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Quarta, 14 de dezembro de 2016

Somos todos vencedores

A mente criativa da abertura das Olimpíadas Rio 2016 e a repórter do clima do Jornal Nacional foram os homenageados "top" da sétima edição da maior premiação ambiental do país

J. Sabiá - redacao@revistaecologico.com.br



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Já são sete anos reconhecendo projetos, instituições e personalidades engajadas na luta em prol da sustentabilidade. Mais de 900 inscrições e indicações, contemplando as cinco regiões brasileiras. Cento e vinte e nove premiados. E um objetivo: promover o amor e o respeito à natureza como premissa básica para uma melhor qualidade de vida.

A edição de 2016 do “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza”, com o tema “Mudanças Climáticas – Qual a sua Contribuição?” - foi além. De Minas para o Brasil, um lotado MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, no coração verde da capital mineira, pareceu pequeno para tantos exemplos sustentáveis. E, ao mesmo tempo, tornou-se grande para as manifestações sinceras, ecológicas e necessárias em favor do meio ambiente (leia mais a seguir) e do planeta.

O cineasta Fernando Meirelles, a mente criativa por trás da abertura das Olimpíadas Rio 2016, e a repórter do clima do Jornal Nacional, da TV Globo, Maria Júlia Coutinho (Maju), estavam entre os homenageados desta edição. Ambos, que não puderam estar presentes, enviaram vídeos de agradecimento e foram ovacionados pelos 300 convidados - incluindo empresários, autoridades e ambientalistas - que acompanharam a cerimônia no MM Gerdau.

“Tenho 60 anos e deveria estar me tornando uma pessoa mais tolerante, compreensiva. Mas estou me sentindo um adolescente. E cada vez mais fico irritado e revoltado quando vejo a quantidade de pessoas que ainda acha que vale a pena comprometer o nosso futuro, o futuro da humanidade, dos nossos netos, em troco de alguns dólares. O jeito de combater isso é com informação rigorosa e precisa, que é o que a Revista Ecológico faz”, afirmou Fernando Meirelles, vencedor na Categoria “Destaque Nacional”.

Já a jornalista Maria Júlia Coutinho, a “Personalidade do Ano”, reiterou que responsabilidade é a primeira palavra que vem em sua mente com a homenagem recebida no "VII Prêmio Hugo Werneck". “Responsabilidade em pesquisar, em refletir mais sobre mudanças climáticas, sobre os impactos do homem no planeta Terra. Muito mais que falar sobre as catástrofes, que a gente foque e preste mais atenção no amor à natureza. É através do amor que conseguiremos cuidar bem da nossa Casa Comum.”

Este convite ao amor foi ainda mais reforçado com a apresentação dos vídeos da campanha “A Natureza Está Falando”, da ONG Conservação Internacional. Lançada em 2015, a iniciativa visa inspirar a humanidade a promover o debate da importância do meio ambiente para o ser humano e conta com uma série de vídeos narrados por personalidades famosas, como Maria Bethânia, Gilberto Gil, Camila Pitanga e Thiago Lacerda. Neles, cada artista incorpora um elemento natural para transmitir a mensagem: “A natureza não precisa das pessoas. As pessoas precisam da natureza”.

Outro momento emocionante da noite aconteceu durante a homenagem prestada ao médium Chico Xavier, eleito “o maior brasileiro de todos os tempos” em uma votação nacional. Chico, que desencarnou em 2002, foi representado por sua sobrinha Maria Marta Xavier, acompanhada de Célia Diniz, presidente do Centro Espírita Luiz Gonzaga, de Pedro Leopoldo (MG).

Há mais de cinco décadas, Chico já alertava para a urgência de se evitar o aquecimento global. Sua revelação climática - que aponta 2019 como a data limite para as nações respeitarem as diferenças, evitar a III Guerra Mundial e, assim, deixar de destruir a natureza para viver em paz -, tornou-se um alento para a evolução espiritual da humanidade. E uma orientação máxima para o ser humano deixar de aquecer o planeta.

