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Quarta, 22 de março de 2017

Nas águas da informação

Confira a Carta do Editor da Revista Ecológico, edição 96, Especial Dia Mundial das Águas

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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Imagem: Divulgação

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“É pau, é pedra, é o fim do caminho”, já cantavam Elis e Jobim nas águas de todos os marços. E a gente, a partir do Brasil, costumava ter - e temos até hoje - uma visão pessimista das coisas. Achamos que tudo já está perdido, que o planeta acabou e sua humanidade também. E seguimos todos juntos, com a natureza e a nossa qualidade de vida perdidas.

Felizmente, não é bem assim. A realidade social, política e ambiental, que temos no Brasil e vem nos envergonhando mundo afora, não é a regra. Pelo menos em Lisboa, Portugal, a nova e ecoturística porta de entrada da Europa. Foi o que a Ecológico testemunhou.

Primeiro, não se vê mais um toco de cigarro, lata ou papel no chão (na maioria das vezes até encerado) da capital lusitana. Os motoristas de táxi ou de Uber são uníssonos ao afirmar que praticamente não existe perigo de assalto nem de morte em seus becos e ladeiras.

Semelhante a BH, Lisboa, mesmo sendo construída sobre sete colinas, tem metrô de fora a fora e ruas apinhadas de gente onde passam, juntos, carros e bondes elétricos. Nas principais rodovias que cortam o país também não se vê ônibus nem caminhões pesados. É tudo, cidadãos e mercadorias, utilizando o mais ecologicamente correto transporte ferroviário sem poluição.

E a última novidade, de sete anos pra cá: em vez de fazer como no Brasil, diminuir cada vez mais os jardins e canteiros centrais para ter mais tráfego e velocidade, os nossos descobridores estão em outra. Eles fazem justamente o contrário, como seus países vizinhos mais civilizados. Quebram o excesso de asfalto e cimento de suas ruas. Alargam os canteiros e praças justamente para plantarem mais árvores e terem mais bancos, sombras e flores.

E foi no seu Oceanário, um dos aquários mais visitados do mundo, à beira do Tejo, próximo à Torre de Belém, de onde Cabral partiu com suas três naus, e nos descobriu, por acaso, que a esperança se renova. E ela se chama Educação Ambiental.

Cada cidadão, criança, ou adulto que passa por ali, após ser educado, através do maravilhamento do mar e de seus habitantes, já não é mais o mesmo. Com tamanha, lúdica e jornalística informação ambiental, não há como negarmos que a vida de todos nós nasceu no mar. E pode acabar, muito mais cedo que imaginamos, por culpa única e exclusiva do homem, o animal mais predador que já existiu na face da Terra.

Esperança renovada? Haverá tempo para essa mudança de consciência e de atitudes? A única resposta ou certeza que temos, caros leitores, anunciantes e apoiadores parceiros, é que a nossa Revista Ecológico está no caminho certo. Ao final da visita ao imenso aquário, onde a figura de um sapo surge no painel querendo pedir alguma ajuda para o Rio Doce, a gente vê que, mesmo sonhadores, não estamos sozinhos. Nossa missão se confunde tanto com a do Oceanário de Lisboa quanto da ONG WWF, vide seu urso panda, nos convidando para estarmos juntos. 

A gente se lembra da missão da Ecológico (vide box na página ao lado). E lê a deles: “Promover o conhecimento dos oceanos, sensibilizando os cidadãos em geral para o dever da conservação do patrimônio natural, através dos seus comportamentos”.

Não estamos mesmo sozinhos. Feliz e esperançoso “Dia Mundial da Água”, apesar do fracking (fraturamento hidráulico para extração de gás de folhelho) - codinome destruição - nosso assunto de capa, estar querendo degradar o solo, o ar e as águas do Brasil. Não ao fracking! Sim à vida!

Boa leitura!

 

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