Domingo, 09 de julho de 2017

Olhai os ipês da Savassi

Árvore que é considerada uma das mais populares e charmosas da capital mineira, ganhou a admiração e o apoio do Verdemar que, em parceria com o fotógrafo e produtor cultural Júlio Toledo, idealizador do Projeto Pédipê, lançou a campanha “Celebre o Ipê”

Hiram Firmino - redacao@souecologico.com



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Nova loja do Verdemar onde ocorreu o lançamento do projeto: acolhimento e difusão. Foto: Divulgação

Nova loja do Verdemar onde ocorreu o lançamento do projeto: acolhimento e difusão. Foto: Divulgação

Na manhã do último dia nove, lua cheia de julho - coincidindo com a circulação da Revista Ecológico - a rede de supermercados Verdemar pôs em prática o que havia anunciado em parceria com o Movimento Savassi Criativa, o Circuito Cultural Liberdade e a Secretaria de Esporte e Lazer de BH: convocar e ver as pessoas, em caminhada e abraço coletivo, abrirem suas retinas e corações para a irradiante floração dos ipês na capital mineira, antes mesmo da primavera.

Árvore considerada símbolo nacional, os ipês floridos sempre enobrecem a paisagem, seja ela urbana ou rural. De cores brancas, amarelas, rosas ou roxas, nessa época do ano as árvores perdem todas as folhas, como um modo de reter água enquanto setembro e as chuvas não chegam. Suas florações se iniciam no inverno por uma causa nobre da natureza: com o clima frio e seco, os ipês identificam um risco para sua sobrevivência. E, por isso, antecipam seu maravilhamento em formas e cores variadas. Há um ditado, inclusive, na roça, de que as chuvas só começam 25 dias após cair a última flor de ipê no chão seco e empoeirado.

E, justamente por ser uma das mais populares e charmosas árvores da capital mineira, os ipês ganharam a admiração e o apoio do Verdemar que, em parceria com o fotógrafo e produtor cultural Júlio Toledo, idealizador do Projeto Pédipê, lançou a campanha “Celebre o Ipê”.

O objetivo maior da causa, segundo Alexandre Poni, sócio-proprietário do Verdemar, é sensibilizar e fazer seus clientes e vizinhos, a população em geral, adotarem uma nova e ecológica forma de ver BH. Foi o que ele declarou emocionado, durante vernissage de lançamento do projeto em sua loja no bairro mais charmoso da capital:

“No fundo, o que nós e nossos parceiros queremos é valorizar a cidade onde moramos. Fomentar nas pessoas, através também da beleza da natureza, a reflexão sobre a causa ambiental e a mudança de nosso comportamento onde criamos nossos filhos. Os ipês são um espetáculo pronto para ser admirado. Basta erguer os olhos. E, uma vez admirados, receberão mais atenção e cuidado por parte da nossa sociedade”.

Poni ainda exemplificou: “Foi assim quando lançamos a campanha pela erradicação das sacolas plásticas. Levantamos essa bandeira e nossos clientes nos apoiaram. Agora, temos esse novo e belo desafio, inspirado na celebração do Hanami, que é quando a população do Japão sai às ruas para admirar a floração das suas cerejeiras. Quem sabe um dia, começando pela nossa Savassi, poderemos ver nossas crianças brincando com carrinhos de rolimã em praças seguras, mais cuidadas, arborizadas e coloridas?”

Essa mesma pergunta foi feita como provocação respondida pelo fotógrafo Júlio Toledo, autor do Projeto Pédipê (vide “Ensaio Fotográfico” a seguir), igualmente emocionado:

“Nestes dias de hoje, quando nos deparamos com a morte da esperança e dos valores diante de tanta tristeza e descrença, temos que lembrar e nos inspirar mesmo nos ipês. Eles nos ensinam, de maneira bela e verdadeira, que nada é permanente. A sua morte aparente, quando perdem as folhas de propósito, é justamente a hora do seu renascimento”. 

 

"É através das palavras que qualificamos as diversas expressões do olhar: de contemplação, respeito, admiração, entre outros. Todas são expressões que qualificam os olhares nos diferenciando uns dos outros, tornando o mundo um lugar de contemplação. Valorizar esses olhares faz com que prestemos mais atenção ao nosso redor. Contemplar é o olhar religiosamente, é ater-se às emoções."

Alfredo Bosi, autor de "O Poder do Olhar" 

 

 


Leia mais:

O pédipê encantador de Júlio Toledo 

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