Terça, 14 de fevereiro de 2017

Caminhos do Vale

Programa socioambiental da Usiminas doa produto beneficiado para prefeituras que desenvolvem iniciativas socioambientais

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VIAS PAVIMENTADAS na região de Santana do Paraíso (MG): solução sustentável para o agregado siderúrgico

VIAS PAVIMENTADAS na região de Santana do Paraíso (MG): solução sustentável para o agregado siderúrgico

Por muito tempo, o agregado siderúrgico – resultante do beneficiamento da escória de aciaria e oriundo do processo produtivo da indústria do aço – era destinado principalmente para grandes projetos de pavimentação rodoviária e ao aterro controlado. Uma mudança de paradigma transformou esse material, por meio da segregação e beneficiamento, em coprodutos com diversas aplicações em mercados como agricultura, cimento, lastro ferroviário, construção civil e reciclagem interna.

O programa “Caminhos do Vale”, da Usiminas - que lhe valeu o reconhecimento como “Melhor Projeto de Parceiro Sustentável”  na última edição do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade” -, viabiliza a pavimentação de estradas rurais no Vale do Aço a partir desse agregado. A iniciativa já aplicou mais de um milhão de toneladas utilizadas em cerca de 600 quilômetros de estradas rurais, na restauração de 50 quilômetros de vias urbanas e na recuperação de 35 pontes, encostas e áreas degradadas.

Ao todo, o projeto de coparticipação socioambiental – uma das ações desenvolvidas por um grupo de trabalho (GT Coprodutos) que envolve diversas áreas da empresa – já beneficiou mais de 500 mil pessoas desde o início das doações, em 2015. O destino do agregado siderúrgico produzido na Usina de Ipatinga são os municípios da região que atendem a uma série de requisitos socioambientais, econômicos e estruturais definidos pela Usiminas.

“Temos a preocupação de nos certificar e aprovar, por meio de critérios como investimentos em projetos nas comunidades, infraestrutura de equipamentos, além de recursos humanos, financeiros e técnicos, que as prefeituras irão garantir a correta aplicação do agregado doado”, afirma Roberto Maia, diretor-executivo da Usina de Ipatinga.

Roberto Maia: "As prefeituras irão garantir a correta aplicação do agregado doado" -  Imagem: William de Paula

Mapeamento

De acordo com Henrique Hélcio Eleto dos Santos, coordenador do GT Coprodutos da Usiminas, foram mapeadas 57 prefeituras para receberem o agregado siderúrgico. Dessas, cinco foram escolhidas inicialmente: Ipatinga, Santana do Paraíso, Coronel Fabriciano, Timóteo e Marliéria. Neste ano, esse número deverá ser ampliado para 17 municípios. “As prefeituras que não foram contempladas nessa primeira fase foram incentivadas a melhorar ou instituir um programa de gestão ambiental e a promover iniciativas socioambientais, como a recuperação e proteção de nascentes, plantio de árvores, cuidados com a fauna e flora, entre outras ações”, explica Henrique.

Em Marliéria, foram oito nascentes e diversas áreas degradadas recuperadas, 169 nascentes mapeadas e um curso de recuperação e proteção de nascentes implementado para a comunidade, em parceria com o Senar Minas (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). O objetivo é promover a consciência ambiental no uso dos resíduos. Entre as iniciativas em Santana do Paraíso, um programa de educação ambiental foi implementado nas escolas do município, com a proposta de conscientizar os estudantes sobre a correta disposição de resíduos, uso racional da água e conservação de áreas de preservação permanente. Outro projeto instituído, o Horta Municipal, envolve a comunidade, em parceria com a prefeitura, na alavancagem da economia local por meio da melhoria na logística e distribuição de produtos rurais. Além disso, o projeto promove a doação dos alimentos produzidos aos lares de idosos e à população carente do município.

Agregado de minério

O agregado siderúrgico pode ser transformado em coprodutos a serem aplicados em segmentos como agricultura e construção civil

Para Henrique, o Programa Caminhos do Vale proporciona às comunidades envolvidas maior conforto, segurança e mobilidade. “Com a pavimentação, evita-se o isolamento que ocorria devido à precariedade das estradas no período chuvoso. As melhorias realizadas nas vias rurais possibilitam um acesso rápido e fácil dos moradores das comunidades às sedes dos municípios, ampliando significativamente a assiduidade dos alunos nas escolas rurais. Em Marliéria, o acesso escolar, que era de 77% em 2014, subiu para 100% no ano seguinte, após as obras de pavimentação realizadas por meio do programa.”

