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Segunda, 06 de novembro de 2017

A praça cheia de Água

Projeto “Minas no Caminho das Águas” alerta a sociedade sobre como cuidar do mais importante recurso natural do planeta



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com diversas e gratuitas atividades para conscientizar e mobilizar os seus frequentadores sobre o debate que acontecerá no “8º Fórum Mundial da Água”, em março de 2018.

com diversas e gratuitas atividades para conscientizar e mobilizar os seus frequentadores sobre o debate que acontecerá no “8º Fórum Mundial da Água”, em março de 2018.

A Praça da Liberdade, símbolo da capital mineira, amanheceu mais azul no último dia sete de outubro. E totalmente lúdica, com diversas e gratuitas atividades para conscientizar e mobilizar os seus frequentadores sobre o debate que acontecerá no “8º Fórum Mundial da Água”, em março de 2018, em Brasília (DF).

Durante o evento na capital, funcionários da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em parceria com a Prefeitura de BH, o Governo do Estado e a Rede Globo Minas, receberam e informavam as pessoas sobre a importância de se preservar a água. Todos trajavam camisetas azuis, em alusão ao movimento “Minas no Caminho das Águas”, projeto de preparação para o evento mundial.

O presidente do Sistema Fiemg, Olavo Machado, prestigiou as atividades: “Elas são necessárias e têm todo onosso apoio. Nós, industriais, que usamos água sobremaneira nos nossos empreendimentos, sabemos da importância de conscientizarmos não só os empresários, mas toda a população. É a única maneira que temos para preservarmos este recurso precioso às futuras gerações”.

O evento foi bastante concorrido. Uma das atividades que mais fizeram sucesso foi o “Espaço Viva”, um túnel de educação ambiental, em forma de tenda, onde as pessoas puderam conhecer e experimentar as diversas variações climáticas influenciadas por diferentes níveis de poluição.

A estudante de Gastronomia, Raissa Silva, compareceu à praça com o namorado. “Afinal, esse é um assunto de interesse de todos nós, que merece a nossa atenção diariamente. A preservação da água é um trabalho diário”, frisou, agradecida pela oportunidade.

 

FAEMG HÍDRICA

Também por oferecer petiscos, sucos de legumes, frutas e outros produtos saudáveis “da roça” ou orgânicos, o estande do Sistema Faemg (www.sistemafaemg.org.br) chamou a atenção dos frequentadores. A começar por um enorme banner de um homem do campo com os dizeres: “Produtor rural também é produtor de água”.

Através de várias cartilhas explicativas, apanhadas avidamente pelas pessoas, foi mostrado que “é no meio rural que grande parte das águas da chuva retorna aos lençóis freáticos e reabastece os rios. Com treinamento e muito trabalho são eles, os homens do campo, quem têm a missão de garantir a saúde do solo e da água, principais aliados da produção agrícola”.

Folhetos do Senar Minas sobre cursos de recuperação e proteção de nascentes também deram o seu recado: “Recuperar a capacidade de uma nascente é só um dos passos para garantir água  de qualidade. É necessário ter atenção ao entorno do olho d’água para conter a erosão e garantir a área necessária para a recarga hídrica. O objetivo maior é devolver as condições naturais favoráveis àreestruturação maior da vida”.

 

A lagoa cheia de esperança

Bia Fonte Nova - redacao@revistaecologico.com.br

 

Belo Horizonte foi selecionada para ser anfitriã do evento preparatório para o 8º Fórum Mundial da Água, que acontecerá pela primeira vez no Brasil e no Hemisfério Sul, em março de 2018. Depois da programação especial de atividades e discussões sobre o tema água realizada no início de outubro pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), em parceria com a Fiemg e o Governo de Minas, agora é a vez de apresentar os bons exemplos que a capital mineira levará para o Fórum.

Em março deste ano, a PBH já havia apresentado o resultado do trabalho de recuperação da qualidade da água da Lagoa da Pampulha. Na ocasião, foi anunciado que as metas estabelecidas para execução da primeira etapa dos serviços, que correspondem ao enquadramento da lagoa nos padrões de Classe 3, conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que permite, por exemplo, atividades como pesca e iatismo, foram alcançadas no fim de dezembro de 2016.

Em entrevista à Ecológico, o diretor de Gestão de Águas Urbanas da Secretaria de Obras e Infraestrutura da PBH,  Ricardo Aroeira, fala com otimismo das ações de despoluição e recuperação ambiental da Pampulha. Engenheiro sanitarista respeitado e funcionário de carreira da PBH desde 1993, ele garante que a capital mineira deve se orgulhar do legado ambiental e hídrico construído ao longo dos últimos anos, inclusive no que se refere a políticas públicas voltadas para melhoria do acesso ao saneamento e também de maior participação social. Confira:

 

Qual é hoje a realidade ambiental e hídrica da Lagoa da Pampulha?

Estamos na segunda etapa de um contrato de 24 meses que se estende até março do ano que vem. Até lá, a empresa contratada tem a obrigação de manter a lagoa no padrão Classe 3 e, assim como na primeira fase, a aferição da qualidade da água é feita a cada trimestre.Concluímos o segundo trimestre de apuração dessa etapa de manutenção e, felizmente, até aqui o trabalho continua exitoso.

 

Há possibilidade de a PBH liberar a prática de esportes e pesca na Pampulha até março, quando será realizado o 8º Fórum Mundial da Água, em caráter especial para o evento?

O fato de a Classe 3 permitir a prática de determinadas atividades não significa que todas elas serão liberadas ou sejam viáveis diante da realidade da Pampulha. Em relaçãoà liberação da pesca, por exemplo, isso dependeria de análises da qualidade sanitária do pescado. No caso de esportes náuticos, seria preciso definir raios de percurso para eventuais passeios turísticos de barco, além de horários, quem vai explorar o serviço, etc.

 

A que setor da PBH cabe definir tais regulamentações?
Em ambos os casos, dependeremos de regulamentações cuja atribuição não cabe à Secretaria de Obras, mas sim à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Acredito que o primeiro grande desafio - e também a prioridade do momento - é atender ao anseio da população de BH, no sentido de termos uma Pampulha ambientalmente adequada para a cidade. Isso, claro, dentro dos parâmetros que se espera para um lago urbano, ou seja, cuja qualidade de água seja compatível com o turismo de lazer contemplativo, que não exale maus odores e esteja livre de assoreamento/ acúmulo de sedimentos, etc. Atualmente, estamos numa etapa na qual ainda percebemos muitas oscilações de qualidade da água.

 

De que tipo?

Oscilações que são consideradas normais e têm interferência direta sobre a qualidade da água, como o longo período de estiagem que enfrentamos até o fim de setembro. Foram mais de 100 dias sem cair uma gota de chuva em BH. A estiagem provoca aumento considerável da concentração de poluentes na Pampulha. Com menos água, há menos diluição e isso aumenta o nosso desafio de manter a qualidade da água equilibrada. No período chuvoso, a situação se repete, em função do fenômeno que chamamos de poluição difusa, que é o carreamento de toda sorte de poluentes, contaminantes, lixo e sedimentos para os tributários e, consequentemente, para a própria lagoa. Segundo dados da Sudecap, responsável pela limpeza do espelho d’água, são recolhidas diariamente cerca de 10 toneladas de lixo, durante o período de estiagem, e até 20 toneladas, no chuvoso.Esse acúmulo de lixo na Pampulha é problema que se arrasta há anos. A população tem sua parcela de culpa e a  manutenção/melhoria da qualidade da água também envolve metas sob a responsabilidade da Copasa.

 

Qual é a situação atual?

Infelizmente, boa parte da população não colabora. É preciso que todos nós, cidadãos, reconheçamos que também temos um papel a cumprir nesse processo de recuperação ambiental e hídrica da lagoa. É importante ressaltar ainda que 60% da bacia hidrográfica da Pampulha pertence ao município de Contagem.

