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Segunda, 05 de junho de 2017

Água mobiliza ação conjunta

Maior evento hídrico mundial, que será sediado no Brasil, abre oportunidade para construir parcerias, fazer negócios e mostrar cases de sustentabilidade e esperança para o planeta e sua humanidade

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8° Fórum Mundial da Água será realizado de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília. Foto: Divulgação

8° Fórum Mundial da Água será realizado de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília. Foto: Divulgação

Minas Gerais, estado considerado a “caixa d’água” do país, segue empenhado em ser uma das grandes vitrines do maior evento hídrico global: o 8° Fórum Mundial da Água, que será realizado de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília (DF). Por meio de ações tanto de entidades ligadas à indústria, sob a liderança da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), quanto dos governos, o Estado onde nascem as mais importantes águas nacionais, fora a Bacia Amazônica, e a capital dos mineiros estão se mobilizando para mostrar exemplos de boas práticas e subsidiar as discussões do encontro, que deve reunir cerca de 60 mil representantes de mais de 100 países.

Durante seis dias, serão debatidas questões relacionadas aos recursos hídricos, tendo como missão promover a conscientização popular sobre a gestão das águas, construir compromissos políticos e também fomentar ações voltadas para a solução de problemas críticos nos diferentes setores.

E o incentivo à participação social, capitaneado em Minas pela Fiemg, é um dos grandes diferenciais da oitava edição do evento. Numa proposta pioneira, o Comitê Diretivo Internacional do Fórum criou, em seu site oficial (www.worldwaterforum8.org/pt-br), uma plataforma de consulta aberta chamada “Sua Voz”. Ela permite que cidadãos de todas as partes do planeta com acesso à internet – especialistas ou não no tema – compartilhem ideias, experiências, soluções e influenciem nas discussões do Fórum (leia mais a seguir).

A primeira das três rodadas de discussões previstas já foi encerrada. Ela teve início em fevereiro e se estendeu até abril, tendo recebido mais de 10 mil visitantes, que postaram cerca de 360 contribuições, vindas, por exemplo, de estudantes, de integrantes de comitês de bacias hidrográficas e de representantes de diferentes entidades brasileiras e estrangeiras. A segunda rodada de debates começou em maio e se estenderá até julho. E, a terceira, de agosto a outubro.

 

Engajamento empresarial

Ancorado no tema-geral “Compartilhando Água – Sustentabilidade”, o Fórum Mundial da Água ocorrerá pela primeira vez no Hemisfério Sul e será norteado por seis temas principais e outros três transversais. Os seis assuntos centrais, contidos na plataforma “Sua Voz”, estão divididos também em seis salas de debate: Clima, Pessoas, Desenvolvimento, Urbano, Ecossistemas e Financiamento.

“A Fiemg vem acompanhando todo esse processo participativo, mobilizando todo o setor empresarial a se engajar e articulando, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras Federações, uma série de ações conjuntas. Agora, encerrada a primeira rodada de discussão global, foi feita uma síntese do item ‘Desenvolvimento’ e destacadas algumas participações nos outros temas”, esclarece o consultor ambiental da Fiemg para o Fórum, Octávio Elísio Alves de Brito.

Segundo ele, o tema Desenvolvimento diz respeito à forma como os diferentes setores usam a água. Portanto, é considerado fator-chave para alcançar desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, justiça social e proteção dos recursos naturais.

Em Clima, é abordada a questão da água e das mudanças climáticas com foco na identificação dos riscos climáticos, na garantia da segurança hídrica e na proteção das pessoas e dos meios de vida. Para isso, foram definidos quatro tópicos, que pretendem abarcar as questões para discussão desse tema.

São eles: gestão de risco e da incerteza para resiliência e preparação para desastres; água e adaptação à mudança climática; água e mitigação da mudança climática e ciência do clima/gestão dos recursos hídricos. Com isso, contempla, por exemplo, o preparo e as adaptações necessárias para lidar com as inundações e secas cada vez mais frequentes e já observadas em diferentes cantos do planeta.

