Segunda, 06 de novembro de 2017

“Não tem que desmatar mais para o setor crescer”

Bia Fonte Nova - redacao@revistaecologico.com.br



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"Pra que desviar recursos para áreas conflituosas de preservação ambiental e de indígenas na Amazônia, se já temos uma indústria mineral instalada nas Minas Gerais?"

Em depoimento à colunista Raquel Faria, do jornal “O Tempo”, o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e dirigente do Sindiextra, José Fernando Coura, foi contundente ao criticar a decisão federal de extinguir a Renca para aumentar a produção mineral no país. “Não tem que desmatar mais para o nosso setor crescer” – disse ele, indignado com a opção feita em Brasília (DF) de “Não tem que desmatar mais para o setor crescer” privilegiar a mineração na Floresta Amazônica e desprezar o estado de Minas Gerais, a mais antiga província mineral do país.

Conforme registrou Raquel, o líder minerador morou por 10 anos naquela região amazônica ainda coberta por florestas e habitadas por índios, onde trabalhou no Projeto Jari. Coura tem base, portanto, para considerar absurda qualquer exploração mineral ali: “Pra que desviar recursos para áreas conflituosas de preservação ambiental e de indígenas se já temos uma indústria mineral instalada no território mineiro para se desenvolver?”

Na sua visão, o Brasil deveria investir na infraestrutura e produtividade das operações já existentes, em Minas e outros estados, antes de sair abrindo novas minas, ainda mais na Amazônia. Coura lembrou que serão necessários muitos anos e recursos para extrair na Renca a produção da mineira Samarco, que poderia estar gerando US$ 3 bilhões/ano em exportações e permanece parada já há quase dois anos, desde o acidente da Barragem do Fundão, em Mariana.

Apontou mais à colunista: “A prioridade deveria ser a solução do caso Samarco. Que se puna quem tiver de ser punido, que se definam os danos a reparar e as exigências a cumprir. Mas a empresa tem que voltar a operar todo o seu potencial” – ele defendeu, lembrando que há vários outros projetosminerários de vulto esperando investimento no estado, tanto para a expansão de minas já existentes como para abertura de novas frentes. O Projeto Apolo, da Vale, em Caeté, aguarda há anos no papel.

No entanto, até hoje o governo federal não fez “nenhum gesto para Minas. Até hoje o  presidente Temer não se dignou a visitar, conhecer as nossas Minas Gerais do país”. Desde que deixou a presidência do Ibram, cargo que ocupou por cinco anos consecutivos em Brasília, Fernando Coura vem cumprindo sua promessa de unir, de maneira sustentável, a indústria mineral de Minas em defesa do setor e da economia do estado: “Deixei de ser brasileiro e voltei a ser mineiro” - concluiu, em tom de desafio. Sua posse recente, em BH, reconduzido ao cargo de presidente do Sindiextra, teve a presença de praticamente todos os empresários da mineração e da imprensa especializada.

 

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