Terça, 19 de julho de 2016

Pelo fim da crueldade!

ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal faz protesto contra Burger King pelo fim do encarceramento de animais em gaiolas

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O FNPDA pede que a gigante alimentícia elimine o uso de gaiolas em animais globalmente. Hoje, apenas as lojas dos EUA, México e Canadá têm data para extinguí-lo

O FNPDA pede que a gigante alimentícia elimine o uso de gaiolas em animais globalmente. Hoje, apenas as lojas dos EUA, México e Canadá têm data para extinguí-lo

Ativistas do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA), maior rede da causa no Brasil, protestaram em frente ao restaurante Burger King, na Avenida Faria Lima, capital paulista, contra a prática de seus fornecedores em manter galinhas e porcas em gaiolas minúsculas, onde mal podem se mover. A rede de fast-food já eliminou essa política em diversos outros países.

Com uma porca inflável de três metros de altura e um dos ativistas vestido de galinha enclausurado numa gaiola, a ONG expôs, em pleno horário de almoço, a tortura presente nos produtos da rede norte-americana, chamando a atenção das pessoas que passavam pelo local. Um ativista usava a máscara do rosto do bilionário Jorge Paulo Lemann, um dos donos do Burger King, e simulou o gesto que a ONG solicita para garantir uma vida digna aos animais: libertou a ave enclausurada, arrancando palmas de quem assistia. Lemann é o homem mais rico do Brasil de acordo com a revista Forbes e um dos donos da 3G Capital, fundo de investimentos que controla o Burger King em nível global. Um banner foi estendido com o pedido: “Lemann, acabe com a tortura de animais no Burger King”.

“Há meses estamos pedindo que tenham compaixão e parem de comprar ovos e carne suína de sistemas que aprisionam animais por toda a vida, mas estamos sendo ignorados. Esperamos que a devida atenção seja dada a milhões de animais que sofrem para abastecer a rede”, disse Vania Nunes, diretora do Fórum Animal.

Em outubro passado, o Fórum lançou uma petição online junto a oito ONGs latino-americanas pedindo à rede que essa barbárie seja eliminada de sua cadeia em todo o continente. A empresa anunciou que vai extinguir gaiolas para galinhas no mundo todo, mas só estabeleceu data para os EUA, Canadá e México. Nos EUA, se comprometeu a eliminar as gaiolas dos porcos até 2022.

Os ativistas entregaram ao gerente da loja um informe com as mais de 50 mil assinaturas coletadas na petição, junto a um pedido formal de conversa com o Sr. Lemann, para negociar a transição para um tratamento mais justo com os animais.

Compromisso

Na América Latina, a maioria das porcas reprodutoras e galinhas poedeiras mantidas em sistemas industriais são confinadas por praticamente toda a vida nas chamadas gaiolas em bateria - para galinhas - e gaiolas de gestação - para porcas. São tão controversas e cruéis que já foram proibidas pelos países membros da União Europeia, Índia, Nova Zelândia e diversos estados norte-americanos. Associações de produtores de suínos da África do Sul e Austrália também já se comprometeram.

Um número crescente de empresas vem atendendo a essa demanda. A Arcos Dorados, maior operadora de restaurantes do McDonald’s na América Latina se comprometeu a eliminar o uso de gaiolas de gestação até 2022. Esforços do Fórum Animal fizeram com que os três maiores produtores de suínos do Brasil – BRF, JBS e Aurora – se comprometessem a eliminar o uso contínuo de gaiolas nos próximos dez anos. No setor de ovos, a Unilever, dona das maioneses Hellmann’s e Arisco, deixará de usar gaiolas em bateria em suas redes, incluindo no Brasil, até 2020. O Grupo Bimbo – dono de marcas brasileiras como Ana Maria e Pullman – estipulou o fim do uso de gaiolas para galinhas até 2025.

 

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