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Quarta, 26 de abril de 2017

Recursos geotermais

Três perguntas para Valiya Mannathal Hamza, geofísico e pesquisador emérito do Observatório Nacional (RJ)

Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br



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Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Arquivo Pessoal

As águas de nascentes termais são usadas para terapias corporais e tratamentos de beleza. É correto afirmar que elas são naturalmente terapêuticas?

Há indícios de que banhos em águas de gêiseres podem contribuir para melhorias na pele, além de garantir sensação de bem-estar. Acredita-se que isso ocorra em consequência da ação de características químicas das águas sobre a pele. Obviamente, banhos diretos são possíveis somente em águas de gêiseres com temperaturas amenas (menor que 38ºC) ou de gás.

 

Quais sãos os principais elementos e/ou minerais contidos nas águas termais?

As composições químicas das águas termominerais apresentam variabilidade, sendo geralmente classificadas em classes aniônicos e catiônicos. No primeiro grupo ocorrem íons de bicarbonato, cloreto e sulfato. Pode ocorrer também, em quantidades menores, fluoreto, sulfato e sulfureto. No grupo de catiônicos as principais são: sódio, potássio, cálcio e magnésio. Além de boro, carbonato, fluoreto, ferro e nitrato, em menores quantidades. Com isso, as águas termais hidratam e revitalizam a pele, auxiliando na reposição de minerais perdidos pelo organismo.

 

A energia geotérmica, proveniente das camadas internas da Terra, é renovável, abundante e apontada como alternativa para conter o aquecimento global. O Brasil tem ações voltadas para seu uso, como aquecer a água de edifícios e sistemas de calefação. Que perspectivas o senhor vislumbra para o país nos próximos anos?

O território brasileiro se encontra situado numa região isenta de atividades magmáticas recentes. Os recursos geotermais identificados, em profundidades rasas (menores de 1.000 m), são do tipo baixa entalpia, ou seja, de conteúdo calorífico baixo. A melhor forma de aproveitamento desses recursos seria através do uso de bombas térmicas, para fins de aquecimento ambiental ou em processos agroindustriais. Recentemente, estudos realizados pelo Laboratório de Geotermia do Observatório Nacional indicaram a existência de recursos geotermais de alta entalpia em profundidades maiores que cinco quilômetros, em diversos locais no país. O aproveitamento desses recursos poderia ser, sem dúvida, uma das formas de conter os efeitos nocivos da queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. 

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