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Quarta, 22 de março de 2017

Donald Trump, MGS e os parques estaduais

Concurso destinado aos guarda-parques de Minas incita polêmica sobre questões pedidas aos candidatos

Maria Dalce Ricas * redacao@revistaecologico.com.br



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Enquanto a MGS não tem nem data para convocar os candidatos aprovados no concurso, os parques do Estado ficam à mercê de novos incêndios - Imagem: Amda

Enquanto a MGS não tem nem data para convocar os candidatos aprovados no concurso, os parques do Estado ficam à mercê de novos incêndios - Imagem: Amda

Grande parte dos guarda-parques do Estado são pessoas humildes que nasceram e cresceram em comunidades próximas aos parques. Muitos mal frequentaram escolas. Mas é comovente e envolvente ver a dedicação delas a essas áreas. Paixão pelos rios, animais e florestas; garra inigualável no combate a incêndios; defesa incontestável dos parques. E o salário, pouco acima do mínimo. Sequer recebem ajuda para transporte.

Até fevereiro, grande parte desses funcionários era contratada pela empresa Cristal, cujo desempenho foi marcado por inúmeros problemas. Diante disso, a Semad optou por realizar concurso através da MGS, empresa pública que contrata expressiva parte de funcionários públicos no Estado. Até aí tudo bem, apesar de os gerentes dos parques terem sido alijados completamente do processo.

Mas, na MGS, as pessoas responsáveis pelo processo seletivo nem sabem o que são parques e nem como funcionam. Se sabem, não se importam com eles. E talvez nem queiram saber. Cumprem sua função feito robôs programados, isentos de emoções.

Tomando como exemplo provas de outros concursos, a Amda alertou e solicitou, tanto à Semad e ao IEF (responsável pelos parques) quanto à própria MGS, que as questões das provas deveriam ser voltadas à realidade local, onde vivem essas valiosas pessoas. Inútil! A prova, realizada no dia 05 de março, teve questões como:

“- Assinale a única palavra que NÃO pode ser classificada como adjetivo: a) grisalha; b) xadrez; c) azuis; d) jeans.”

“- Um recipiente estava com 6 litros de água e foram retirados o equivalente a 12 copos de 300 mililitros de água do recipiente. Nessas circunstâncias, o total de água, em mililitros, que sobrou no recipiente foi:  a) 1.400; b) 3.600; c) 2.400; d) 2.600.”

“- Marque a opção correta: Donald John Trump pertence ao: a) Partido Cristão; b) Partido Conservador Anglicano; c) Partido Republicano; d) Partido Democrata.”

“- Assinale a alternativa que NÃO trata de um aplicativo comum de rede social: a) Juniper; b) Twitter; c) Facebook; d) Google+.”

O que diabos têm a ver Donald Trump, aplicativos, medida de água em mililitros e adjetivos com o desempenho dos guarda-parques? Por que não perguntaram aos candidatos sobre a função das Unidades de Conservação? Ou sobre a fauna que neles habita? Ou sobre os rios que suas florestas protegem, sua importância ambiental, turística, educacional...

As questões mostram a estupidez que tomou conta de grande parte da administração pública neste país, que virou um monstro que vive somente para si, independentemente da realidade e de quem paga seus salários. Compromisso com resultados e benefícios? Que isso! Não nos insulte. Afinal, o que lhes importa se os parques perderem seus defensores? Se suas ridículas questões deixarão de fora funcionários que dedicaram a vida aos mesmos?

Se a Semad ou o IEF tentaram que as provas fossem elaboradas pensando no bem dos parques, perderam seu tempo. Ou... não tentaram! A irresponsabilidade é tanta que, segundo a MGS, não há data para convocar os que forem aprovados. Enquanto isso, os parques estão à mercê de incêndios e outras ameaças. Ó Minas Gerais! Que vergonha!
Que tristeza... 

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