Quarta, 16 de março de 2016

O desafio de Watson

A empresa de tecnologia IBM lança um computador que aprende, literalmente, baseado na computação cognitiva

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O ator Jude Law, que interpretou Watson no filme

O ator Jude Law, que interpretou Watson no filme "Sherlock Homes", de Guy Ritchie: a tecnologia copiando a realidade - Imagem: Divulgação

“Elementar, meu caro Watson!” A frase, de Sir Sherlock Holmes a seu médico e assistente John Watson, sempre deixou o segundo com cara de tacho. Lendo as histórias de Conan Doyle, fica latente a intenção de idiotizar o médico, constantemente surpreso diante das brilhantes e inesperadas conclusões do amigo investigador.

Mas Watson mudou.

Ele não é mais um assistente periférico de Holmes. Fruto de homenagem ao fundador da IBM, Watson já recebeu o título de “Pessoa do Ano” em 2011, indicado pelo Webby Awards, prêmio de destaques na internet. Já ganhou um jogo de TV, o “Jeopardy”, disputando com dois humanos, os mais qualificados do game em todos os tempos.

Watson venceu!

Mas quem é Watson?

Trata-se de uma solução cognitiva da IBM, um computador que aprende, literalmente. Ao ter acesso a um conjunto de textos sobre determinado tema, Watson é  capaz de ler, ler e ler sobre o assunto, em segundos, e apresentar as hipóteses mais prováveis, de doenças a estratégias de mercado.

Watson é isso... só que não! Watson se transformou, desde então, num conjunto de dezenas de funções fornecidas em nuvem que compõe os diversos aspectos da computação cognitiva. Ver, falar, analisar personalidade e vai por aí afora.

Temos medo dessas coisas, é verdade. Não negue, caro leitor, que, saída de cenas da série Jornada nas Estrelas, a perspectiva de homens conversando e sendo aconselhados por máquinas é assustadora, principalmente no terreno da velocidade, onde é notória a capacidade das máquinas. 

Empresas brasileiras, como o Bradesco, já estão avançando para ensinar a Watson suas regras de negócio e, por esta via, oferecer melhor atendimento a seu público, livrando-os de respostas modorrentas em seu call center.

Não se trata mais de ficção. A computação cognitiva é uma realidade presente, expressa em produtos que podem ser comprados e instalados em poucos meses ou consumidos como serviço na internet.

É possível que o meio ambiente agradeça um dia. Se pegarmos firme, é possível que Watson nos ajude muito a plantar corretamente, a prevenir doenças do campo, a conservar nascentes, a prevenir desastres ambientais. Não é à toa que a IBM comprou o The Weather Channel, uma empresa de tecnologia que atua com... meteorologia!

Lançamento do Watson, pela IBM: um computador que interpreta a voz humana, pensa como os humanos e responde mais rápido que nós – Imagem: Divulgação/Jeopardy

Feitas as contas, a computação cognitiva está sendo festejada como um fenômeno de muito maior impacto do que tudo o que já se construiu em tecnologia, uma espécie de extensão do fenômeno da “uberização”, em que a próxima onda não é termos outros motoristas mais gentis, mas carros sem motorista que, certamente, poderão conversar conosco enquanto nos transportam, tratando de assuntos que gostamos e nos distraindo a contento.

Feitas as contas, o desafio de Watson é o desafio da humanidade: ou a usamos bem, para justificar as ações que só humanos poderão tomar, ou sucumbiremos a um planeta em que o Fórum Econômico Mundial, em seu relatório de setembro de 2015, prevê diretores-máquinas sentados em boards - aquilo a que chamo de CRO (Chief Robotic Officer). Isso até 2025.

É tempo de pensarmos nisso. É tempo de enfrentarmos, cada um de nós, em nossas indústrias, esta profunda transformação. É preciso coragem e decisão. Sem elas, brevemente correremos o risco de ouvir, sem qualquer piedade, uma frase estranha: “Elementar, meu caro humano!”.

Não aposto nisso. Estou a postos. Já me pus a caminho. Deixo o convite. 


Tech Notes 

O que é o Webby Awards e o prêmio de 2011 > http://goo.gl/DeXfH9

Computação cognitiva no call center > http://goo.gl/qXjLGZ

O que quer uma companhia de TI com o Weather Channel? > http://goo.gl/p4DZ8A


(*) Diretor-geral da Plansis, vice-presidente do Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e diretor do Arbórea Instituto. 

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Comentários

Carla Marin

Fascinante e perigoso!


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