Segunda, 21 de maio de 2018

Presentologia

Roberto Francisco de Souza (*) - redacao@revistaecologico.com.br



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Foi Copa, depois Olímpiada, foi eleição disso e daquilo... Agora Copa de novo e eleição de novo e não andamos mesmo. Assinamos uma Netflix de uma série só que, quando termina, volta pro começo. Olho pela janela e não vejo esperança genuína no povo, aquela que nos poria, a todos, na mesma direção e sentido.

Foi Copa, depois Olímpiada, foi eleição disso e daquilo... Agora Copa de novo e eleição de novo e não andamos mesmo. Assinamos uma Netflix de uma série só que, quando termina, volta pro começo. Olho pela janela e não vejo esperança genuína no povo, aquela que nos poria, a todos, na mesma direção e sentido.

Cartomantes, ciganas e congêneres estão em alta. Por todos os cantos, todos os seminários, seja o tema que for, é cantilena igual, inclusive a minha. Falamos de futurismo, prevemos os dias que virão, não raro, com inconfundível sarcasmo de quem prevê um mundo, aqui caótico, ali incompreensível.

Todos estamos ameaçados e nos ameaçando, todos dizendo que profissões e causas irão desaparecer na velocidade da luz. Eu mesmo já falei disso mais de vez.

Mas futurismo cansa, não por estar errado, não por previsões apocalípticas ou paradisíacas, pois há verdadeiro espaço para todas. O futuro cansa porque, na verdade, não vivemos no futuro, mas no presente. É aqui, neste tempo fugidio de poetas e filósofos, que temos que viver. O lugar? Brasil. A nova moda: presentismo!

Corria 2014, correu 15, 16, 17, 18 e parecemos não andar, tempo que não passa. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desliza seus índices para cima e para baixo e os governos de todos os níveis raspam o fundo do tacho em busca de notícias que façam parecer que avançamos. Nossa produtividade parece saída de um verbete da Barsa, parada no tempo.

Foi Copa, depois Olímpiada, foi eleição disso e daquilo... Agora Copa de novo e eleição de novo e não andamos mesmo. Assinamos uma Netflix de uma série só que, quando termina, volta pro começo. Olho pela janela e não vejo esperança genuína no povo, aquela que nos poria, a todos, na mesma direção e sentido.

Enquanto o mundo é verdade que acelera, países se transformam, grandes e pequenos, Chinas e Cingapuras, cada qual posto numa grande corrida global para ser relevante. Enquanto isso, precisamos parar de olhar tão distante no horizonte e olhar mais de perto, no beiço de nosso olhar, e puxar o fio da meada. Fio de tão pouco recurso que o país não tem e que, se puxado, fará mover céus e terras. Fará com que sejamos uma nação renovada.

Meu Deus, fico pensando, porque demoramos tanto pra chegar em lugar nenhum? Porque preferimos duvidar de tudo, feito um Tomé governante, enquanto a tecnologia cria para empresas e governos, mundo afora, educação nova, segurança nova, transporte novo, um povo que caminha com firmeza, braços esticados do presente, construindo o futuro, em lugar de só falar dele.

É hora de não se perguntar mais para onde vamos. Já chega. É tempo de se perguntar onde estamos, pois parece que não sabemos.

E só assim poderemos nos mover na direção de sermos um povo feliz de verdade.

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Tech Notes

Entenda o que é futurologia

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