem: Acervo Biodiversitas

Fique por dentro

Com mais de 25 anos de experiência no desenvolvimento de ações voltadas para a conservação da biodiversidade brasileira, a Fundação Biodiversitas  é uma organização sem fins lucrativos. Com sede em BH e atuação nacional, vem implementando projetos de conservação e estudos científicos de espécies ameaçadas da fauna e da flora brasileiras. Reconhecida por suas publicações técnico-científicas, entre elas, as Listas Vermelhas de Espécies Ameaçadas de Extinção, a Biodiversitas possui três reservas: Estação Biológica de Canudos, em Canudos (BA), dedicada à conservação da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), a RPPN Mata do Sossego, em Simonésia (MG), dedicada à conservação do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o maior primata das Américas; e a RPPN Mata do Passarinho.

Saiba mais

www.biodiversitas.org.br

 

 

 

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