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Segunda, 08 de março de 2010

Cidade administrativa e sustentável

Após dois anos de obras, Governo de Minas conclui seu novo Centro Administrativo, projetado por Oscar Niemeyer sob a égide da modernidade e preocupação ambiental

Júlia Mel - redacao@revistaecologico.com.br



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Com 350mil mudas de arbustos e flores ornamentais, a nova sede do Governo<br> de Minas homenageia a memória de Tancredo Neves, que dizia que...

Com 350mil mudas de arbustos e flores ornamentais, a nova sede do Governo
de Minas homenageia a memória de Tancredo Neves, que dizia que...

A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves está pronta. Nela, os traçados de Oscar Niemeyer não ficarão marcados somente pelas sinuosas curvas. Assim como as do conjunto arquitetônico da Pampulha, cartão postal da capital mineira, à época encomendado pelo então prefeito Juscelino Kubitschek. Mas, principalmente, pela modernidade, engajamento ambiental e grandiosidade do maior prédio suspenso do mundo em concreto armado.

O Palácio Tiradentes, aonde o governador despachará com seus assessores mais próximos, é umas das obras mais ousadas do mestre mundial da arquitetura. Em seus quatro andares, arcos, pilotis e pavimentos misturam vidro e concreto armado. O térreo, completamente vazado, é considerado o maior vão livre de concreto do mundo, com 147 metros de comprimento.

Localizado no bairro Serra Verde, divisa de Belo Horizonte com os municípios de Vespasiano e Santa Luzia, o moderno complexo de prédios abrigará toda a administração direta do Estado. A iniciativa do governador Aécio Neves retoma o projeto de JK, que acreditava na mudança do eixo de desenvolvimento da capital mineira para a região norte. E vai ao encontro do terceiro pilar do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PDMI) que assegura o crescimento econômico e o progresso social do norte de Belo Horizonte.

A Cidade Administrativa foi erguida no antigo e ambientalmente degradado Hipódromo Serra Verde, que pertencia ao Jóquei Clube de Minas Gerais, às margens da MG-10. A nova e imponente sede do governo de Minas vai abrigar 18 secretarias e 25 órgãos públicos em cinco edificações imponentes: Palácio Tiradentes; dois prédios de secretarias de Estado; centro de convivência, equipado com restaurantes, lojas e bancos; auditório com capacidade para 490 pessoas; estacionamento com cinco mil vagas e ainda, unidades de apoio para equipamentos. As edificações ocupam 265 mil m2 do terreno da Cidade Administrativa, de 804 mil m2 de área total.

Ganhos - O custo final da Cidade Administrativa é de 1,056 bilhão. A Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado calcula que a centralização da gestão vai gerar uma economia anual de R$92 milhões já a partir do primeiro ano de sua ocupação. Os números são da BDO Trevisan, terceira maior empresa de auditoria do mundo. E baseiam-se nas despesas atuais das secretarias e órgãos públicos que hoje ocupam 53 imóveis em diferentes endereços da região central da capital mineira. Além disso, a transferência das repartições para a Cidade Administrativa vai converter os antigos prédios públicos em um centro cultural, revitalizando e recuperando o charme das mediações da Praça da Liberdade.

Na nova sede do governo de Minas, os servidores terão asseguradas melhores e iguais condições para desenvolver suas atividades. As estações de trabalho foram padronizadas com computador, mesa, gavetas e armários próprios. Tudo integrado a uma ampla rede informatizada para recepção e transmissão de dados. O número de servidores com acesso a internet aumentou em 93,75%.

Construção verde - Para diminuir ainda mais os gastos e seguir na trilha ecológica, o projeto da Cidade Administrativa foi desenvolvido a partir de técnicas modernas de construção verde e inteligente. Todas as edificações funcionam com inovada tecnologia de uso racional de água, energia e reaproveitamento do lixo, obedecendo às exigências relacionadas à sustentabilidade e preservação ambiental. “Essa ecoeficiência está presente no sistema de esgotamento á vácuo que reduz em 85% o consumo de água. E nas janelas de vidros duplos com persianas embutidas que minimizam em 70% a entrada de calor, reduzindo o uso de ar condicionado e, consequentemente, o consumo de energia”, explica o engenheiro, consultor e diretor da Lume Ambiental, Paulo Maciel Júnior, responsável pela gestão ambiental das obras de engenharia da nova sede do governo de Minas. Ele acrescenta ainda que os prédios foram dotados de sensores fotossensíveis que impedem a iluminação e a climatização de ambientes vazios.

A Lume Ambiental elaborou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) da Cidade Administrativa. De acordo com Paulo Maciel, que já foi secretário municipal de Meio Ambiente de BH, 52 técnicos trabalharam no projeto e fizeram um prognóstico de 20 anos para toda a região: como era antes e como ficaria com a implantação da nova sede do governo. “O saldo da transferência da administração do estado para o Vetor Norte da capital é positivo. Apesar dos desafios, conseguimos colocar em nossos estudos impactos não apenas pontuais, mas na região como um todo. Isso nos permitiu propor melhorias integradas com o entorno”, esclarece Paulo.

Trabalhando com o trinômio da sustentabilidade: desenvolvimento econômico, equidade social e preservação ambiental, chegou-se a 62 hipóteses de impactos positivos e negativos para as fases de planejamento, implantação e operação do empreendimento. Segundo o consultor, o objetivo principal de todo o trabalho foi potencializar os impactos positivos da obra e atenuar os negativos.

Com isso, foi possível re-naturalizar uma das lagoas que embelezam o cenário arquitetônico de Niemeyer, recuperar áreas totalmente degradadas pela prática do motocross e do kart (lazer do antigo local). E ainda reformar escolas, postos de saúde, praças e construir campos de futebol e quadras esportivas para a população da região.

A reestruturação da vegetação foi outro compromisso levado a sério no projeto. “O antigo Hipódromo Serra Verde estava totalmente degradado, em processo erosivo e de assoreamento. Nosso propósito foi o de recuperar toda a área”, conta Paulo Maciel. Para restaurar a vegetação já foram plantadas 4.500 árvores de grande porte entre palmeiras, ipês roxo, amarelo e branco, além de pau-brasil, pau-ferro e quaresmeiras. No canteiro de flores, orquídeas-bambu, sálvias, lírios, alamandas, agapantos e aves-do-paraíso. Para acabar de compor e embelezar ainda mais esse cenário paisagístico, outras 350 mil mudas de médio porte foram plantadas no entorno dos prédios.

As preocupações ambientais e sociais se estendem ao esgoto do Centro Administrativo, que será coletado e transportado para tratamento na ETE Onça, recentemente inaugurada. E ao Parque Estadual Serra Verde, que fica atrás da nova sede. A boa notícia é que no futuro a população vai poder visitar a segunda maior área verde de BH, com 142 hectares (perdendo apenas para o Parque das Mangabeiras), totalmente reflorestada. O Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Fundação Municipal de Parques e a Secretaria de Agricultura trabalham juntos nesta nova promessa de lazer e educação ambiental.

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