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Sexta, 15 de julho de 2016

A favor do agronegócio

Empresas de base tecnológica estão revolucionando o segmento unindo inovação e sustentabilidade

Iaçanã Woyames - redacao@revistaecologico.com.br



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Imagem: Domínio Público

Imagem: Domínio Público

Parece algo retrógado, mas cerca de dois bilhões de toneladas de grãos e sementes produzidos anualmente ainda são analisados e classificados de forma manual. Esta análise usa critérios totalmente subjetivos para identificar sua qualidade e aspectos do seu crescimento que determinam como eles podem ser aproveitados.

Atualmente, o teste frio, um dos métodos mais comuns para culturas como milho e soja e que calcula o vigor das sementes, demora 14 dias para ser finalizado. Entretanto, uma empresa mineira, criada por três estudantes da área de computação e um professor de administração, vem mudando o setor de grãos e sementes e revolucionando o mercado. Trata-se da TBIT, nascida na Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais.

A empresa conta com uma plataforma tecnológica que alia hardware e software, por meio da qual as análises manuais são substituídas pelas digitais, realizadas com base em parâmetros pré-estabelecidos. “A tecnologia traz mais agilidade, confiabilidade, precisão e padronização ao processo. Auxiliando na geração de sementes, grãos e plântulas de melhor qualidade e contribuindo para a solução do desafio da segurança alimentar, uma preocupação global”, reforça Igor Chalfoun, diretor da TBIT.

A história da empresa é apenas um exemplo das várias empresas de base tecnológica espalhadas pelo Brasil. E que, através de seus produtos e serviços, estão acelerando a performance do agronegócio brasileiro unindo tecnologia e sustentabilidade (mercado de Agritech).

São justamente estas empresas que a INSEED Investimentos está buscando para aportar recursos através do FIP FIMA (Fundo de Inovação em Meio Ambiente). “O objetivo do Fundo é selecionar empresas do setor de tecnologias limpas, startups que apostem no desenvolvimento de uma economia de baixo impacto ambiental ou que criem inovações para favorecer o desenvolvimento de ciclos produtivos sustentáveis, como a TBIT”, explica Alexandre Alves, diretor da INSEED Investimentos. O FIMA conta com recursos da ordem de R$ 165 milhões para serem investidos em dezenas de outros negócios dentro deste perfil de tecnologia.

Para Alexandre, a adoção das inovações tecnológicas pelo setor produtivo agropecuário tem tido papel preponderante no sucesso do agronegócio brasileiro. “Esses avanços têm possibilitado ao setor ocupar uma posição de destaque no processo de desenvolvimento brasileiro. O sistema criado pela TBIT, por exemplo, já é utilizado pelas principais multinacionais da indústria agrária com atuação no Brasil.”

O diretor explica ainda que a TBIT foi lançada ao mercado em 2012 e que recebeu aporte do FIMA no ano passado visando alavancar a sua operação e desenvolver novas soluções. “Em um ano, depois da entrada do Fundo, os resultados já podem ser percebidos como o aumento de 60% do faturamento e 25% da cartela de clientes”, enfatiza.

Para o diretor da TBIT Igor Chalfon, o aporte de R$ 2,1 milhões foi fundamental para conseguir se consolidar no mercado. “Com o Fundo, a TBIT desenvolveu sua especialidade na busca por soluções que tangem os atuais problemas do setor, sobretudo relacionado às avaliações de qualidade, tais como a vulnerabilidade frente à possibilidade de erro humano, pouca velocidade, além da baixa padronização e confiabilidade dos resultados relativos aos atuais métodos utilizados.”

Igor Chalfoun, da TBIT: "A tecnologia traz mais agilidade, confiabilidade,precisão e padronização à análise de grãos e sementes" - Imagem: Luiz Carlos

Perfil de empresas do agronegócio

Um negócio que promova a inovação e tecnologia limpa em segmentos diversos na economia brasileira. Esse é o foco do FIMA, que vem procurando empresas que atuam junto ao setor de agronegócio para aportar capital e promover seu crescimento.

