Terça, 19 de julho de 2016

Crajiru

Planta mostra resultados rápidos e intensos nos casos de anemia ferropriva

Marcos Guião - redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer
Crajirú florada - Imagem: Marcos Guião

Crajirú florada - Imagem: Marcos Guião

A neblina fria que enfeitava aquela manhã invernal sinalizava como seria o ritmo do dia. A umidade recobria o verde das folhas de minúsculas gotículas, dando vida às teias de aranha até então camufladas em meio à vegetação. Enquanto caminhava distraído pelo quintal, tinha o corpo tenso pela friagem que invadia minhas entranhas, mas assim que bati os olhos na trilha em subida, a segui instintivamente na busca de algum alívio para o frio. Não demorou e a quentura do sol que ainda se escondia da folhagem lá de baixo agora já aquecia meu corpo.

Fiquei ali cismando e dei reparo nas casas da vila soltando fumaça pela chaminé, sinalizando que o café já tava em andamento. Estiquei as ideias mais um tiquim e percebi que um espaço dado como sagrado da vida na roça é o “quintal”, lugar de onde se tira de um tudo. Pode ter o tamanho que for, mas sempre enrodeia a casa do morador, que ali tem plantado seus pés de laranja, limão, mexerica, mamão, cajá-manga, banana, jabuticaba, graviola, abacate, manga e mais uma tanteira de frutas. Mas não é pomar, é quintal.

Ali também medra o café, mandioca de toda qualidade, cana, feijão andu, urucum, além da horta de verdura, repleta de alfaces enormes, couve, chuchu, salsa, cebolinha e mostarda. Juntamente são cultivadas as ervas de tempero e aquelas que demandam mais atenção ou gostam de sentir a presença de gente por perto pra dar saída.

Foi aí que me lembrei do crajirú, (Arrabidaea chica) tamém conhecido como pariri, trepadeira que tenho plantada há anos toda enrodilhada na copa de várias árvores de nosso quintal. Suas folhas, de um verde intenso, são finas e compridas. Mas quando secam adquirem uma linda coloração vermelho-acobreado. É assim que mais uma vez o Grande Criador se utiliza de metáforas para demonstrar a serventia de uma planta.

Por isso mesmo, o crajirú mostra resultados rápidos e intensos nos casos de anemia ferropriva, até mesmo aquelas já com complicações respiratórias. Nos Gerais e na região amazônica é muito empregado como anti-inflamatório principalmente nas infecções de origem uterina, combatendo as cólicas intestinais, diarreias com resquícios de sangue, corrimento e até leucemia.

A recomendação é preparar uma infusão, tomando uma xícara pelo menos três vezes ao dia, podendo até substituir a água (durante o dia) nos casos mais graves. Algumas tribos da Amazônia banham intensamente os olhos quando atacados por conjuntivite. Além disso, preparam uma pasta com as folhas para aplicar nas picadas de insetos e também pintam seus corpos com coloração vermelho bem escuro obtida da fermentação das folhas.

Inté a próxima lua!

 

Compartilhe

Comentários

Cássia

Sempre me sinto feliz ao ler seus textos, sua maneira de escrever e descrever a natureza. Encantada com suas palavras!


Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição