Quarta, 18 de abril de 2018

Discursos e Fóruns não protegem a água

Hipócritas e oportunistas de plantão fizeram discursos inflamados, aproveitando o momento para se exibir como defensores convictos do meio ambiente. E os governos reafirmaram insistentemente sua preocupação com o assunto.

Maria Dalce Ricas (*) - redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer

Em 22 de março, comemorou-se o “Dia Mundial da Água” e o Brasil sediou um fórum de mesmo nome em Brasília (DF), que fervilhou de gente de todos os tipos e nacionalidades. O evento tem seu lado positivo: falar do recurso natural e da sua preservação. Lembrar que sem ele não há vida. Conhecer e trocar propostas, experiências e iniciativas positivas.

Hipócritas e oportunistas de plantão fizeram discursos inflamados, aproveitando o momento para se exibir como defensores convictos do meio ambiente. E os governos reafirmaram insistentemente sua preocupação com o assunto.

Mas a verdade é que o Brasil e seus entes federativos, Estados e municípios, estão longe de terem políticas sérias de proteção dos recursos hídricos. Cientistas alertam reiteradamente que a destruição da Floresta Amazônica alterará ainda mais o regime de chuvas em toda a América (incluindo Minas Gerais), e possivelmente no mundo. A principal fonte de emprego e renda em várias regiões ainda com florestas é derrubar árvores e botar fogo nelas. Inclusive incendiar os veículos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os governos atuais (e os que os antecederam) continuam tentando acender vela para “Deus” preservar a floresta e o “Diabo” - agronegócio, madeireiras, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e seus assentamentos corruptos e degradadores. Mas a “vela de Deus” é muito menor e queima muito mais rápido do que a do “Diabo”, porque as políticas públicas que estimulam e apoiam a derrubada da floresta permanecem.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o respectivo Programa de Recuperação Ambiental (PRA), previstos no Código Florestal Ruralista Brasileiro, que prevê cadastramento das propriedades rurais informando situação de nascentes e cursos d’água e sua recuperação através do PRA, já foi adiado três vezes. A etapa de cadastramento deveria ter terminado em maio de 2014.

Sob o ponto de vista técnico, proteger a água não é complicado. Depende de políticas agrícolas que levem em conta sua proteção e uso, mudanças no licenciamento ambiental, uso do solo e, é claro, paralisar o desmatamento agora e reflorestar áreas importantes para recuperação e proteção de aquíferos.

A longo prazo, destruir a Amazônia é mais grave do que a situação do Rio de Janeiro. As forças armadas que sustentamos com nossos impostos deveriam ser deslocadas também para protegê-la.

Quem tem ou teve poder neste país não quer ou não teve coragem para enfrentar a situação. E no contexto político que ainda parece ser de longo prazo, marcado pelo individualismo, mediocridade, ignorância, frivolidade, omissão e deseducação estarrecedora da maior parte da população que mantém as quadrilhas políticas que dominam o país, o cenário é muito ruim.

Mas os exércitos de Brancaleone que lutam e agem para defender o meio ambiente mantêm viva a esperança de que alguma coisa restará para o futuro.

Compartilhe

Comentários

Nenhum comentario cadastrado

Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição