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Quinta, 18 de agosto de 2016

Para compensar o maior acidente do mundo...

Bia Fonte Nova, Hiram Firmino, Jaburu e Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br



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Antonio Cruz/ABR

Antonio Cruz/ABR

A Revista Ecológico mantém sua mesma posição, demonstrada na edição anterior. Se o que aconteceu em Mariana, de responsabilidade tanto da Samarco quanto indiretamente do próprio Estado, omisso e sem capacitação técnica e humana de exercer seu papel fiscalizador, foi considerado o maior acidente do setor envolvendo derramamento de lama da história do planeta, a sua solução e/ou compensação tem que ter esta mesma dimensão de enfrentamento técnico e político.

Tem de envolver, como uma missão especial, vide o clamor social da população de Mariana e das centenas de empregados demitidos pela mineradora, todos os técnicos e instrumentos possíveis do Sisema. Para isso, a pretendida retomada do licenciamento e operação da Samarco, desde que com segurança, não podem mais serem vistas burocraticamente como outro projeto qualquer, sem distinção ou prioridade por parte do governo. Continuar na fila atrás de milhares de outros pedidos na Semad, sem previsão alguma de análise ou julgamento.

Para evitar o caos econômicosocial que se avizinha no mundo da mineração, o governo tem de mudar igualmente o seu olhar preconceituoso sobre a questão ambiental, a Semad e o Sisema. Instrumentos estes que os próprios e históricos ambientalistas ajudaram a criar, com luta, resistência e espírito parceiro. Ou seja, investir neles, e não contingenciá-los, significa geração de receita e segurança para a população cada dia mais assustada com o perigo de outras barragens se romperem.

Seria sustentável, enfim, os poderes executivos e legislativos tentarem ver que, em vez de problema e travadora do progresso econômico, mesmo com todo o seu abandono institucional, a Semad é a segunda maior pasta em arrecadação do Estado. E que, por isso mesmo, ela tem condições de se autogerir, corrigir e pagar todos os salários de seus servidores. E ainda sobrar dinheiro para investimentos, devolvendo quase a metade do seu faturamento no final do mês para o caixa único do Estado. Também, aceitarem que por atuarem em prol da natureza – que Hugo Werneck tanto amava e defendia – os funcionários do Meio Ambiente também são militantes públicos, e não apenas servidores de qualquer governo, saudosos de uma liderança legítima, capaz de guiá-los e defendê-los.

Sem essa compreensão, a situação só tende a piorar. A menos que Minas, ainda que tarde, mude o seu nome, sua vocação ou destino diante do grande sertão climático que se aproxima, sem veredas nem esperança no fim do túnel.

É tudo uma questão de escolha. Ou de ajuntamento e sobrevivência. Desde que sob a égide do “economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo”, que é o outro nome do desenvolvimento sustentável.

A hora é agora!

 


Confira abaixo a reportagem completa:

1. O fim (ou salvação) das Minas Geraes?

2. Para compensar o maior acidente do mundo...

3. “A Samarco voltará a ser referência”

4. “É preciso ter serenidade”

5. “A Samarco está fragilizada”

6. "Antes que a tragédia se esvaneça"

7. Minerodutos: o debate continua

 

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