Já para a Usiminas, o Programa Caminhos do Vale superou as expectativas em relação à promoção da preservação ambiental e ao desenvolvimento social, proporcionando destinações sustentáveis aos resíduos gerados no processo industrial, reduzindo o descarte do coproduto em Aterros Controlados e otimizando estocagem e recursos financeiros. “A proposta do Grupo de Trabalho Coprodutos é consolidar novas aplicações, transformando o agregado siderúrgico em matéria-prima para o desenvolvimento de outros produtos como cimento, corretivo, fertilizantes agrícolas, artefatos de concreto e lastro ferroviário, entre outras possibilidades”, finaliza.

Henrique Hélcio (à esq.), com o Grupo de Trabalho Coprodutos: "As melhorias nas vias rurais possibilitaram acesso rápido e fácil dos moradores" - Imagem: Leonardo Galvani


Arte e sustentabilidade

Sabiá-laranjeira feito de agregado siderúrgico

Sabiá-laranjeira artesanal feito de agregado siderúrgico: do resíduo à arte - Imagem: André Firmino

Acostumada a fazer trabalhos artesanais com tecidos, a pedagoga, artesã e contadora de histórias Adriane Lima recebeu o desafio de criar arte a partir de um material inusitado: o agregado siderúrgico da Usiminas, que é originado do processo produtivo na Usina de Ipatinga. O convite foi feito pelo Instituto Cultural Usiminas como o ponto de partida para a realização de oficinas na última edição da Expo Usipa, feira de negócios realizada anualmente no Vale do Aço.

O objetivo era ensinar ao público maneiras criativas de transformar o material antes visto somente como rejeito industrial em arte sustentável. “Quis criar algo que unisse os dois universos, o da Usiminas e o de Ipatinga, que têm histórias interligadas. O bem natural mais reconhecido da cidade são os pássaros, muito presentes nos quintais das casas, especialmente o sabiá-laranjeira”, explica Adriane.

A artista mergulhou em um trabalho de pesquisa para desenvolver o pássaro artesanal, que utiliza retalhos de uniformes da usina, pó de agregado siderúrgico e o agregado em pedra, que serve de suporte para a peça. “Inicialmente, só usaria o pó para rechear o corpo do passarinho. É um material muito interessante, bastante moldável. Meu marido trabalha há 30 anos na Usiminas e me contou que o material existe também em forma de pedra. A partir daí, selecionamos as que tinham tamanho e formato adequados.”

Depois da realização da primeira oficina, que foi um sucesso de público, o sabiá artesanal criado por Adriane alçou voos maiores. “Faço parte da associação de artesãos de Ipatinga, a Casa do Artesão, e buscávamos algo que representasse a nossa ecologia urbana. O passarinho acabou sendo um passo importante nesse processo, principalmente por aliar símbolos conhecidos da população local”, afirma a artista. De acordo com Adriane, as peças têm sido cada vez mais solicitadas por familiares, amigos e moradores que querem presentear visitantes.

A diretora do Instituto Cultural Usiminas, Penélope Portugal, destaca a importância de se aliar sustentabilidade e arte. “Fazemos parcerias com artistas da região para levar à comunidade atividades lúdicas que utilizam o agregado siderúrgico como matéria-prima, como na pintura e na ilustração, por exemplo. Esse trabalho mostra que, com criatividade, é possível encontrar formas de reutilizar materiais gerados pela atividade da indústria do aço”, afirma a diretora.

Passo a passo:

Confecção de artesanato - sabiá laranjeira

Os retalhos dos uniformes usados pelos funcionários da Usina de Ipatinga são recortados de acordo com o molde do sabiá-laranjeira.

Os tecidos são costurados – exceto as asas, que serão coladas depois – e um furo é deixado para que o pó do agregado siderúrgico seja introduzido com a ajuda de um funil. Depois de o passarinho ser preenchido, o furo é fechado.

A pedra de agregado siderúrgico, já selecionada de acordo com o tamanho e o formato, é lavada e colada ao sabiá.

As asas recebem um produto para evitar que o tecido desfie e são coladas.

Penelope Portugal

Penélope Portugal: "Com criatividade, é possível encontrar formas de reutilizar materiais gerados pela atividade da indústria do aço" - Imagem: Elvira Nascimento

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