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Segunda, 05 de junho de 2017

O campo na cidade

Projeto sustentável da startup brasileira BeGreen transforma área externa de shopping da capital mineira em uma fazenda urbana



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A Fazenda Urbana da BeGreen no Shopping Boulevard, em BH: estímulo à alimentação orgânica. Imagem: Divulgação

A Fazenda Urbana da BeGreen no Shopping Boulevard, em BH: estímulo à alimentação orgânica. Imagem: Divulgação

Imagine como é a trajetória de uma alface até chegar ao prato do consumidor final. Cultivada em uma grande fazenda, a alface convencional é colhida e armazenada de forma incorreta para então ser transportada por centenas de quilômetros em um caminhão, no qual outros pés ficam pelo caminho, até chegar a um centro de distribuição. Só então ela será entregue a uma feira ou supermercado e ficará à disposição do cliente final.

Tamanho desperdício tem origem na estrutura da cadeia de suprimentos agrícolas brasileira, que faz com que os alimentos só cheguem à mesa do consumidor, na melhor das hipóteses, dois dias após serem colhidos. Além disso, o excesso de transporte e baldeações entre os diversos elos da cadeia aumenta ainda mais o desperdício. Essa complexa cadeia de suprimentos, além de prejudicar a qualidade do produto final, também impacta no valor total pago pelo consumidor.

Agora imagine se a alface tivesse sido cultivada bem ao lado da casa de quem vai consumi-la? Esta é a proposta da startup BeGreen: cultivar novas experiências, fazer uma produção sustentável e não prejudicar o meio ambiente. Essas também são algumas das premissas que sustentam o conceito de “fazenda urbana”, que possui poucas unidades em todo o mundo.

E é por meio de uma parceria inédita entre a BeGreen e o Boulevard Shopping que BH agora tem a primeira Fazenda Urbana da América Latina. Trata-se de um espaço inaugurado em 11 de maio último, na área externa do shopping, para a produção de hortaliças sem agrotóxicos por meio de um sistema inovador de cultivo em consórcio com a criação de peixes.

Além disso, traz um conceito alicerçado na sustentabilidade e na produção em consórcio de peixes e hortaliças. Não haverá emissão de gás carbônico, pois o consumidor final vai adquirir os produtos da fazenda in loco, sem serviços de logística e entrega.

A Fazenda Urbana da BeGreen ocupa uma área de 2.700 m², com uma estufa de 1.500 m² e capacidade para produzir até 50 mil pés de mini-alfaces, temperos e ervas por mês. Além da estufa, o Projeto contemplará o primeiro hortifrúti de produtos agroecológicos e locais de Belo Horizonte e um restaurante de alimentação saudável pioneiro no conceito “farm to table” no Brasil.

Pedro Graziano e Giuliano Bittencourt: resgatando e conectando o homem ao campo. Foto: Divulgação

 

Parque da vida saudável

O local será um verdadeiro parque de diversões para quem segue uma vida saudável e terá uma série de benefícios para os visitantes. No espaço, além de operar a primeira fazenda urbana do Hemisfério Sul, o projeto irá produzir, mostrar, conscientizar e distribuir seus produtos diretamente ao público consumidor.

“Nosso principal objetivo é demonstrar que é possível ser sustentável e produtivo gerando mais empregos, menos lixo e sem prejudicar o meio ambiente. É um projeto inovador, que segue um movimento global que aproxima a produção do consumidor final. Aqui na BeGreen, teremos a produção e o consumo num mesmo local e o consumidor saberá a procedência de tudo que está consumindo”, explica um dos idealizadores do projeto, Giuliano Bittencourt.

“Os centros urbanos estão crescendo muito rapidamente e a pressão urbana de grandes cidades tem empurrado os cinturões produtivos para cada vez mais longe do centro consumidor. Com uma distância cada vez maior, o preço dos alimentos sobe e a qualidade despenca. É por isso que a BeGreen iniciou esse movimento no Brasil – vamos resgatar e reconectar o homem ao campo, aproximar as pessoas de seus alimentos. E trazer, acima de tudo, conscientização às novas gerações”, completa o sócio cofundador Pedro Graziano.

Na fazenda, além do cultivo de hortaliças e legumes, outros produtores locais poderão vender seus produtos agroecológicos. “A intenção é que aconteça um comércio justo para os produtores e clientes que procuram por alimentos saudáveis, frescos e locais. O frequentador da BeGreen terá a oportunidade de ter uma alimentação mais saudável, com garantia de procedência, ao alcance das mãos sem precisar sair do shopping”, conta Paulo Ceratti, gerente de marketing do Boulevard.

E o projeto contempla várias ações integradas, como a realização de ações de conscientização de crianças e jovens de escolas públicas e privadas, e eventos e treinamentos de produção sustentável que pretendem atingir pelo menos um milhão de pessoas por ano. “Os visitantes terão a oportunidade de fazer visitas guiadas, comprar os produtos cultivados na fazenda e até consumi-los na hora”, acrescenta Paulo.

A sustentabilidade também fez parte da construção do espaço. O projeto primou por utilizar o mínimo de novos produtos, tendo como norte a reutilização de materiais. Para isso, toda a obra será feita de contêineres que virariam sucata; as mesas e cadeiras do espaço terão como matéria-prima a madeira plástica, que sofre um processo de transformação do plástico jogado fora; e todo o piso será feito com material de rejeito de mineração. 

A estrutura é um “parque de diversões” da vida saudável. Imagem: Divulgação 

 

Sete vantagens de uma fazenda urbana

1. Redução de custo de logística: os consumidores irão adquirir o produto diretamente do produtor, eliminando os custos e problemas de logística da cadeia de suprimento tradicional que atualmente representam 25% do preço final.

2. Diminuição de perdas: a Fazenda Urbana da BeGreen visa aumentar a vida útil das culturas e reduzir as injúrias sofridas pelos cultivos no transporte. Isso acarretará na redução significativa do desperdício.

3. Não utilização de agrotóxicos: segundo o Ministério do Meio Ambiente,
o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo há
sete anos.

4. Controle Inteligente de Variáveis de Cultivo (como pH, O2, CO2, iluminação, condutividade elétrica, umidade e temperatura): será possível reduzir os custos de cultivo e aumentar a taxa de produtividade.

5. Produção aquapônica: Cultivo integrado com peixes e hortaliças, com o objetivo de criar uma produção orgânica e aumentar o aproveitamento
de espaço.

6. Emissão Zero de Gás Carbônico: com a autossuficiência elétrica e a ausência de transporte logístico, a BeGreen produz 100% do seu cultivo com zero de emissão de gás carbônico.

7. Qualidade, sabor e frescor: com o produto colhido diariamente e entregue diretamente ao consumidor,
suas características são preservadas deixando-o mais saboroso e fresco.

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