Quarta, 01 de fevereiro de 2017

O regresso americano?

Como disse John Lennon, "todos nós temos um Hitler dentro da gente. Mas também temos paz e amor". Qual é a sua, Donald Trump?

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br



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Eu me lembro, com gratidão, de quando conheci Ricardo Boechat, um dos profissionais mais conceituados do país, hoje âncora do Jornal da Band. Foi nas águas de março de 2002, dez anos depois da Rio/92. Ele era diretor de redação do Jornal do Brasil. E era com quem eu tinha de alinhar a estreia editorial da então revista JB Ecológico, ex-Estado Ecológico, do jornal Estado de Minas, cujo projeto levei mineiramente debaixo do braço. 

Nessa época, a opinião pública internacional estava boquiaberta com a postura anunciada do então presidente dos EUA, George W. Bush, que disputava, contra o ambientalista Al Gore, a mesma cadeira que Donald Trump já ocupa na Casa Branca, com apoio declarado da indústria petroleira.

Além de os EUA não ratificarem o Protocolo de Kyoto, Bush ainda se justificou com o mesmo nacionalismo errático de Trump, vide o que ditadores como Hitler causaram à humanidade e à própria Alemanha: “Somos, sim, o maior poluidor do mundo. Mas, se for preciso, vamos poluir ainda mais para evitar uma recessão na economia americana”

Ele ainda provocou a ira da comunidade científica internacional ao permitir, logo após ser eleito, a exploração de petróleo em diversos santuários naturais do Alasca.

Sem montanhas

Bélico nacionalista, Bush fez mais, tal como Trump também anunciou, atiçando o Estado Islâmico. Em resposta para o ataque ao World Trade Center, em 2001, ele fez mais que o terrorista Bin Laden. Vitimou civis inocentes, principalmente velhos e crianças no Afeganistão, mais pessoas que todos os americanos mortos nas Torres Gêmeas, naquele trágico 11 de setembro.

Tal como seu inimigo terrorista, o que Bush fez na natureza e no meio ambiente daquele país?

Simplesmente bombardeou e destruiu, reduziu a pó, durante dois meses seguidos, uma das paisagens mais exóticas e desconhecidas do planeta. E isso na virada de 2012, justamente o ano que a Organização das Nações Unidas (ONU) havia instituído como sendo o “Ano Internacional
das Montanhas”.

Alguém poderia perguntar, como publicamos na primeira JB Ecológico:

- Mas o Afeganistão, com uma vegetação e agricultura escassas, já não era um deserto? Os bombardeios americanos destruíram o quê?

Como se os 24 milhões de afegãos, desde a invasão soviética em 1979, comessem e bebessem só areia... Não plantassem, nem disputassem, palmo a palmo com as vacas e as cabras, o verde ralo que, teimoso, ainda nascia e era cultivado naquele solo ancestral degradado.

Segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, a estupidez ambiental de Bush foi além. Transformou-se na gota de veneno ideológico que faltava para entornar o mesmo copo de morte que hoje ameaça todo o planeta e sua humanidade, à mercê de outros terroristas que Donald Trump dispõe; vide o exemplo de Putin, amigo do ditador Bashar al-Assad, cuja guerra na Síria, em seis anos, já soma mais de 300 mil mortos, entre eles, 15 mil crianças.

Bush, em sua guerra antiterrorista, dizimou densas florestas e rios para desespero da população sobrevivente no Afeganistão. Além de 10 mil aldeias destruídas pela opção militar dos EUA, quando o ex-presidente suspendeu o despejo de bombas no Afeganistão, oito dos 10 rios que ainda sobreviviam à seca natural também morreram abruptamente. Isso sem falar das dezenas de represas e reservatórios d’água vazios que, mesmo pequenos, eram como uma miragem real para toda vida humana e natural daquele país.

JB Ecológico e Revista Ecológico - George W. Bush e Donald Trump

Reprodução da capa da JB Ecológico, em comparação com a Revista Ecológico: só acabou o ponto de interrogação

Voltando ao Boechat

Eu lhe mostrei, então, o projeto gráfico e editorial da primeira edição da JB Ecológico. Ele olhou as páginas já diagramadas. Viu, com os seus olhos de lince, o conteúdo sobre o Bush e me disse sem rodeios:

- Esse cara é um terrorista! Está aterrorizando a natureza e o futuro de todos nós.

- E quanto à capa? Perguntei-lhe.

- Ué, rapaz?!! Você está no Jornal do Brasil! Taca a cara grande dele, pra mostrar quem é o maior poluidor e inimigo público número um do planeta e da humanidade!

Quinze anos depois, agora com a Revista Ecológico, eu me lembro do mestre Boechat: seria Trump terrorista, uma versão piorada de Bush?

É o que você, caro leitor, cara leitora, pode conferir nesta nossa reportagem de capa sobre o novo e polêmico presidente do segundo país mais poluidor do planeta, atrás apenas da China.

Como disse John Lennon, “todos nós temos um Hitler dentro da gente. Mas também temos paz e amor”. Qual é a sua, Donald Trump?

Boa leitura!

Até a próxima lua cheia. 

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Comentários

Edu Vaz

Todos também temos 2 lobos dentro da Alma, sendo 1 bom é o outro mau, qual sobrevive?. Aquele que nós alimentarmos.


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