Segunda, 24 de abril de 2017

Erva-de-Santa-Maria

Planta é cicatrizante, alivia as micoses e ameniza também o desconforto das picadas de insetos

Marcos Guião - redacao@revistaecologico.com.br



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Imagem: Marcos Guião

Imagem: Marcos Guião

Algumas plantas medicinais trazem consigo histórias impregnadas da cultura popular. É o caso da Erva-de-Santa-Maria (Chenopodium ambrosioides), também conhecida como mastruz lá mais no Norte e Nordeste brasileiros. Durante prosa solta no avarandado da casa de Chico da Mata, ele se alembrava dos seus tempos de criança quando “...mãinha fervia Santa Maria com leite e dava nóis pra tomá no sentido de livrá nóis das bicha. Aquilo era ruim sem base, só de vê o chero vorto lá na conzinha da fazenda. Mas nóis tratava de verme era dejeito...” A tradição diz que ferver a planta no leite pode transformá-la num vermífugo dos mais potentes.

Ele continuou a balançar na rede e, enquanto coçava a cabeça, as lembranças deram de brotar. “Teve uma vez que Guiomar de Antero arribou as perna pra cima num tombo abestado berando o fogão. Nisso o braço dela estralou e, na fadiga daquela dorada, acabou pegando um carro por conta e deu entrada na Santa Casa lá da cidade. Gente assim mais na idade deve de se cuidar mais, e os dotô puseram nela três pedaçico de ferro pra agarantir. Pois ela vortô pra casa e deu da banhar a ofensa com sumo de mastruz, além de tomá uns gulinhos vez por outra.”

Passado coisa de uns mês, ela deu retorno lá no hospital pra arrancamento dos pedaçico de ferro. Mas daí o braço se apresentou “verde” por dentro e por fora. Aquilo juntou de gente pra tentar limpar, mas quá! Ninguém entendia e nem explicava tamanho alarido, e Guiomar foi ficando desconfiada de que tinha um treco errado pela tanteira de médico arrodeando. Melindrada, indagou o motivo do furdunço e um dos dotô explicô que eles nunca tinha visto carne e nem osso ficar verde...

Aliviada, ela então explicou calmamente que “não é necessário fadiga, isso é derivado do suco das folhas da Erva-de-Santa-Maria batida com laranja que tomei pra ajudar encanar”. Foi um alívio geral, mas dos três pinos colocados teve um que tava tão garrado, que num teve jeito de retirá-lo. Ficou lá como prova de sucesso da encanadura da planta nas fraturas. Um dos médicos lhe perguntou como ela sabia disso e ela explicou: “Minha mãe fazia um emplasto e marrava as pernas das galinhas quando quebrava e elas recuperava loguinho. Quando saia uma galinhada, dava pra vê os pé delas verdinho, igual meu braço...”

Andei dando uma olhada em outras fontes e vi que ela é cicatrizante e alivia as micoses, amenizando também o desconforto das picadas de insetos, combatendo ainda piolhos e pulgas. Mas é necessário cuidado no seu uso interno devido à presença de um ativo, o ascaridol, que tem potencial tóxico quando utilizada em excesso ou por muito tempo. Os sintomas da intoxicação vão de náuseas até convulsões. Portanto, usar pode, mas com bom senso.

Inté a próxima lua!

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