Atualmente, temos grande convergência de interesse e de ações tanto em parceria com a Prefeitura vizinha quanto com a Copasa, que é a concessionária responsável pelo esgotamento sanitário nos dois municípios.  Do ponto de vista da infraestrutura, o esforço da Copasa tem se concentrado na expansão dos serviços de coleta e tratamento, evitando que os esgotos cheguem à lagoa.


O trabalho da PBH envolve algum projeto ou ação de comunicação e educação ambiental?

Sim. Finalizamos uma licitação e, em breve, assinaremos contrato com uma empresa que será responsável por implementar um plano de comunicação social e educação ambiental na Bacia da Pampulha. A ideia é criarmos canais e ferramentas de diálogo e conscientização efetivas, para que poder público e população possam caminhar juntos, na mesma direção. Sabemos que cada segmento tem o seu papel nesse processo de recuperação e de cuidado com a lagoa. O aporte financeiro, que envolve investimentos de cerca de R$ 30 milhões é obviamente essencial, mas não resolve sozinho a questão. Manter a qualidade de um lago urbano, como a Pampulha, é desafio permanente.

Ela precisa ser cuidada como cuidamos das nossas casas, pois depende de ações de limpeza, manutenção e investimentos na ampliação dos sistemas de esgotamento sanitário que terão de ser mantidos para sempre.

 

E em relação ao Programa de Recuperação Ambiental de Belo Horizonte (Drenurbs), lançado em 2001?

Alguns especialistas e ambientalistas criticam a PBH por priorizar intervenções meramente sanitárias ou de drenagem, em detrimento da recuperação ambiental e paisagística dos cursos d’água da capital. Tais críticas não procedem. Aliás, no mais recente Plano Municipal de Saneamento, criamos inclusive um indicador relativo à qualidade da intervenção feita nos cursos d’água de BH, batizado de Índice de Tratamento de Fundo de Vale (ITFV). Esse indicador hoje é de 0,76% e comprova que, na prática e com base em dados coletados entre 2008 e 2016, 76% das intervenções e obras em córregos, ribeirões etc. não envolveram canalização. Essa prática só é adotada em situações excepcionalíssimas, em áreas onde há ocupação já consolidada e muito adensada ou que representem risco para a população ribeirinha, por exemplo. Acredito que tão ou mais expressivo que esse percentual de 76% é o período em que a coleta dos dados foi feita.

Não estou, portanto, defendendo aqui a atual administração. Mas apresentando números atestando que, ao longo dos últimos oito anos, nas diferentes gestões que se sucederam, a PBH interveio e atuou em total consonância com as diretrizes do Drenurbs.

 

Considera que BH temndado bons exemplos e pode contribuir para o sucesso do 8ºFórum Mundial da Água, ano que vem?

Sem dúvida. BH é uma cidade privilegiada,do ponto de vistagestão das águas urbanas. Soude carreira da PBH desdee tive a oportunidade de assistirparticipar da implementação desólida política de saneamento emelhoria da qualidade ambiental e hídrica da capital, que envolveu avanços. Entre eles, a de um Conselho Municipal de Saneamento (Comusa), que foi regulamentado em 2003. Ele contaa participação de representantes da sociedade civil e se reúne mensalmente para deliberar sobre questões importantes para a cidade, a exemplo das discussões mensais que também mantemos com a Copasa.

É prazeroso e gratificante fazer parte desse trabalho. Olho para trás e me alegro com os avanços e conquistas. Ao pensar no futuro, sinto entusiasmo e esperança, porque sei que bons frutos ainda serão colhidos, como resultado de anos de coerência e trabalho, somados à adoção de novas tecnologias e ideias das nossas equipes. Felizmente, a PBH tem uma equipe de técnicos competentes e absolutamente comprometidos com o que fazem. Essa expertise praticamente elimina nossa dependência de consultorias externas, pois fica entranhada e agrega cada dia mais valor, conhecimento e experiência ao que fazemos no serviço público.

Saiba mais

Na próxima edição, confira a cobertura completa do seminário “Minas no Caminho das Águas”.
 

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