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Quarta, 21 de dezembro de 2016

No mundo da Lua

Mais que embelezar o céu com as suas diferentes fases, nosso satélite natural também contribui para o equilíbrio ecológico da Terra. Saiba mais sobre o único lugar no espaço, fora da Terra, que o homem conseguiu colocar os pés

Cristiane Mendonça - redacao@revistaecologico.com.br



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A Lua tem quatro fases e sua gravidade influencia marés e o crescimento das plantas. E mais: no futuro, ela pode ser a segunda casa da nossa civilização  - Imagem: Shutterstock

A Lua tem quatro fases e sua gravidade influencia marés e o crescimento das plantas. E mais: no futuro, ela pode ser a segunda casa da nossa civilização - Imagem: Shutterstock

Inspiração para os poetas, objeto de estudo dos astrônomos, referência da passagem de tempo para os povos antigos. A Lua tem diferentes significados e é fonte de várias reflexões. Mas todas elas nos despertam a mesma indagação: como esse satélite natural foi formado e qual a importância dele para o planeta Terra?

Satélites naturais são corpos celestes que se movimentam em círculos, ou seja, orbitam ao redor de um planeta. A Terra possui apenas um: a Lua. Mas um corpo celeste pode ter mais. Júpiter, por exemplo, possui 67, dezenas já conhecidas e designadas com nomes interessantes, como Europa e Calisto.

A nossa Lua tem influência poderosa na manutenção da biodiversidade planetária e sua origem é intrinsecamente ligada à formação da Terra. A teoria mais aceita para o nascimento lunar é a da Agência Espacial Americana (Nasa). Acredita-se que um corpo do tamanho de Marte colidiu com a Terra há cerca de 4,5 bilhões de anos. Uma imensidão de detritos e rochas expelidas dessa explosão orbitaram em torno do nosso planeta, até se unirem e formarem, no decorrer de milhões de anos, o globo lunar.

Essa hipótese ganhou reforço quando a missão Apollo, primeira viagem do homem à Lua, em 1969, recolheu amostras de solo e rochas e detectou que elas eram semelhantes ao material encontrado na Terra.

Outro estudo mais recente, divulgado em 2015 e feito por um grupo de astrônomos do Instituto de Tecnologia de Israel, simulou colisões entre planetas. Os pesquisadores compararam a composição de cada orbe que sobreviveu ao impacto com a do corpo celeste que se chocou contra ele. O resultado dessas análises mostrou que de 20% a 40% dos corpos que impactaram tinham uma composição similar aos planetas com os quais colidiram. Tese que reforça a forma como o nosso satélite natural foi formado.

 

Influência

A Lua, nos seus primeiros anos de existência, estava muito mais próxima da Terra, o que significava uma influência ainda maior da sua gravidade em nosso planeta. Ao longo do tempo, ela foi se afastando e estima-se que se distancia a uma velocidade de 3,78 centímetros por ano da nossa Casa Comum.

Esse afastamento se deve à fricção entre a superfície da Terra e a gigantesca massa de água que paira sobre ela. O atrito faz com que, ao longo do tempo, nosso planeta gire um pouco mais lentamente sobre seu eixo. E à medida que a velocidade da Terra diminui, a da Lua acelera fazendo com que ela seja empurrada para fora.

O movimento lunar influencia nosso planeta de diversas formas. Porém, as mudanças são muito lentas e sutis. Para se ter uma ideia, as noites ficam mais longas conforme o satélite se distancia, mas isso representa apenas dois milésimos de segundo a cada século. Mas fiquem despreocupados: a Lua nunca vai “escapar” da Terra. Mesmo que ela continue diminuindo sua velocidade, irá girar na mesma velocidade em que orbita a Lua.

Atualmente, a orbe lunar está a 384.400 km de distância de nós. Isso significa que, entre a Lua e nosso planeta, caberiam 30 Terras.

Importância 

O que aconteceria se a Lua não existisse? Enquanto ela dá voltas em torno da Terra, ela puxa o planeta com sua gravidade. Sem a Lua, o planeta ficaria “frouxo” como um pião, que perde a força ao ser girado. Isso faria, por exemplo, que locais como as regiões polares ficassem mais expostos ao Sol. Ou seja, nosso clima seria caótico e provavelmente quase todas as formas de vida seriam diferentes. Talvez, nem estaríamos aqui para contar essa história. 

Em contrapartida, sua existência é referência para a prática de uma agricultura que leva em consideração hábitos ancestrais de plantar e colher, conforme as diferentes fases do satélite natural. Entre elas, a permacultura, uma forma de cultivar alimentos que se alinha não somente com a astronomia, mas também ao respeito das especificidades do solo, oferta de água natural e a simbiose existente entre diferentes plantas.

Outra influência da Lua se dá nas marés. Assim como a Terra atrai a orbe lunar, fazendo-a girar ao seu redor, a Lua também atrai nosso planeta, só que de um jeito mais sutil. O puxão gravitacional tem pouco efeito sobre os continentes, por serem sólidos. Mas afeta fortemente os oceanos, que são constituídos de água e possuem grande fluidez, produzindo as chamadas marés altas e baixas.

 


“Mulher” de fases

Fases da Lua

Conforme a Lua viaja ao redor da Terra ao longo do mês, ela pode ser vista de diferentes formas. Pelo fato de a orbe lunar não possuir brilho próprio, suas fases - Cheia, Nova, Crescente e Minguante - são resultado de um ciclo de aproximadamente 29,5 dias em que ela fica iluminada pelo Sol. A fase da Lua representa o quanto dessa face iluminada está voltada também para a Terra.


Carta Lunar

Colocar os pés na Lua ainda é privilégio de poucos. Mas, com uma Carta Lunar, podemos identificar as legendas que mostram os acidentes geográficos da orbe.

Carta Lunar


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Cinco perguntas para Amaury A. Almeida, Doutor em Astronomia e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP


 

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