“Fico honrada em receber este  prêmio, que é para reconhecer uma pessoa tão linda e tão importante para todos nós aqui na Terra. Agradeço, com muito carinho, por toda a família Xavier”, afirmou Maria Marta, 80 anos.

A Revista Ecológico agora convida você, caro leitor, a rememorar conosco a premiada noite do dia 29 de novembro. Confira, a seguir, as mensagens ecológicas que marcaram o evento e conheça os vencedores e suas iniciativas, que merecem ser replicadas pelo Brasil e pelo mundo afora. Até a oitava edição, que terá como tema “O Planeta pede Paz”!

 


“Pelo desmatamento zero, dentro e fora da gente”

Hiram Firmino*

Jornalista Hiram Firmino durante o VII Prêmio Hugo Werneck

Hiram: "A nossa contribuição é premiar e reportar o Brasil e os brasileiros que têm soluções para o aquecimento global" - Imagem: Gláucia Rodrigues

“Meu último encontro com o ministro Sarney Filho foi em Brasília (DF), quando da ratificação do Acordo de Paris pelo governo brasileiro. Nesse dia, lembro-me de estar suando, por conta dos 31ºC, à sombra, que fazia na capital do país. Foi quando o Brasil se comprometeu, oficialmente, a reduzir as suas emissões de gases de feito estufa em 37% até 2025; e em 43% até 2030, tendo como parâmetro as emissões registradas no país em 2005.

Lembro-me bem das palavras do ministro, conscientes e esperançosas, registradas na penúltima edição da Revista Ecológico: ‘Nenhum assunto da atualidade requer maior transversalidade e coerência entre políticas econômicas, sociais e ambientais do que a questão do clima. O preço de nada fazermos em relação às mudanças climáticas’ - ele observou – ‘será muito alto para toda a humanidade, especialmente aqueles mais desassistidos. Serão justamente as pessoas mais pobres e vulneráveis, o que já vem acontecendo, quem mais sofrerão, se não agirmos com uma visão integrada ambiental, econômica e social para enfrentar esse problema’.

Lembro-me também das palavras de apoio à nossa luta em comum, feita naquela ocasião pelo ministro de Relações Exteriores, José Serra: ‘Estamos vivendo uma verdadeira revolução industrial menos dependente de combustíveis fósseis. O Brasil tem todas as credenciais para estar na vanguarda dessa revolução e dela obter resultados ainda mais promissores. Temos cerca de 75% de nossa matriz energética renovável, limpa. Somos campeões mundiais nessa matéria’. Serra se referia ao etanol como uma commodity bioenergética capaz de nos transformar, no contexto mundial, em uma economia de baixo carbono.

Cana Verde

Neste sentido, a sétima edição do Prêmio Hugo Werneck tem uma contribuição pragmática para levar ao governo brasileiro, através do ministro Sarney Filho (leia nas páginas seguintes).Ela é encabeçada pelo Fórum Nacional Sucroenergético, que engloba cerca de 400 empresas produzindo energia limpa e renovável entre os nossos vales e montanhas. E ainda planta cana-de-açúcar, sua matéria-prima, de maneira ambientalmente correta - também chamada de ‘cana verde’.

Este setor é estratégico tanto para o desenvolvimento sustentável do país quanto para a redução das emissões de gases de efeito estufa no planeta. E também ecológico, uma vez que, a exemplo de Minas Gerais e graças às tecnologias limpas, já eliminou o antigo e predatório método de queimar os canaviais, escurecer os céus e apagar as estrelas. Ele já reusa quase toda a água necessária em seu processo industrial. Reaproveita 100% de todos os resíduos que gera, a exemplo do vinhoto que já não polui os nossos rios e virou fertilizante natural. E por aí afora, até à volta dos animais silvestres em suas vastas áreas de cultivo hoje consorciadas com as áreas naturais que preserva.

Permitam-me ressaltar também outro assunto que o ministro José Serra lembrou naquele dia climático em Brasília. É sobre o desmatamento da Amazônia. Desde criança, mesmo morando no interior, sempre ouvi falar de três dados reais que sempre me entristeceram e que hoje ainda continuam sem solução. São eles: o baixo preço do litro de leite pago ao produtor. O baixo salário dos professores. E a Floresta Amazônica sendo devastada. Jogada ao chão e queimada governo após governo, desde que o único país do planeta com nome de árvore foi descoberto.

