Quarta, 01 de fevereiro de 2017

#Bepush a la Fernando Pessoa

Roberto Francisco de Souza * redacao@revistaecologico.com.br



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A nova onda do império (ou será o imperativo da nova onda da internet?), que o douto eleitor escolha, é o #bepush. Pura presunção da minha parte, fui eu quem a inventou, mas não me penitencio. Tem tanta gente dizendo pra você: faça isso... faça aquilo... Sou só mais um na multidão.

Push, do inglês, é “empurrar”. Fica feio dizer isso: “empurre a escolha para o freguês”. Sejamos mais tecnológicos e, nem por isso, menos educados. O tecnicismo push significa ofertar algo através de um dispositivo, de um site, de um aplicativo, do que for.

Para uns é empurrar mesmo. Eu te entrego o produto que você não quer, trinta dias de graça, promessa de cancelamento automático e, nada disso acontecendo, por conta de sua desatenção, ó você pagando pelo que nunca comprou.

Vingo-me de ti, que mal me consideras, junto com Álvaro de Campos, um dos heteronômios do poeta Fernando Pessoa:

“Fiz de mim o que não soube,

E o que podia fazer de mim não o fiz.

0 dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara.”

Vingo-me assim, desmentindo! Meu push é honesto, é serviço, é escolha. Funciona assim: nesses novos tempos de robôs que falam e aprendem sobre mim, quero que meus fornecedores me conheçam e me ofereçam o que de melhor tiverem para minha escolha. As companhias aéreas sabem, e se não sabem, deviam saber, tudo de minha parte. Se viajo, trabalhando, quero sentar na frente, via de regra não tenho bagagem e o corredor é minha escolha. Se viajo em férias, despacho as malas, vai a família toda junta: vale o fundão, a turma do gargarejo, vale até o banheiro, todo mundo espremidinho.

Vai que eu queria então receber um push:

- Roberto, vimos que você vai viajar com sua família. São quatro com você, não é isso? Quer reservar os lugares 23A, B, C, E e F?

Só clicar! Só alegria!

#Prontoeuqueria!

Mas não é o que fazem! Entopem meu e-mail de ofertas que eu nem leio. Mas quando eu preciso deles, cadê?

Esses são tempos de ser #push, todo mundo tem que ser. Imagine você entrar no Netflix e, em lugar de sugestões, você poder receber ofertas de acordo com sua personalidade, seus gostos, o que você já viu, mas não o filme inteiro. Imagine você conseguir ver o pedacinho exato que vai te emocionar e servir pra você dizer: vou ver agora!

Imagine você entrar no supermercado e o carrinho dizer: “Boa noite, Roberto, você esteve com a gente no dia tal e comprou um bom vinho a um preço fantástico. Temos aqui uma oferta parecida pra você com desconto! Exclusivo!”. Aí você chega lá e vê que o desconto é só para você, de verdade, que não é o mesmo que estava no folheto e todo mundo podia comprar.

Sim, estamos em tempos de #push, mas precisa ser #push honesto. Dizem que os robôs vão tomar o lugar de muitos e que isso é muito perigoso... Eu, de meu lado, acho que perigoso é as pessoas usarem a tecnologia com desonestidade.

Eu, de meu lado, prefiro um robô honesto, fazendo push das coisas que eu gosto de verdade, a um vendedor humano me empurrando ofertas que eu nunca desejei comprar. 

Tech Notes

Brinque com o Watson TED e conheça  técnicas de PUSH para conteúdo

watson.ted.com

Faça esta pesquisa no Watson TED para aprender sobre escolhas:“What about having so many choices to buy so that you can not make a good choice?”. Basta entrar em watson.ted.com, logar com o Facebook e colar essa pergunta. Você vai aprender muito sobre escolhas...

(*) Diretor-geral da Plansis, vice-presidente do Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e diretor do Arbórea Instituto.

 

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