Terça, 07 de junho de 2016

A ecologia da solidariedade

Dom Joaquim Mol (*) redacao@revistaecologico.com.br



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Há no mundo muitas pessoas solidárias, que facilmente se mobilizam, sobretudo quando se trata de ajudar vítimas de tragédias, como a que aconteceu no final de 2015, quando distritos da cidade de Mariana e comunidades ribeirinhas do Rio Doce foram destruídos; pessoas, mortas brutalmente; meio ambiente devastado pela força do dinheiro, do lucro sem medida, transformado em lama de duas barragens da mineradora Samarco, controlada pela Vale/BHP Billiton, que se romperam e tudo enlamearam, rio abaixo, até chegar ao mar, no estado do Espírito Santo.

 

Há no mundo muitas pessoas solidárias, que facilmente se mobilizam, sensíveis às agruras da vida humana, à pobreza, à falta de muitas coisas, de afeto, de boas palavras, de comida e bebida, de emprego, de lugar para morar, ficar, tratar-se. Logo se dispõem a ajudar, partilhar, socorrer com campanhas, espaços, doações, certo aconchego. São exemplares na assistência que os pobres precisam.

Há no mundo 1% de pessoas egoístas, espertas, que acumulam mais de 50% de todos os bens do mundo, fazendo sobrar 50% a serem distribuídos para os outros 99% da população mundial. Insensíveis, destroem o planeta, desrespeitam a humanidade que há em cada ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus, a quem não devotam respeito.

A “responsabilidade social”, para uma parte de dirigentes de grandes corporações, não passa de marketing, lenitivo de consciências, distribuidores de migalhas, enquanto continuam usufruindo do luxo e fortunas incalculáveis. É a “economia sem coração” de que fala o Papa Francisco, como voz que clama no deserto, feito João Batista.

As nossas ações de solidariedade e de assistência aos pequeninos e mais pobres precisam crescer e se ampliar generosamente, na esperança de que todos os envolveremos e nos empenharemos, fortemente, na verdadeira repartição dos bens do mundo pela erradicação da pobreza.

É uma bela missão para os discípulos de Cristo e para as mulheres e homens de boa vontade. 

(*) Bispo-auxiliar da Arquidiocese de BH e reitor da PUC Minas, em texto para a quarta edição do documento “Arquidiocese em Movimento 2015”.


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