O momento atual, segundo o gerente de Prospecção da INSEED Investimentos, João Pirola, é de selecionar instituições que se enquadram no perfil para receber esse aporte. “Estamos muito interessados em empresas do setor de agronegócios. Esse mercado é responsável por quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2016, por exemplo, o setor terá um desempenho mais uma vez muito positivo, mesmo com a crise.”

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para a safra de grãos de 2016 — e da projeção reavaliada do Valor Bruto da Produção (VBP) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) — haverá crescimento de 0,7% sobre 2015, atingindo R$ 515,2 bilhões em 2016. Apesar de todo o crescimento, o mercado está cada vez mais competitivo e exigente. Adequar-se a ele pela inovação é o melhor caminho”, destaca.

Desta forma, João detalha os perfis procurados pela INSEED na área de agronegócio. “Uma área que temos grande interesse para investir são as empresas ligadas a recomendação de manejo dentro do ambiente produtivo. Ou seja, negócios com soluções ligadas a inteligência artificial e que consigam, por exemplo, através de um sistema integrado, coletar diversos dados variáveis como clima, característica de solo, histórico de produtividade e nível de contaminação. E, assim, gerar automaticamente, a partir de algoritmos sofisticados, recomendação de manejo de campo. Direcionando para os responsáveis o que fazer: onde monitorar pragas, quais produtos aplicar, em quais quantidades e onde”, explica João.

Outro perfil procurado é de negócios que trabalhem com a valorização de resíduos agrícolas. “Empresas que realizam processamento de modo a possibilitar o aproveitamento de resíduos na agricultura e na silvicultura utilizando tecnologias para compostagem e produção de corretivo de acidez de solo e outros fertilizantes”. João lembra ainda que dentro destas áreas é exigido que as empresas estejam com o limite de faturamento anual de até R$ 20 milhões e que apresentem alto potencial de crescimento e rentabilidade. “E, claro, promova a sustentabilidade e a redução de impacto ambiental”.

Rastreabilidade ao longo da cadeia de produção de alimentos é outra linha de captação. “Com soluções que consigam agrupar informações de cada elo da cadeia: da produção, do beneficiamento, da industrialização, do varejo e no pós-consumo. Tanto para entender e buscar pontos de melhoria de eficiência quanto que consigam entender melhor o funcionamento desta cadeia.” O último foco são negócios inovadores que envolvam agentes microbiológicos para combates a pragas, vírus e doenças, em substituição ao uso de agrotóxicos e produtos químicos, por exemplo.

Substituindo o agrotóxico ou produtos químicos

Startup originada a partir de pesquisas na Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Rizoflora produz fungos e bactérias para o controle biológico de nematóides - praga agrícola que ataca as raízes das plantas e reduz significativamente a produtividade na agricultura. Ela foi criada como resultado de mais de 20 anos de pesquisas do professor Leandro Grassi de Freitas, do Departamento de Fitopatologia da UFV. Com produtos 100% orgânicos, a empresa apoia produtores para que colham os melhores resultados com manejo consciente. Assim, cuidam das condições do solo, do desenvolvimento sustentável das plantações e beneficia produtores e consumidores, fazendo o bem ao longo de toda a cadeia.

A startup Rizoflora atua na produção de fungos e bactérias para controlar pragas agrícolas que atacam raízes de plantas - Imagem: Leandro/UFV

A empresa é a única na solução de combate a nematoides disponível no mercado brasileiro. “Os nematoides são vermes minúsculos de solo, difíceis de controlar. Para contê-los, muitos produtores utilizam nematicidas químicos altamente tóxicos e poluentes, que deixam resíduos no lençol freático e nos alimentos. Estima-se que esses vermes causem perdas por volta de US$ 157 bilhões/ano na agricultura em todo o mundo”, afirma João Pirola.

Outro exemplo, nesse contexto, é a paulista BUG Agentes Biológicos. Criada em 2001, ela também produz e comercializa agentes de controle macrobiológico. Esses agentes são em sua maioria vespas que parasitam ovos das principais pragas das grandes culturas. Referência global em seu segmento, a empresa foi indicada em fevereiro de 2012 pela revista Fast Company (EUA) como a mais inovadora do Brasil e a 33ª em todo o mundo.

Em outubro do mesmo ano, a BUG também foi premiada na área de sustentabilidade com o World Technology Award, promovido nos EUA por corporações de comunicação como a CNN, Time, Science e Fortune.

Para os especialistas, o controle biológico de pragas é atualmente uma das táticas mais importantes na agricultura. Ele não causa resistência e até a evita em áreas com aplicações de inseticidas ou com plantas transgênicas. Não polui o solo, as águas e os ecossistemas; não causa intoxicação em agricultores, funcionários e consumidores e garantem produtos com mais qualidade.

Em comum, as duas empresas, além da inovação no ramo do agronegócio, também são investidas do Criatec 1, fundo de investimento criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e co-gerido pela INSEED Investimentos.

 

Tecnologia a favor do setor sucroenergético

Danila Passarin, pesquisadora líder do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), instituição que atua há mais de 40 anos no desenvolvimento e comercialização de tecnologias inovadoras para o setor canavieiro e realiza pesquisas que abrangem os elos da cadeia produtiva de cana-de-açúcar, etanol, açúcar e bioenergia, confirma a importância da inovação como chave do agronegócio. “Poder aliar conhecimento com tecnologia de última geração é essencial. Utilizamos as soluções computacionais, por exemplo, da TBIT neste processo para que possamos avançar rapidamente no projeto de sementes de cana-de-açúcar. E, assim, atender à exigência de alta produtividade do setor sucroenergético”, comenta.

O CTC foi criado em 1969 a partir de uma iniciativa de um grupo de usinas da região de Piracicaba, a 160 km da capital paulista, com o objetivo de investir no desenvolvimento de variedades mais produtivas e agregar qualidade à produção de açúcar e álcool. Em 2004, entrou em uma nova era: foi reestruturado para se tornar o principal centro mundial de desenvolvimento e integração de tecnologias disruptivas da indústria sucroenergética, capaz de vencer o desafio de dobrar, de maneira economicamente sustentável, a taxa de inovação do setor.

Em seus 47 anos, o CTC deixou sua marca no desenvolvimento da cana-de-açúcar no Brasil. Nesse período, a produtividade da cultura aumentou cerca de 40% e a agroindustrial saltou de 2.600 litros para mais de 7.000 litros de etanol por hectare, enquanto o custo de produção caiu de cerca de R$ 3 para menos de R$ 1 por litro. O CTC responde por cerca de 60% da cana-de-açúcar moída na região Centro-Sul do Brasil.

Fique por dentro

Empresas estabelecidas no Brasil que desenvolvam tecnologias inovadoras e tenham alto potencial de crescimento.

Negócios relacionados à promoção da sustentabilidade e à redução de impacto ambiental nas cadeias de valor.

Empreendimentos que incorporem inovação em suas tecnologias, produtos ou processos para favorecer o desenvolvimento de ciclos produtivos sustentáveis.

Proporcionam menor impacto em todas as etapas da cadeia de valor de um negócio, desde a origem dos insumos até o fim da vida útil de um produto ou serviço. Compreendem o uso equilibrado de recursos naturais e a incorporação de resíduos e produtos descartados em novos ciclos produtivos, ou o tratamento e descarte ambientalmente seguro.

Devem oferecer forte barreira que impeça ou dificulte sua reprodução por outros players. Devem ser escaláveis e resolver um problema de mercado muito relevante.

 

Saiba mais

www.inseed.com.br/fima

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