 

Segundo dados da ONU, mais de cinco mil crianças morrem, por dia, em todo o mundo, vítimas de doenças evitáveis relacionadas à água - Foto: Thomas Einberger/Argum/Greenpeace

 

Falta saneamento

No tema Pessoas, por sua vez, o acesso à água potável, apesar de ser um direito humano, ainda não é realidade para milhões de pessoas ao redor do mundo. Os debates estão centrados na falta de água/acesso ao saneamento e como ela ameaça diretamente a saúde e a dignidade humanas, principalmente entre as populações mais pobres.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de cinco mil crianças morrem, por dia, em todo o mundo, vítimas de doenças evitáveis relacionadas à água, enquanto 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de saneamento básico, como banheiros. Vale ressaltar, ainda, que a tarefa de garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e do esgotamento sanitário para todos integra os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 6), que devem ser mundialmente alcançados até 2030.

O viés Urbano das discussões do Fórum está associado à concentração da população nas cidades, o que influencia o consumo, a qualidade e a disponibilidade de água. O elevado percentual de pessoas vivendo em áreas urbanas sem infraestrutura e sem serviços adequados é um dos aspectos mundiais mais preocupantes.

O quesito Ecossistemas aborda o fato de a água – em quantidade e qualidade adequadas – ser fundamental para a manutenção da biodiversidade e subsistência tanto dos organismos e do ambiente físico e químico no qual vivem, quanto das pessoas. Quatro tópicos deverão se transformar em sessões temáticas e palcos de debates durante o encontro de Brasília. Entre eles, o manejo e a recuperação de ecossistemas para serviços hídricos e a garantia da qualidade da água doce das nascentes até os mares.

Finalmente, em Financiamento, o objetivo é alcançar a segurança hídrica, que depende do adequado financiamento público e privado para a sua infraestrutura e gestão. Também é crucial aprofundar o debate para melhorar o aporte de recursos destinados às tecnologias inovadoras, apoiando negócios com uso eficiente da água.

 

Benefício coletivo

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), entidade que coordena as discussões online do 8º Fórum Mundial da Água – em articulação com a Secretaria e demais instâncias organizadoras do evento –, os três temas transversais que nortearão as discussões de 2018 são: Compartilhamento, Capacidades e Governança.

O primeiro se baseia no fato de que toda água é compartilhada por diferentes regiões, governos, atividades humanas e grupos de pessoas. Sendo assim, a gestão e as decisões relacionadas ao seu uso e conservação devem envolver todos para a partilha equitativa de benefícios, soluções e adoção de boas práticas.

Capacidades tem a ver com fornecer aos usuários, governos, tomadores de decisão e pessoas ao redor do mundo a informação adequada, educação e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável e equitativo. Em Governança, o contexto é a água como tema transversal entre fronteiras, setores, grupos e níveis de governo. Por isso, abordar problemas hídricos integrando todos esses aspectos envolve a proposição de novas diretrizes, práticas, processos e decisões em benefício da coletividade.

Confira, a seguir, algumas iniciativas da Fiemg que podem contribuir para Minas e sua capital se destacarem no Fórum 2018 que se avizinha.

 

Seca no Nordeste brasileiro: sem água, morrem os animais e as plantas. Foto: Fernando Frazão

 

Sua voz

A plataforma ‘Sua Voz’, disponível em português e inglês para toda e qualquer cidade, empresa, cidadãos ou governos interessados, tem ferramenta de tradução para mais de 90 idiomas. Cada sala temática conta com três ou quatro moderadores, sendo ao menos um brasileiro. A ideia é levar para o evento de Brasília as contribuições de toda a sociedade, inclusive das vozes não ouvidas usualmente, já que a água está presente na vida de todos.

Realizado a cada três anos, o Fórum Mundial também tem como missão aumentar a importância da água na agenda política dos governos e promover o aprofundamento das discussões, em busca de propostas concretas para os desafios hídricos globais.

No Brasil – que concentra 12% de toda água doce do planeta – o Fórum é realizado e organizado pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente; pelo Governo do Distrito Federal e pelo Conselho Mundial da Água, com apoio da ANA e da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). Em Minas, as ações são capitaneadas pela Fiemg/Governo Estadual, com apoio da PBH e de instituições parceiras, como a Belotur.

As edições anteriores do Fórum ocorreram no Marrocos (1997); Holanda (2000); Japão (2003); México (2006); Turquia (2009); França (2012); e Coreia do Sul (2015).

 

 

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