Terça, 25 de abril de 2017

Watec 2017 Caravana pelo deserto

Seminário Bilateral Minas-Israel aponta como a cooperação tecnológica entre os dois países pode transformar a gestão da água e o futuro, em particular, da mineração. E convida o setor para participar de um dos maiores eventos hídricos do Oriente Médio

J. Sabiá - redacao@revistaecologico.com.br



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Em 2050, mais de 60% da população mundial irá sofrer com a escassez de água de qualidade. A informação, divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), assombra e parece ser um cenário cada dia mais perto de se materializar. A única saída é uma integração maior, assertiva e eficaz entre os países pela boa gestão do recurso natural mais importante do planeta e também pelo desenvolvimento de tecnologias limpas.

Este também foi um dos pontos centrais destacados por Oded Distel, diretor do NewTech, Programa Nacional de Água e Energias Renováveis do Ministério de Economia de Israel, no “Seminário Minas–Israel Oportunidades e Soluções Sustentáveis em Mineração”, na Fiemg, em Belo Horizonte. O país, desértico e com recursos naturais escassos, buscou alternativas e tecnologias sustentáveis para a sua população com a pouca quantidade de água disponível.

“Israel recebe uma média de um bilhão de metros cúbicos de água de chuva por ano. Mas o nosso consumo anual é de dois bilhões. Se não fizéssemos a reutilização, não haveria água em nosso país”, afirmou ele.

Oded falou ainda sobre o sistema inovador de plantas dessanilizadoras implantado lá e da constante campanha de conscientização, principalmente entre as crianças, para que a sociedade continue economizando e mantendo a qualidade da água. “A água é uma prioridade nacional no Estado de Israel. Se não reutilizássemos, não teríamos agricultura. O reúso, mais a economia de água, é uma questão de mentalidade e de cultura”, ressalta. Hoje, a dessalinização, que é o processo de separação/retirada de sal da água do mar, responde por 750 milhões de metros cúbicos de água consumidos no país.

O diretor do Israel NewTech – que une startups, empreendedores, empresas, multinacionais, universidades, órgãos reguladores e desenvolvedores de políticas e investidores para a entrega de soluções inteligentes para desafios globais na área de tecnologia limpa – explicou ainda que a Tecnologia da Informação (TI) não é um setor específico da economia daquele país. Ele perpassa todos os outros segmentos, incluindo a mineração. E a TI pode ser uma aliada para a atividade minerária, que tem importância fundamental para a economia brasileira, continuar inovando.

“Tudo está mudando o tempo todo a olhos vistos. A TI está modificando as produções e contribuindo para aperfeiçoar setores como medicina e agricultura. Já estão sendo utilizadas tecnologias específicas para cada cultura e, assim, evitar o desperdício de água, por exemplo.”

Enquanto nos sistemas urbanos do mundo 25% da água é perdida antes mesmo de ser utilizada, e 90% de toda água residuária é rejeitada, lembra Oded Distel, Israel reutiliza mais de 70% de toda sua água consumida para a agricultura.

Desafio hercúleo

Marcos Mandacaru, Oded Distel e Maurício Neves: intercâmbio de experiências no uso e reúso sustentáveis do recurso natural mais valioso e ameaçado do planeta - Imagem: Sebastião Jacinto Jr

Marcos Mandacaru, responsável pelo Desenvolvimento Industrial da Fiemg, ressaltou que a questão da água é um desafio hercúleo para o setor de mineração. “O tema mineração-água nos move no sentido de trazermos parcerias internacionais para solucionar problemas que são de grande relevância para Minas e o Brasil. E um grande desafio para a competitividade da indústria que deu nome ao estado.”

Segundo ele, “Israel tem sido um parceiro de grande relevância por concentrar um grande número de empresas de alta tecnologia, seja em TI seja com soluções tecnológicas para a mineração. Recentemente tivemos a satisfação, juntamente com parceiros dos governos estadual e federal, de lançar com o Daniel Kolbar, no IETEC, a iniciativa ‘IOT for Mining’. Assim como o Rio de Janeiro tem o cérebro do petróleo, queremos que BH, por meio do BHTec, seja o cérebro da mineração”.

Marcos ressaltou, ainda, a posição de destaque de Minas Gerais na produção de minério: o estado é responsável por 100% da produção de chumbo, lítio e zinco do país. Noventa e cinco por cento da de prata. Noventa por cento da de nióbio. Oitenta e nove por cento da grafita e 69% da produção de minério de ferro. Sem contar os 53% do ouro produzido no país, mais 53% da produção bruta de diamantes e 50% da de fosfato. “Queremos que Minas Gerais traga oportunidades para as tecnologias gerais, que seja o ‘estado das Minas e das tecnologias gerais’. E Israel é um parceiro importante para nós. Estamos de portas abertas para receber as empresas israelenses para explorar os negócios de cooperação na área de pesquisa e desenvolvimento.”

Água no deserto

Já Maurício Neves, superintendente da Área de Indústrias de Base do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destacou que os projetos de inovação brasileiros e a parceria com Israel geram um grande potencial de desenvolvimento para o país. “O uso da tecnologia, somada à abordagem eficiente da sua aplicação e à difusão tecnológica, contribuirão para criar uma mineração sustentável e mais moderna. É hora de buscar a mineração 4.0, melhor sensoriamento e melhor aproveitamento de água, sem barragens”, defendeu ele, lembrando que projetos inovadores poderão receber maior alocação de investimentos pelo banco. 

Para Oded Distel, a indústria da mineração precisa também atrair mais talentos com capacidade de desenvolver e de implementar essas inovações. “Em Minas Gerais existem muitos talentos. Se conseguirmos engajar a indústria e o setor financeiro poderemos multiplicar as soluções tecnológicas”, diz ele, que finalizou sua participação no evento convidando o público para a Conferência “WATEC 2017”, que acontecerá em Tel Aviv entre 12 e 14 de setembro próximo, e que tem como tema as tecnologias hídricas e o controle ambiental. A ideia é reunir parceiros, autoridades, empresários e jornalistas brasileiros, em uma verdadeira “caravana pelo deserto”, para conhecer os exemplos sustentáveis de gestão e manutenção da água de Israel para replicá-los e multiplicá-los no Brasil.

 


Fique por dentro

Você sabia que produtos de Israel têm imposto de importação reduzido ou isento?

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel entrou em vigor em 2010 com o objetivo de eliminar as barreiras ao comércio de bens e de aumentar e diversificar as oportunidades de comércio entre os países. Desde a entrada em vigor do Acordo no Brasil, a tarifa aduaneira foi reduzida conforme a classificação da mercadoria. As demais reduções se darão no dia 1º de janeiro de cada ano subsequente, até que em 1º de janeiro de 2019 quase todos os produtos possuam isenção total do imposto de importação.

A cada ano, cerca de 700 empresas israelenses exportam um valor total de US$ 1 bilhão para o Brasil, distribuídos em cerca de 1.200 itens. Desse total, ¾ já obtiveram isenção do imposto de importação.


Saiba mais

www.fiemg.com.br

israeltrade.org.br

(21) 3259-9148

rio@israeltrade.gov.il

(11) 3095-3111

saopaulo@israeltrade.gov.il

watec-israel.com

 

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