Desmatamento na Amazônia - A falta de água começa aqui - Greenpeace

A Amazônia, já destruída em 20% de sua área original, ainda não é prioridade pelo governo brasileiro - Imagem: Marizilda Cruppe

Maior desafio

Precisamos de alguma esperança! Quando e como conseguiremos implantar o desmatamento zero não apenas na Amazônia, mas em todo o nosso país? Uma nova esperança, que nos motive para continuarmos o bom e desigual combate! Tal como nos disse o ministro Sarney Filho, naquela manhã superaquecida em Brasília: ‘A mudança do clima é um dos maiores problemas da atualidade, o maior desafio do século. Mas é também uma oportunidade de colocar o Brasil no rumo certo de uma economia verde e limpa, que não deprede mais o verde de nossa bandeira. Uma oportunidade capaz de gerar empregos qualificados e disseminar uma cultura de respeito e integração ao meio ambiente. Um projeto que precisa ser encampado por toda a sociedade’.

Tal como nos fazem crer, in memoriam, as mensagens dos nossos dois ambientalistas, Chico Xavier e Hugo Werneck. Um da alma, outro do coração. Segundo Chico, por maior que sejam as dificuldades, como as continuadas na última COP em Marrakech, no Marrocos, mais o fenômeno Donald Trump, nos Estados Unidos, jamais devemos nos desanimar: ‘O nosso pior momento na vida é sempre o momento de melhorar’, dizia ele, irradiando perfume de rosas à sua volta.

Já segundo o mestre Hugo Werneck, ‘o planeta ainda tem jeito. Não podemos perder a esperança’.

É esta a mensagem maior do Prêmio Hugo Werneck neste ano, já considerado o mais quente da história humana sobre o planeta: desmatamento zero, ainda que tarde, fora e dentro da gente!”

(*) Diretor e editor-chefe da Revista Ecológico e coordenador-geral do Prêmio Hugo Werneck.


 

Os vencedores de 2016

1. Destaque Nacional

Fernando Meirelles, cineasta

 

2. Homenagem do Ano

Chico Xavier, médium espírita e filantropo

 

3. Homenagem Especial

José Sarney Filho, ministro de Meio Ambiente

 

4. Melhor Projeto de Parceiro Sustentável

Projeto Caminhos do Vale – Usiminas

 

5. Melhor Parceiro Sustentável

José Fernando Coura – SINDIEXTRA – FIEMG

 

6. Destaque Municipal

Projeto Re-Nascer, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Muriaé

 

Weber Coutinho, gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de BH

 

7. Melhor Empresa

Bio Extratus

 

8. Destaque Estadual

Programa Replantando Vida, Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae)

 

9. Melhor Exemplo em Inovação Ambiental

Sistema Vetiver, João Henrique Eboli

 

10. Melhor Exemplo em Resíduos

Projeto Ciclo Novo, Danone

 

11. Melhor Exemplo em Mobilização Social

Projeto Convivência com a Realidade Semiárida, Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS)

 

12. Melhor Exemplo em Flora

Programa Condomínio da Biodiversidade (ConBio), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS)

 

13. Melhor Exemplo em Biodiversidade

Projeto Sustentabilidade na Vereda, Oi Futuro/Instituto Biotrópicos

 

14. Melhor Exemplo em Fauna

Projeto Alunos do Médio Rio Doce numa Aventura com o Chauá, Aliança Geração Energia/Usina Hidrelétrica Eliezer Batista

 

15. Melhor Exemplo em Água

Projeto Mutirão de Reflorestamento da Cantareira, GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia

 

16. Melhor Exemplo em Educação Ambiental

Programa Limoeiro em Ação, Parque Estadual Mata do Limoeiro


 

Leia abaixo a história de cada um dos vencedores do VII Prêmio Hugo Werneck:

(Clique para ampliar)

 

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