Quarta, 08 de junho de 2016

Manejo sustentável

Três perguntas para Aline Tristão Bernardes, diretora-executiva do FSC-Brasil

Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br



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A Amazônia abriga quase um terço das reservas mundiais de florestas tropicais úmidas e uma em cada dez espécies que ocorrem no mundo. Como conciliar a conservação desse valioso patrimônio natural com a crescente demanda por madeira, energia e comida?

Os recursos naturais das florestas podem e devem ser explorados, desde que seja com responsabilidade. Colher a madeira de forma sustentável, dentro da capacidade de reposição da floresta, é um incentivo para a sua conservação, valoriza os recursos naturais e gera renda para as comunidades. Assim como colher jabuticabas não mata a jabuticabeira, colher três árvores no total de mais de 100 por hectare, uma vez a cada 30 ou 40 anos, também não mata a floresta. Ao mostrar que a solução ambientalmente adequada, socialmente benéfica e economicamente viável é o caminho a ser trilhado, o mercado usa sua força e seus recursos para construir valor para todos. O FSC viabiliza esse processo por meio da certificação de manejo florestal e também da certificação de produtos florestais não madeireiros, por comunidades tradicionais, manejadores comunitários e empresas.

Qual é a realidade do mercado de madeira certificada no Brasil: corresponde ou está aquém das suas potencialidades?

Aproximadamente 80 empresas no Brasil têm florestas certificadas. Trocando isso em números, significa que 65% do total de plantações em território brasileiro (florestas de eucaliptos e pinus, por exemplo) e não mais que 1% das florestas nativas da Amazônia Legal Brasileira são certificadas. A certificação no setor de plantações florestais vem aumentando significativamente nos últimos anos, diferentemente do setor de nativas, cujos números seguem estáveis desde 2006. Podemos dizer, portanto, que o mercado de madeira certificada de florestas plantadas sim, corresponde às suas potencialidades, mas o de florestas nativas ainda está muito aquém. Cabe aos governos melhorar os sistemas de controle e licenciamento, criar condições para logística de transporte de cargas, incentivos e políticas públicas que favoreçam o manejo florestal e, consequentemente, a certificação de produtos da Floresta Amazônica. E cabe aos consumidores demandarem e buscarem produtos com certificação FSC.

Muitos acreditam que deixar de consumir madeira e outros produtos florestais é uma forma de ajudar a preservar as florestas. Essa lógica procede?

Não! Está completamente errada. Se deixarmos de consumir madeira, estamos entregando as nossas florestas para fins muito menos nobres. Infelizmente, essa conclusão é um dos principais motores de continuidade da ilegalidade e falsa legalidade da madeira e, consequentemente, do desmatamento e da destruição de nossas florestas. Ao não consumirmos seus recursos de forma sustentável, estamos deixando de valorizá-la! Descartar o uso da madeira significa incentivar o corte raso de florestas para a implantação de outras atividades econômicas e deixar de gerar empregos em locais com vocação florestal. Portanto, não devemos deixar de consumir produtos florestais, mas temos a obrigação de verificar a sua origem. Para o consumidor saber se está adquirindo um produto cuja madeira é de origem responsável, basta procurar o selo FSC, que garante não só os princípios de manejo, mas também a rastreabilidade completa em todas as etapas do processo produtivo.


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