Terça, 19 de julho de 2016

Pelo doce do Rio Doce

Confira os principais assuntos da Revista Ecológico, edição 91

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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O Rio Doce, retratado por Yara Tupynambá: 
“Monet brasileiro”, antes da tragédia - Imagem: Sylvio

O Rio Doce, retratado por Yara Tupynambá: “Monet brasileiro”, antes da tragédia - Imagem: Sylvio

O Rio Doce perguntou para o doce qual é o doce que é mais doce. E o doce respondeu para o Doce que o doce que é mais doce é ele mesmo, o Rio Doce, que precisa recuperar as suas matas, nascentes e águas, antes que elas se tornem salgadas e percam, de vez, o doce que tem.

Foi assim, como numa brincadeira de roda ou de contar estórias, que a artista Yara Tupynambá se inspirou para sua nova mostra, “Pintando a Natureza”, com destaque ecologicamente político para a necessidade de recuperação do ecossistema da Mata Atlântica – atingido pela tragédia de Mariana.

Só pela beleza  da natureza – Yara proclama com os seus pincéis – a humanidade deveria socorrer e preservar o planeta.

Precisa de mais motivos?

É uma pena. Mas precisamos sim, como demonstramos nesta edição da Revista Ecológico, diante do estado do mundo nada atlântico, nem vergel, quase sem esperança em que sobrevivemos.

Que outros motivos buscamos, caro leitor, cara leitora, para sairmos juntos e salvos da crise planetária que se avizinha, com as mudanças climáticas?

É o que vocês irão ler nesta edição.

Primeiro, o recado do professor Ricardo Abramovay, um dos especialistas brasileiros mais notórios em aquecimento global. Sem falar em mais um catedrático, o professor Cástor Cartelle, para quem a extinção de toda a vida terrestre, tal como dos dinossauros,  está por um fio - mais fino do que imaginamos. E por aí afora até chegarmos em uma mensagem vinda de onde menos imaginaríamos: do desumano e antiecológico mundo do boxe, assinada pelo campeão dos campeões, Muhammad Ali, o eterno Cassius Clay, falecido recentemente.

Do boxe à pintura, tudo que precisamos continua sendo o amor. Não o amor salgado, mas o doce. Tal como o rio mineiro-capixaba atingido pela tragédia de Mariana, que sempre e historicamente contaminamos com o nosso desamor, até o seu superdesamor recém-ocorrido desde o doce das montanhas de Minas até o seu desaguar morimbundo nas águas salgadas do Atlântico.

Rio Doce, a sua recuperação ambiental, tal como repintada nas matas de Yara, continua nas mãos dos representantes de todos nós. Da Samarco à cada descarga sem tratamento nem amor que continuamos dando nos nossos rios, à espera parceria e não omissa dos nossos governantes, em suas políticas nada ecoeficientes.

Até quando?

É o que a natureza retratada pela artista não nos responde. Só mostra a sua igual reação, como mostramos nesta edição.

Boa leitura!

 

 

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Comentários

André augusto

Aqui na cidade de Naque,MG, Vale do Aço, é a foz dos rios Santo Antônio com rio Doce


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