Terça, 03 de maio de 2016

Rock in Rio ecológico

Maior festival de música do planeta irá esverdear ainda mais a Floresta Amazônica e promoverá show inédito no Rio Negro com Plácido Domingo e Ivete Sangalo

redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer
Roberto Medina: “Nosso desafio é frear as 
alterações climáticas” - Imagem: Divulgação Rock in Rio

Roberto Medina: “Nosso desafio é frear as alterações climáticas” - Imagem: Divulgação Rock in Rio

No início deste mês, o Rock in Rio realizou o lançamento do “Amazônia Live - Projeto Social do Rock in Rio” para todas as edições do festival até 2019. Foi apresentada uma grande campanha de mobilização que incentiva a população a abraçar a causa, sob o mote “Mais do que Árvores, Vamos Plantar Esperança”. O encontro contou com artistas, formadores de opinião e parceiros.

Segundo a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), de 1500 a 1977 cerca de 4,7% da Amazônia foi desmatada. Só nos últimos 36 anos, este número subiu para 18%. Até 2013 o Brasil perdeu, segundo a Raisg, 632 mil km2 de florestas. O desmatamento afeta o clima e o equilíbrio das chuvas. E, também, quem está perto e vive bem longe da floresta.

E o que o Rock in Rio tem a ver com isso? Tudo.

Para os organizadores do evento, a música é uma linguagem universal que une pessoas em todo o mundo através da emoção e é uma importante plataforma para causas socioambientais. O pilar de sustentabilidade do festival — “Por Um Mundo Melhor” — foi criado em 2001 e já beneficiou milhares de pessoas no Brasil, Portugal, Espanha, Estados Unidos e em diversos outros países. Os investimentos são provenientes da venda de ingressos e de ações promovidas junto aos parceiros.

Agora, a organização do festival inicia um movimento global que ajudará na restauração florestal da Amazônia para chamar a atenção das pessoas para a importância do consumo consciente dos recursos naturais. E convocá-las a serem agentes ativos no combate às alterações climáticas através da sua própria mudança de comportamento.

A região da Amazônia é estratégica, pois abriga a mais importante reserva de biodiversidade do mundo, com papel fundamental na redução do impacto do aquecimento global. A ação vai restaurar áreas desmatadas nas cabeceiras e nascentes do Rio Xingu.

“Pela primeira vez estamos adotando globalmente uma mesma causa que será promovida em todos os países onde o Rock in Rio está. E se estenderá por várias edições do evento. Estamos garantindo o plantio de um milhão de árvores e, com a ajuda de marcas parceiras e dos fãs do festival, queremos chegar a cerca de três milhões de novas árvores na região. Com essa ação, vamos chamar a atenção do mundo inteiro para um problema urgente e mostrar que é possível plantar, sobretudo, esperança. Para se ter uma ideia da importância disso, segundo dados do Instituto SocioAmbiental (ISA), uma floresta com três milhões de árvores transpira a cada dia cerca de 48 milhões de litros de água. Outro dado importante e que merece a nossa atenção é que a Amazônia tem 20% de toda a água doce do planeta. E isso não pode se perder”, explica Roberto Medina, presidente do Rock in Rio.

Música e consciência

A ideia dessa iniciativa surgiu em 2015, quando a equipe do Rock in Rio foi procurada pela Prefeitura de Manaus. “Fomos desafiados pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, a promover um evento na região como forma de chamar atenção para a importância da floresta no equilíbrio da vida em todo o planeta. O desafio foi totalmente ao encontro do compromisso que assumimos desde 2006 de contribuirmos ativamente no combate às alterações climáticas”, detalha Medina.

O dia 27 de agosto marcará o ponto alto do projeto. O Rock in Rio apresentará um espetáculo sem precedentes que colocará a causa em grande evidência. Um palco flutuante será montado no Rio Negro, em Manaus (AM). O espetáculo poderá ser acompanhado pelo mundo inteiro, com live streaming pela internet, em todo o Brasil, via Multishow. Apenas 200 pessoas, entre formadores de opinião e jornalistas, terão a oportunidade de assistir ao show. A apresentação contará com o tenor lírico Plácido Domingo, com a Orquestra Sinfônica e ainda com o tenor Saulo Lucas interpretando a canção “Canto Della Terra”. A abertura será de Ivete Sangalo, acompanhada também pela orquestra. Ainda em Manaus e na mesma data, Ivete fará um show aberto ao público, com o objetivo de chamar a atenção da população para as questões socioambientais. A ocasião também dará início à contagem regressiva de um ano para a sétima edição do festival no Brasil, em 2017.

