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Quinta, 15 de outubro de 2015

Nosso futuro é solar

Entrevista com Jorge Samek, diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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Jorge Samek:

Jorge Samek: "Nada tem mais força no mundo do que a ideia da sua sustentabilidade cujo tempo chegou"- Imagem: Divulgação

Há exatos seis anos, o engenheiro agrônomo Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica em geração de energia limpa do planeta, deu uma entrevista corajosa à então Revista JB Ecológico.

Visionário e se dizendo portador da sustentabilidade em seu DNA, ele surpreendeu os jornalistas ao afirmar que, com o advento irreversível da energia solar, um dia  tanto o reservatório quanto as turbinas de Itaipu, “mesmo com todo seu apogeu em termos de engenharia e produção de energia renovável”, ambos iriam fazer parte do passado. Virariam um grande museu a céu aberto, como um testemunho histórico de como a humanidade ainda usava e dependia da energia hidráulica no século 21.

Nascido e criado nas barrancas do Rio Paraná – inclusive atravessando o Iguaçu a nado, quando jovem, até avistar as Cataratas no lado argentino - ele disse mais: “Daqui a uns mil anos, as populações futuras virão aqui conhecer como produzíamos energia elétrica a partir da matriz hidráulica, então ultrapassada pela energia solar, mais limpa, abundante, fácil e barata de ser utilizada. Neste tempo futuro, nós já teremos sido convencidos a abrir todas as comportas de Itaipu e fazermos o Rio Iguaçu voltar ao seu tamanho original, sua calha natural. E aí, até as Sete Quedas que já maravilharam o mundo e entristeceram a humanidade quando tivemos de inundá-las, vão ressurgir na paisagem planetária”.

Seis anos depois da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP15) na capital dinamarquesa, e ao lado de Nelton Friedrich, coordenador do “Programa Cultivando Água Boa”, Samek voltou a apostar num futuro sustentável.

Ele presidiu de 15 a 17 de setembro, em Foz do Iguaçu, o “I Encontro de Experiências Pioneiras e Inovadoras de Iniciativas Sociais na Gestão da Água – Criando uma Rede Global”, com a participação de autoridades e representantes de 18 países também vencedores do “Prêmio Water for Life”, da ONU Água, na última década, como os melhores exemplos de gestão hídrica do planeta. Seu positivismo e crença numa humanidade e planeta sustentáveis continua o mesmo.

É o que você confere a seguir:

O senhor mantém o que disse naquela época?

Não só mantenho como acredito mais ainda no que estamos fazendo aqui. Quanto à energia solar, a sua adoção é inexorável. Apenas uma questão de tempo. Nada tem mais força no mundo do que uma ideia cujo tempo chegou. E chegou o tempo da sustentabilidade. Ninguém vai deter isso. O Brasil vai continuar tendo importância no petróleo, no gás. Mas chegaremos ao fim deste século com a energia solar em primeiro lugar em matriz energética no mundo.

 

Em relação à biomassa, outra aposta de Itaipu, o que esperar?

Isso é outra coisa fantástica, porque transforma um problema em uma solução. Vivemos um verdadeiro milagre aqui na região oeste do Paraná nos últimos 15 anos. Éramos um grande produtor de grãos, de proteína vegetal. Estamos transformando tudo isso em proteína animal. Hoje o nosso agricultor planta milho e colhe frango temperado pré-cozido pronto para consumo. Planta soja e colhe presunto, colhe iogurte. Esse milagre da transformação gera emprego e renda. Temos cidades prósperas de classe média numa região que não tem desemprego, nem criança fora da escola, fruto dessa transformação. Mas, claro, toda transformação gera problemas. Esses animais, principalmente os suínos, comem demais. E, por isso, defecam muito também, criando um “bostômetro” de uma dimensão extraordinária. Se isso não for bem tratado, vira problema, contamina água, lençol freático, rios e até o nosso reservatório.

 

Como evitar que isso aconteça?

Transformando em uma outra grande fonte alternativa energética. Cada agricultor pode ser autossuficiente na sua produção de energia. É isso que estamos fazendo e vem ganhando uma aceleração fantástica na região. Guarde o que estou falando. Em pouco tempo, os agricultores vizinhos e afetados por Itaipu terão toda a energia necessária produzida dentro das suas propriedades. Suas cooperativas também vão usar boa parte desta energia oriunda dos dejetos de suínos, aves e gados de leite. Essa região é a maior produtora desses insumos do Paraná.

 

Isso se aplica no exemplo pontual do município de Entre Rios, que tem uma população de cinco mil habitantes e... 150 mil porcos?

Sim. Já estamos com um projeto já aprovado em parceria com a Copagaz e a Copel, de ajudar a transformá-lo num município 100% autossustentável. É verdade. Toda a sua necessidade energética vai ser abastecida com cocô de porco. Vamos criar uma nova espécie de entidade estatal, a Bostobrás, que dará um salto do ponto de vista do aproveitamento de dejetos. Está prevista para os próximos anos a triplicação do nosso número de animais. O que se vê no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, em Goiás, é que todas essas regiões estão se transformando em grandes produtoras de proteína animal. Isso é uma extraordinária fonte de renda e ainda há outro benefício: o que estava sendo jogado fora como lixo orgânico, poluindo os rios, quando você trata, tira o metano. Depois, por purificação, após a retirada de nitrato e nitrito, esse adubo volta para a lavoura como um extraordinário material fertilizante natural. O agricultor gastará menos com adubo químico. Só com o fertilizante NPK, por exemplo, hoje se gasta milhões, uma vez que boa parte dele é importada.

Reprodução da entrevista de Jorge Samek à JB Ecológico, em setembro de 2009: "Eu mantenho o sonho"

Como conciliar o orgânico e o fertilizante?

Esses dejetos, depois de tratados, podem substituir 50% do uso de fertilizantes e biocidas químicos. E com um ingrediente a mais, já que o que retém água no solo é matéria orgânica. Quem não usa essa técnica natural em sua produção agrícola, num período de seca de 10, 15 dias, ainda mais com o sol intenso que temos aqui na região, vai ver as suas plantas definharem. Isso é visível. Você passa pela estrada e vê, pelo milho plantado, se o agricultor preserva ou não matéria orgânica no solo. Aqueles que a usam, tipo deixando a palha do milho no chão, também chamado plantio direto, as plantas cultivadas suportam 15, 20 dias sem chuva. Elas não sofrem prejuízo algum exatamente porque a água, a umidade trazida pelas chuvas, fica sob a palha, retida ecologicamente no solo.

 

Mas, do ponto de vista de produção de energia, isso não é pouco?

Sim. Todo o cocô de suíno produzido na nossa região inteira vai dar menos de 1/3 do que produz uma turbina de Itaipu. Por outro lado, não olhando somente o dado da energia, do megawatt/hora, teremos o suficiente para abastecer todos os pequenos produtores, suas casas, seus fogões, automóveis. Nós acabamos de adquirir 40 carros movidos a... titica de galinha. Já temos uma série de outros automóveis movidos por metano e energia solar. Ou seja, temos as duas experiências muito bem-sucedidas. Meu carro é elétrico, faz três anos que eu não uso veículo a gasolina. Na usina só andamos de carro elétrico. São conquistas pontuais que nos apontam para um futuro comum sustentável. O que antes era visto pelos agricultores tradicionais só como poluição, incapaz de lhes trazer renda, agora está virando uma fonte de ganho financeiro a mais.

 

Como sensibilizar todos os agricultores e seus respectivos prefeitos para aderirem
ao programa?

Naturalmente, uma vez que já perdemos o controle. Antes tínhamos sete projetos-piloto localizados. Agora, via cooperativas, ele ficou economicamente viável, se multiplica e caminha com as próprias pernas. Como as cooperativas daqui estão com um portfólio de investimentos para triplicar a sua produção nos próximos dez anos, eles vão precisar ter um tratamento adequado para os dejetos de seus animais. E, obviamente, é aí que oferecemos a solução. São sete, oito anos de estudos que viabilizaram o desenvolvimento da tecnologia apropriada.

 

E a sua aplicabilidade na prática, como acontece?

Tem áreas, onde trabalhamos com pequenos produtores, que a melhor tecnologia é instalar um gasoduto. São 40 produtores. Famílias que têm 30, 50 vacas, 200 ou 500 porcos, e cada uma delas tem seu próprio biodigestor, de acordo com aquela quantidade de animais que possui. Todo o gás produzido é canalizado para uma única usina central para fazer o refino, retirar os nitratos e nitritos, deixando-o puro, para movimentar a cadeia.

 

Qual o perfil do agricultor paranaense alcançado por Itaipu?

Nossa região é formada por pequenas propriedades; 90% das do oeste do Paraná têm até 50 hectares e, 70%, 20 ha. Como um agricultor desses tem esse bom padrão de vida? A resposta é simples. Em apenas 10, 15 hectares eles conseguem produzir 60 mil frangos, ou têm mil porcos, o que lhes dá condições de terem seus filhos na faculdade, uma casa bonita na cidade, automóvel, carro, trator, internet. É exatamente esse o milagre da transformação da proteína vegetal em proteína animal. E nessa composição, capaz de triplicar os lucros da atividade, não há outra alternativa que não seja transformar tudo isso em energia, em adubo.

 

Sobre o “Cultivando”, o senhor acha que ele chegou ao ponto máximo?

Nunca a questão relacionada à sustentabilidade vai chegar a um ponto máximo. Cada santo dia aparece um novo problema e uma nova solução. O que estamos fazendo e trabalhando, e temos absoluta certeza e convicção, é que temos um sonho em comum cada vez mais realizado: o de ver todos os nossos rios, nascentes e matas ciliares recuperadas, as nossas estradas rurais alteadas para segurar e infiltrar a água da chuva, evitando o processo de erosão continuada dos solos.

Ao contrário, e isso é possível de se replicar em todo o país, todos os nossos solos agrícolas já são em curva de nível. Onde o “Cultivando Água Boa” acontece, você não vê mais trator nem arado removendo a terra, expondo os nutrientes ao sol inclemente. Isso é prática de um passado hoje distante, por ser insustentável. Nossa alternativa ecológica é a prática do plantio direto em que, no exemplo do milho, após sua colheita, a palha fica de propósito no chão, para manter a umidade e a fixação dos nutrientes para a próxima safra.

Mais outros sonhos?

Sim. O sonho da agricultura orgânica, da escolha e ampliação cada vez maior dos fitoterápicos para que o brasileiro deixe de tomar, comer e beber tanta droga química utilizada na lavoura convencional. O sonho aqui já praticado de toda a nossa merenda escolar ser à base de produtos 100% orgânicos, produzidos e consumidos nos próprios municípios aderentes à nossa causa: a da sustentabilidade que veio pra ficar e ajudar a salvar o planeta. Além da agricultura familiar ambientalmente correta, continuamos viabilizando a sustentabilidade dos nossos quilombolas, assentamentos e pequenos produtores. Tudo isso faz parte de um movimento permanente. A certeza de que há muito a fazer em parceria com o planeta, e não contra ele.

 

Não existe crise?

Essa crise que se abate no Brasil você não vê na nossa região. Seja no oeste e sudoeste do Paraná, no oeste de Santa Catarina, ou no Rio Grande do Sul, a crise não acontece. O plantio de soja, que irá abrir o mercado com sua colheita em fevereiro do ano que vem já teve início. Ou seja, o agricultor vai começar a plantar agora, com o preço da saca em R$ 70. Isso é de uma viabilidade econômica extraordinária! Os agricultores estão sorrindo!

Abriu-se também a venda do milho, cuja safra só será entregue no ano que vem, lá pra agosto, a R$ 26 o saco. Para quem não é do ramo, pode não entender o que esses números representam. Mas, para se produzir um alqueire de soja com a produção média aqui da região, está em torno de R$ 30 a R$ 32. O que se ganha em 120 dias? 125%. Você vende a soja a R$ 70. Não há nenhuma atividade no Brasil que tenha hoje a condição que a agricultura está tendo. O mundo está comendo mais, a China, Índia, os EUA, Brasil. Enfim, é um produto que tem mercado bom. Mas nós queremos qualquer tipo de produção? Não!

Qual o modelo ideal, então?

O que estamos implantando aqui ao longo desses anos todos do projeto. Com sustentabilidade, preservação do solo, da água. Trabalhamos fortemente com o conceito de que água, terra e o ar, toda a natureza e o meio ambiente que dispomos não foram herdados dos nossos pais. Como eles, nós apenas os pegamos emprestados para deixar depois aos nossos filhos e netos que virão. Temos a obrigação de entregar uma qualidade de vida e um mundo melhor do que nós recebemos. Temos tecnologia para isso. É um espetáculo você conversar com os jovens nas escolas. A cabeça deles já é diferente, é evolutiva, parece uma febre benigna que veio para ficar. Como nós, eles sabem que fazem parte de uma sociedade hoje bem mais consciente do que a de seus pais. E que seus filhos serão mais conscientes e atuantes ainda. Toda a humanidade, enfim, está percebendo que só existe um planeta. Tem backup hoje para tudo. Só não tem para o planeta, porque ele é um só. Por isso temos de cuidar.

 

O presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu, lembrou que a maioria quase absoluta das hidrelétricas brasileiras não tem mata ciliar em volta dos seus reservatórios. Por que o exemplo de Itaipu não é copiado pelo setor?

Se você pegar “n” usinas você vai ver que as coisas andaram e muito. Mas nenhuma delas é verdade, tem um projeto de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável local com tantas alternativas, 65 ações ao todo, como nós fizemos. Aqui conseguimos juntar todas as prefeituras lindeiras com o nosso reservatório que também difere dos demais, e nos permite reflorestá-lo melhor, por sermos a fio d’água.

 

Itaipu faz isso por quê?

Não porque somos bonzinhos e temos algumas pessoas preocupadas com a questão ambiental. Mas, sim, porque a nossa matéria-prima é agua. Itaipu só produz energia porque tem água. E para ter água tem de ter reservatório. Para ter reservatório não pode ter assoreamento. Tem que ter mata ciliar. Não pode receber veneno, produto químico, matéria orgânica dos dejetos. São coisas que fazemos para proteger o nosso próprio negócio, mas que também dá uma resposta extraordinária para o meio ambiente, para a renda do agricultor e a consciência de mundo. É um jogo de ganha-ganha para todos os envolvidos.

Podemos sonhar que o que acontece aqui em Itaipu pode acontecer na Cantareira e em Minas, que é a caixa d’água do Brasil?

Por duas vezes a candidata à presidência da República Marina Silva chacoalhou a roseira. Ela deu um susto na turma, demonstrando que a agenda ambiental já deveria estar forte e irreversivelmente calcada na política. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, com esse estresse hídrico atual, estão sendo obrigados a dedicar parte de seu tempo à questão ecológica, trazer projetos e lutar por recursos para melhorar a gestão de suas águas. Trata-se de algo novo que veio para ficar e a população irá cobrar cada vez mais. Internacionalmente, é possível identificarmos os países que estão se destacando por colocar meio ambiente na cabeça de suas agendas políticas. Dinamarca e Alemanha, por exemplo, viraram referência mundial em função do bom uso de energia, seja solar, eólica, de mar, de biomassa, bem como de outros cuidados ambientais, recuperando antigos rios que foram canalizados e agora estão sendo trazidos à vista da população, na forma de parques públicos e lineares para a consciência, informação e lazer gratuito das suas populações. 

 

Podemos imaginar um Tietê assim, em São Paulo?

Eu gostaria muito e é possível sim vê-lo cheio de peixes. Sei que algumas pessoas podem dizer “pare de sonhar”, mas eu acredito. Basta fazermos a sua recuperação ambiental à semelhança do que a Mãe Natureza nos ensina.  Seguir o seu modelo natural, começando pela preservação das suas cabeceiras. Chamar os produtores rurais e dizer “vamos cercar esta área, aqui tem de ter mato, árvores. Boi não pode entrar, nem receber mais qualquer tipo de dejeto, humano, industrial, animal”. Isso acontece assim até em Nova York, onde os moradores tomam água direto da torneira. O custo do tratamento é baixíssimo.

 

Se há esse exemplo tão emblemático de Nova York, como de outras capitais europeias improváveis, por que não se consegue replicar a correta gestão das águas no Brasil?

Porque burrice não doi. Se doesse, tudo isso estaria resolvido. Na hora em que o bom senso imperar, isso vai acontecer naturalmente, não há mais como reter a onda da sustentabilidade. Nós já temos muitos bons exemplos no país, como o município de Extrema, no sul de Minas, onde a recuperação de nascentes e o consequente aumento da produção de água pura é uma realidade, com os agricultores sendo incentivados e remunerados pela prefeitura local. Temos o exemplo do Sebastião Salgado, através do seu Instituto Terra, que recuperou a quase extinta Mata Atlântica na região onde nasceu, na divisa de Minas com o Espírito Santo; e hoje está à frente de um projeto compartilhado com a Arcelor Mittal para a recuperação de 400 mil nascentes na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. É um trabalho fantástico, tão sonhador como possível, a exemplo da transformação que estamos conseguindo aqui.

 

O senhor está se referindo ao “Programa Cultivando Água Boa”?

Sim, nós o começamos com a participação de 16 municípios lindeiros. Hoje já passamos para 29 e estamos envolvendo um total de 54 prefeituras, mais agricultores, estudantes e populações na defesa de seus recursos hídricos. O Nelton (Friedrich, coordenador do programa) é um profeta da água. Quando se é militante, no exemplo maior dele, toda e qualquer pessoa bem informada e sensibilizada se apaixona pragmaticamente pela causa. Ele viaja pra tudo que é lugar, convida as pessoas, governos e instituições para virem conhecer o que acontece em Itaipu. O segredo da felicidade humana é fazer o que você gosta. O nosso pessoal gosta, militantes que nos tornamos da causa ambiental. É isso que dá consistência, resultado, reconhecimento e reaplicação mundo afora. Os municípios e seus prefeitos, quando adotam as práticas do programa, veem que isso é bom. E também se entusiasmam.

 

Já existe uma demanda real de outras partes do país de seguir este exemplo?

Sim. O “Cultivando” foi adotado pelo Governo de Minas, através da Copasa, com quem já estamos mapeando e trabalhando uma área imensa de municípios fortemente afetados pela crise hídrica. Para nós, esta parceria faz todo um sentido especial, pois quase toda a água que chega a Itaipu vem de Minas. A bacia do Rio Grande é nossa principal fornecedora.

Quando Deus fez o mundo, acho que Ele pensou: ‘Aqui vai ter uma hidrelétrica’. Chove em Brasília, chega água aqui. Choveu em Paranoá, no Rio Grande, no Tietê, no Paranapanema, chove aqui por indução. O próprio Rio Grande nasce nas montanhas de Minas. A primeira usina hidrelétrica lá se chama Camargos. De lá, se chega em Itutinga. Em Itutinga você tem Funil. Funil chega em Furnas, Mascarenha de Morais, Luiz Carlos Barreto, Igarapava, Jaguara, Volta Grande, Porto Columbia, Marimbondo, Água Vermelha. Aí o Rio Grande junta com o Rio Paranaíba e, no final disso tudo, passa pelas Cataratas, onde os rios Paraná, Iguaçu e Uruguai se juntam para formar o estuário do Prata, o maior desemboque de água doce no mar do planeta. As águas são como as pessoas; crescem porque se encontram. É esta  a esperança, o sonho real que está dando certo em Itaipu e queremos compartilhar com o Brasil e o mundo.

 

Saiba mais

O Programa “Cultivando Água Boa” é um conjunto de 20 projetos executados na Bacia do Paraná – Parte 3, um território de 800 mil hectares e um milhão de habitantes, distribuídos por 29 municípios no entorno do reservatório de Itaipu Binacional. Ao todo são 217 microbacias hidrográficas que contam com diversas ações para a proteção e recuperação de nascentes e dos cursos dos rios, com iniciativas voltadas a novos meios de produção (principalmente agropecuária) e consumo, conservação da biodiversidade, educação ambiental, atenção a segmentos vulneráveis (como indígenas, agricultores familiares, pescadores e catadores de materiais recicláveis), entre outros. No início deste ano, o programa recebeu o “Prêmio Water for Life”, da ONU Água, como a melhor prática de gestão de recursos hídricos do mundo. A exemplo de Minas, ele já está sendo estudado pelo governo paulista para ser adotado também no Sistema Cantareira.
 

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