Domingo, 09 de julho de 2017

Compromisso e contradição

Cartilha distribuída pela Femsa elenca as medidas sustentáveis que lhe fizeram obter o licenciamento ambiental. Mas se contradiz nos itens “verde” e “fauna”

Hiram Firmino - redacao@souecologico.com



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No fundo que divisa a fábrica: irrisórias e abandonadas mudas. Foto: Ecológico

No fundo que divisa a fábrica: irrisórias e abandonadas mudas. Foto: Ecológico

Confira, a seguir, quais são os compromissos mais significativos assumidos junto à Semad. E os apontamentos feitos pela Ecológico:

- Reciclagem dos resíduos gerados, reaproveitamento e reúso da água pluvial. E tratamento dos efluentes líquidos para utilização nas dependências sanitárias e na irrigação das áreas verdes.

- Eficiência energética por meio de motores de alto rendimento, sistema de iluminação com ajuste da intensidade da luz e sensores de iluminação com células fotovoltaicas para aproveitar a luz do sol.

- Redução do consumo de energia por meio de aberturas na cobertura da fábrica (claraboias que permitem a entrada da luz durante o dia).

- Uso de equipamentos certificados por empresas que se preocupam com a sustentabilidade.

 

Nota da redação: A última medida apresentada na cartilha é “Desenvolvimento da fauna e flora nativa por meio da criação de planos de enriquecimento ecológico com as espécies da região”, justamente o que a Ecológico não comprovou ou foi demonstrado. Pelo contrário, a empresa ainda defende a tese de que não se pode mexer nem enriquecer a flora local. Por que apenas mantê-la pobre ambientalmente? É o questionamento ainda ecoante dos ambientalistas.

 

“Impactos e Ações”

Com este mesmo título, quando da inauguração da fábrica, a Femsa fez circular publicamente outra cartilha, reafirmando que cumpriu as exigências estabelecidas pelo governo estadual no processo de licenciamento ambiental do empreendimento:

- Reaproveitamento da água e efluentes líquidos: instalação da Estação de Tratamento de Água (ETA) e encaminhamento dos efluentes líquidos para a Estação de Tratamento de Efluentes Industriais e Sanitários (ETE).

- Monitoramento da poluição do ar: controle das emissões e instalação de um sistema de cogeração para aproveitamento dos gases do processo industrial na produção de gás carbônico (CO2).

- Controle da poluição sonora: instalação das linhas de envase e equipamentos mais ruidosos em espaços fechados e isolados acusticamente.

- Reaproveitamento de resíduos sólidos: garantia da reciclagem de mais de 90% dos materiais utilizados. Incentivos da coleta e reciclagem de embalagens pós-consumo por meio de investimentos em cooperativas locais.

- Preservação dos cursos d’água: monitoramento constante da qualidade das águas do entorno do empreendimento.

- Manutenção do solo: conservação e recuperação das áreas verdes do entorno.

 

 

 

SOLOS FERRUGINOSOS já agredidos pela presença humana e contíguos às matas naturais protegidas por lei: sem esperança de revitalização. Foto: Ecológico

 

Em tempo: conforme a Ecológico testemunhou, as áreas verdes naturais conservadas pela empresa na unidade de Itabirito (MG) são poucas. Na sua maioria, trata-se de algumas manchas de matas de galeria em meio a um ambiente bastante antropizado. O mesmo pode ser dito em relação à anunciada recuperação do verde à sua volta. A empresa não plantou nem fez praticamente nada em termos de recomposição arbórea para enriquecer e alimentar a flora e fauna locais. Apenas mantém, também sem qualquer custo, tal como encontrou, um cenário desolador de solos ferruginosos e capim gordura. Portanto, ao falar que, com 65 mil m2 de área construída, a maior “fábrica verde” do Sistema Femsa só ocupou um quinto de todo o terreno adquirido, os outros quatro são só de verde. Um verde pobre e aparente, desfigurado pela ocupação humana. 

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