Paralelamente, o Rock in Rio vai lançar uma campanha publicitária estrelada pelo ator Marcos Palmeira. A mensagem é um alerta para a importância do consumo consciente dos recursos naturais do planeta e um convite para que cada pessoa seja agente ativo no combate às alterações climáticas através da sua própria mudança de comportamento. A campanha estará em todas as grandes mídias e criará também uma gigantesca mobilização nas redes sociais, convidando também cada pessoa a plantar uma árvore na Amazônia.

Serão investidos mais de R$ 28 milhões nessa iniciativa, incluindo custos de plantio, assistência técnica, monitoramento e gestão, campanhas de mídia, produção do show e gastos logísticos.

“Queremos chamar a atenção para um problema que afeta o mundo todo, sem qualquer exagero. Este é o grande investimento de uma empresa privada, mesmo em um momento de crise, pensando em um retorno direto para o planeta, e não para uma causa própria. E o investimento não será apenas financeiro, mas também uma união de esforços, com o engajamento de famosos e anônimos em prol de uma causa social e ambiental”, detalha Roberto Medina.

A iniciativa do Rock in Rio para o plantio de árvores já conta com parceiros como Itaú, Manaus Luz, Manaus Ambiental, Banco Mundial, Universidade Estácio de Sá e Gol. Além das um milhão de árvores garantidas pelo festival, os parceiros também já se comprometeram com a causa, elevando este número para 2,1 milhões.

A parceria da Estácio com o Rock in Rio teve início em 2011 e vem ganhando força ao longo dos anos. Segundo Claudia Romano, diretora de responsabilidade social e parcerias da Estácio, a universidade vai doar 100 mil árvores e mobilizar 500 mil alunos e 15 mil colaboradores a fazerem o mesmo. “Se cada um plantar uma árvore já será um grande feito. Nossa missão de educar para transformar se expressa também na formação de profissionais e cidadãos conscientes e comprometidos”, disse.

Já a Manaus Ambiental tem em sua missão o comprometimento natural com causas que incentivem o respeito e a preservação do meio ambiente. “O projeto Amazônia Live traz um apelo global para a responsabilidade que todos devemos ter em relação à natureza. A concessionária utilizará os meios disponíveis, como as contas de água, para levar o recado que orienta esta iniciativa: nossos atos determinarão a continuidade da Amazônia com todo o seu esplendor”, afirma Sérgio Braga, diretor-presidente da empresa.

Muvuca

Artistas como o ator Marcos Palmeira, que participará de uma campanha publicitária pelo consumo consciente, também endossaram o evento - Imagem: Manoel Marques

De acordo com o presidente do Rock In Rio, Roberto Medina, também está sendo construída “uma parceria com o Banco Mundial, no âmbito do ‘Programa Áreas Protegidas da Amazônia – ARPA’, onde serão plantadas, no mínimo, um milhão de árvores junto ao Amazônia Live”.

Para este projeto, o Rock in Rio se associou a um time de peso, garantindo assim o melhor resultado. A parceria envolve o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e o Instituto Socioambiental (ISA) e visa contribuir para a restauração florestal, a recuperação de nascentes e matas às margens dos rios e gerar renda de forma participativa e inclusiva às comunidades locais.

Para o plantio das árvores será utilizado um mix de sementes chamado de “muvuca”, técnica escolhida e aprimorada pelo Instituto Socioambiental (ISA) para reproduzir o processo natural da floresta. A técnica utiliza semeadura direta e a experiência de plantadores de árvores do Xingu-Araguaia. E prova que plantar as sementes diretamente no chão, no seu local definitivo, é o melhor método para a maioria dos tipos de árvores. Durante os três primeiros anos após o plantio serão publicadas notícias e relatórios técnicos sobre a situação das árvores e da floresta recuperada, garantindo transparência e monitoramento para quem acreditou nesta ideia. “As melhores soluções são criadas de maneira compartilhada e em rede. Este é o aprendizado do nosso grande parceiro, a Rede de Sementes do Xingu. Nós do ISA e os mais de 420 coletores de sementes estamos animados com o desafio de plantar um milhão de árvores no coração do Brasil. Mas também muito empenhados em levar o alerta sobre os riscos que a Amazônia está enfrentando neste momento e o papel de cada pessoa nas questões socioambientais”, afirma Rodrigo Junqueira, do ISA. Segundo ele, a Amazônia é responsável pelo controle climático global e renovadora atmosférica da poluição causada pelo homem. “Sem ela, a capacidade de retirar o dióxido de carbono atmosférico se concentraria unicamente no oceano,  com aumento de temperatura da Terra e pondo em risco a vida de diversas espécies animais”, explica.

Por que a Amazônia?

Segundo dados da Raisg, a Amazônia se estende por cerca de seis milhões de quilômetros quadrados ao longo dos nove países sul-americanos: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. É o maior bioma do Brasil, onde ocupa 4,1 milhões de quilômetros quadrados (IBGE, 2004). Nele, crescem 2.500 espécies de árvores, o que corresponde a 1/3 de toda a madeira tropical do mundo.

Só na Amazônia brasileira há cerca de 30 mil espécies vegetais (das 100 mil da América do Sul), 1,8 mil de peixes, 399 de mamíferos, 1,3 mil de aves, 284 de répteis, 250 de anfíbios. No bioma também está a maior bacia hidrográfica do mundo, que ocupa cerca de seis milhões de quilômetros quadrados e tem 1.100 afluentes. O Rio Amazonas, maior da região, lança a cada segundo cerca de 175 milhões de litros d’água no Oceano Atlântico. De acordo com o Atlas da Raisg, 58,8% do território brasileiro é amazônico, distribuindo-se pelos estados do AM, PA, MT, AC, RO, RR, parte de TO e parte do MA.

O impacto do desmatamento

A Amazônia desempenha um papel importantíssimo no ciclo de carbono global que ajuda a dar forma ao clima no planeta. Cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono estão contidos na vegetação tropical em todo o mundo, dos quais se estima que cerca de 70% esteja apenas na Amazônia. Sem ela, a capacidade de retirar o CO2 atmosférico se concentraria unicamente no oceano, pondo em risco a vida de diversas espécies de animais, que correriam o risco de extinguir-se, devido ao aumento da temperatura da Terra.

Um dos graves efeitos mundiais do desmatamento é, sem dúvida, a diminuição da biodiversidade global, mas também a contribuição para o aquecimento global. Hoje, 1/3 da população mundial não tem acesso a água potável. Se a temperatura global aumentar 2,5°C acima dos níveis pré-industriais, este número pode duplicar.

Os índices de desmatamento a um ritmo muito rápido causam a conversão de mais carbono em dióxido de carbono, seja quando as árvores são queimadas ou mais lentamente pela decomposição de madeiras não queimadas. Estima-se que apenas a destruição da floresta tropical mundial poderá, nos próximos quatro anos, libertar mais carbono para a atmosfera do que todos os voos desde o nascimento da aviação até 2025. O Brasil, por exemplo, está entre os cinco maiores emissores de gases estufa, não devido às suas elevadas emissões de combustíveis fósseis, mas por causa do desmatamento.

As alterações climáticas têm potencializado mais riscos do que nunca em termos de crises de água, escassez de alimentos, crescimento econômico restrito, coesão social mais fraca e aumento dos riscos que afetam a segurança. E, como a atmosfera não tem fronteiras, estima-se que cerca de 90% de todas as catástrofes naturais registradas na Europa, desde 1980, foram causadas direta ou indiretamente pelas alterações climáticas.

“A restauração florestal é um desafio global. E o plantio de um milhão de árvores nas cabeceiras do Xingu é uma contribuição para a biodiversidade, a qualidade e o volume de água. Em 20 anos, o FUNBIO já apoiou 39% da superfície protegida do Brasil. E esperamos, com o apoio de parceiros, ter o mesmo impacto na restauração florestal”, diz Rosa Lemos de Sá, secretária-geral da instituição, que fará a gestão financeira do projeto.


Fique por dentro

O Rock in Rio é o maior evento de música e entretenimento do mundo. Criado em 1985 e com 31 anos de vida, é parte relevante da história da música mundial. O evento já soma 16 edições, 96 dias e 1.498 atrações musicais. Ao longo desses anos, mais de 8,2 milhões de pessoas passaram pelas Cidades do Rock. Criado no Rio de Janeiro, o Rock in Rio conquistou não só o Brasil como, também, Portugal, Espanha e, em maio de 2015, chegou aos Estados Unidos, sempre com a ambição de levar todos os estilos de música aos mais variados públicos.

Muito mais que um evento de música, o Rock in Rio pauta-se também por ser um evento responsável e sustentável. Em 2001, através do projeto social “Por um mundo melhor”, assumiu o compromisso de consciencializar as pessoas para o fato de que pequenas atitudes no dia a dia são o caminho para fazer do mundo um lugar melhor para todos. Em 2013, o Rock in Rio recebeu a certificação da norma ISO 20.121 - Eventos Sustentáveis, um reconhecimento do poder realizador da marca que desenvolve diversas ações com vista à construção de um mundo melhor. Entre elas, a criação de 173.500 empregos diretos e indiretos em 16 edições.

 


Compartilhe

Comentários

Nenhum comentario cadastrado

Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição