Segunda, 04 de dezembro de 2017

O sal (ecológico) da terra

“A natureza não precisa das pessoas. As pessoas precisam da natureza”

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com.br



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De Hugo Werneck a Sebastião Salgado e Lélia Wanick, a mensagem maior da premiação
este ano: “O Vale do Rio Doce tem 370 mil nascentes. É possível recuperar todas elas!. Foto: Fernanda Mann

De Hugo Werneck a Sebastião Salgado e Lélia Wanick, a mensagem maior da premiação este ano: “O Vale do Rio Doce tem 370 mil nascentes. É possível recuperar todas elas!. Foto: Fernanda Mann

Duas frases significativas marcaram a 8a edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, cuja solenidade, este ano, levou às lágrimas várias autoridades e empresários presentes – algo raro no mundo político e econômico –, tamanha a emoção e o clima de gratidão dos premiados.

A primeira frase é do dr. Hugo, fundador da primeira ONG ambientalista na América Latina, a quem a Revista Ecológico é dedicada à cada nova lua cheia no céu: “Só a beleza do mundo deveria bastar para preservarmos a natureza”.

Já a segunda foi não apenas expressada, mas demonstrada no palco pelo casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick, do Instituto Terra, os grandes homenageados do ano: “A destruição da natureza pode ser revertida”. Foi o que eles comprovaram, referindo-se à iniciativa que protagonizaram no Vale do Rio Doce, recém-agredido pela maior tragédia mineral na história ambiental brasileira. Trata-se, ao mesmo tempo, do maior exemplo de recuperação de área degradada de Mata Atlântica no país, com o renascimento de milhares de nascentes d’água.

A volta da natureza, enfim, na antiga Fazenda Bulcão, em Aimorés, onde Minas se encontra com o Espírito Santo. E que só foi possível com o plantio de mais de 2,5 milhões de árvores no solo desertificado pela seca e a pecuária insustentável na propriedade.

Esta edição especial da Ecológico também traz outra marca significativa. Com ela entramos no 10o ano de circulação da revista, mantendo o propósito de ser a mais jornalística e amorosa publicação sobre sustentabilidade e educação ambiental hoje da grande mídia impressa e digital brasileira.

Um “parto” que acontece em meio às montanhas de Minas para o país, no ciclo lunar, a cada 28 dias, segundo o calendário da natureza. E não o do homem, onde principia toda a nossa animosidade com o planeta que nos sustenta. Tal como o recado da campanha “A Natureza está falando”, da ONG Conservação Internacional, que parece não ter sido ouvido até hoje: “A natureza não precisa das pessoas. As pessoas precisam da natureza”.

O recado maior desta nossa edição – que premia, mostra e replica para o mundo, as pessoas, empresas, personalidades e instituições que dão exemplo de amor e sustentabilidade – não poderia ser outro: a crise hídrica.

Real e galopante, a falta de água já dura quatro anos seguidos, em Minas, a “caixa d’água do Brasil”, e até na Floresta Amazônica, o grande refrigerador natural do planeta ainda de pé. Duradoura tal como a teimosia de Sebastião e Lélia.

Persistência compartilhada pelo filho do casal, Juliano, que também estava presente na cerimônia do Prêmio Hugo Werneck. É de sua autoria, em parceria com Wim Wenders, o roteiro e a produção do pungente documentário “O Sal da Terra”, que conta a odisseia ambiental de seus pais em busca dos 46% de natureza ainda intocada pela mão humana nas partes mais primitivas do planeta.

Imagine, caro leitor, você assistindo a cenas deste documentário durante a premiação. E se não fosse o bastante, ao som da canção homônima “O Sal da Terra”, de Beto Guedes, cantada à capela por um coral maravilhoso junto aos presentes à cerimônia, quando ouve: “Temos de recriar o paraíso agora, para merecermos quem vem depois”?

Faz pensar que ainda somos, todos nós, ainda que tardia, o sal deste que “é o mais bonito dos planetas”. 

Como você vai conferir também neste nosso número especial, o artista plástico polonês e ambientalista Frans Krajcberg não morreu em vão. Nem o próprio Hugo, cuja última e histórica entrevista à Revista Ecológico, um mês antes da sua morte, reproduzimos aqui. Uma morte em paz, amorosa e agradecida. Tal como o tema da oitava edição do prêmio que leva seu nome e exemplo, e que o casal homenageado mostrou, de forma pragmática, ser possível. “A Terra Pede Paz – Atire a primeira flor!”

Boa leitura!

Até a próxima Lua Cheia. 

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