Segunda, 08 de março de 2010

Ecopoemas

Antônio Barreto

Antônio Barreto - antonioba@uol.com.br



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SXC/Arte Sanakan

SXC/Arte Sanakan

Revoema

 

O eco do meu umbigo

é bem maior que o poema

que persigo

quando reflito sobre

o ego

do meu egoema

Logicamente

o ego do meu poema

é bem menor que o eco

do ecoema

que imagino quando

penso no povo

que habita o ovo

do meu repoema

 

O PESCADOR DE PALAVRAS

(A poesia é o mar)

O poeta levanta cedo,

a vara nas costas,

o bornal na consciência.

A poesia é o mar.

O poeta faz a isca,

atira o anzol,

sente a fisgada,

a consciência com fome.

 

A POESIA E O MAR

O poeta pesca uma lata de sardinhas

e uma botina velha.

 

RECICLAGEM

Estou sozinho, jogado no lixo.

Nele eu me rato, me sapo,

Me mosco, me lagartixo.

Que tal me reciclar, princesa,

No relaxo, no refresco, no capricho?

Prometo que, depois, eu-sapo,

Me coaxo, me brejo, me crucifixo.

Por você

Eu até

Me principesco.

Por você, princesa,

Eu até

Me rei-lixo...

 

MENINAL

a fruta sobrevoada

sobre a madura tarde

que formiga

a mosca que estraçalha o vidro

da lembrança mais antiga:

os sonhos em planta-baixa

o pernilongo sem relógio

que violava

a noite sem lógica

a barata liquidada

a pulga cheia de pulgas:

tudo nessa caixa

e eu sem sol, sem lua,

sem chuva

e sem estio

estilingando

minhas perguntas

para as respostas de um rio.

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