Terça, 05 de janeiro de 2010

2009

O ano em que o mundo se uniu contras as mudanças climáticas

Andréa Zenóbio Gunneng



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(Foto: Andréa Zenóbio)

(Foto: Andréa Zenóbio)

Se muitas vezes a história da humanidade tem sido escrita silenciosamente, e as mudanças só são reconhecidas quando, depois de décadas, olhamos para trás, definitivamente este não é o caso das mudanças climáticas. Não só a voz da Mãe Natureza que vem se fazendo ouvir aqui e agora por meio dos desastres naturais cada vez mais intensos, mas também a de milhões de homens, mulheres e crianças, de todas as culturas e partes do mundo, estão se unindo em um coro global, para denunciar o sofrimento e o desespero que as mudanças climáticas estão infringindo às suas vidas, de suas famílias e comunidades. Ainda mais alto, porém, milhões de vozes estão reivindicando que os compromissos políticos sejam traduzidos em ações climáticas imediatas.

A perspectiva do evento da COP15, em Copenhague, criou um momento político histórico nas negociações climáticas, que não foi somente vivido durante a conferência, mas também durante todo o ano de 2009. Este momento político foi expresso principalmente em termos de governança e de mobilização social. Como declarou a presidente da COP15, Conne Hedegaard, na cerimônia de abertura da Cúpula do Clima das Nações Unidas: “A vontade política para confrontar e abordar as mudanças climáticas nunca foi tão grande. Se perdermos esta chance, pode levar anos até termos outra oportunidade como esta”. Maior ainda do que a vontade política, entretanto, tem sido a determinação da civilização humana em expressar suas demandas: de direito à vida!

Durante todo este ano cidadãos de todo o mundo participaram de campanhas, apoiando e reivindicando um acordo político que confrontasse efetivamente as mudanças climáticas. Seus recados e suas vozes puderam ser ouvidos em absolutamente todos os cantos do Centro de Conferência Bella Centre, onde aconteceu a COP15. Do lado de fora, do lado de dentro: manifestações pacíficas, palavras de ordem, cartazes, roupas folclóricas, esculturas, documentos, cartas de declaração, exposições, livros, bótons... De todas as maneiras e trejeitos, a sociedade civil fez sua voz ser ouvida no Bella Centre.

“A minha história é apenas uma entre milhões de outras semelhantes”, disse a coordenadora da Rede Climática de Jovens da Índia e da Região Sul Asiática da Campanha 350.org, Ruchi Jain, uma indiana que há três anos vive em Mumbai, cidade que diariamente recebe 10 mil migrantes. Há três anos, Ruchi levou cinco dias para conseguir voltar para casa, durante uma forte enchente em sua cidade. “Enchentes são normais em Mumbai, mas nos últimos anos vêm se tornando mais intensas e frequentes”. Depois dessa experiência, ela deixou o emprego e decidiu se dedicar ao combate às mudanças climáticas: “Por todo o mundo, estamos compartilhando o mesmo desespero e o mesmo problema climático, mas estamos também dividindo histórias de sucesso e de esperança”.

Ruchi tem 23 anos e falou em nome dos 2,2 bilhões de jovens menores de 18 anos da população global, ou três bilhões menores de 25 anos, durante o Painel de Intergerações sobre as Mudanças Climáticas: “Protestos e manifestações gigantescas estão acontecendo por todo o mundo. Estamos escrevendo a história”. O encontro foi um evento paralelo à COP15, que contou com a presença do secretário-executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer.

POSIÇÃO JUSTA

O sentimento de Ruchi, expresso em seu discurso, representa a aflição, o desespero, a esperança e a luta de toda a sociedade civil global que, durante este ano, se posicionou e manifestou, cobrando dos chefes de governos de todas as nações uma posição justa e eficiente no combate às mudanças climáticas. Como afirmou Boer: “Se mais de 110 chefes de governo estão atendendo à COP15, é porque acreditam que as mudanças climáticas são um tema importante. Eles estão testemunhando em seus países um crescente apoio público para uma resposta vigorosa de combate a elas. A posição de cada chefe de estado na COP15 é um reflexo do que esses líderes acreditam que devem fazer para satisfazer vocês, como sociedade civil, para que os reelejam nas próximas eleições”. As manifestações enviaram a mensagem de que a sociedade está tratando o assunto de maneira séria, e espera que seus governantes façam o mesmo. “Confiamos em vocês. Eu confio em vocês para assegurar o meu futuro, o futuro de bilhões de pessoas deste planeta. Por favor, não nos decepcionem”, disse a indiana,

A resposta de Boer a ela, entretanto, foi um alerta a todos os milhões de cidadãos que, em todos os cantos do mundo, clamam por uma resposta governamental concreta e efetiva em relação às mudanças climáticas. Boer foi aplaudido de pé por mais de dois mil jovens. Ele tem razão.

Enquanto nossos líderes governamentais não conquistarem nossa confiança, teremos de continuar vigilantes, pressionando, reivindicando e acompanhando de perto como eles estão decidindo o nosso futuro.

Participe! Lute você também pelo seu direito à vida!

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