Segunda, 02 de maio de 2016

Por que o Rio São Francisco?

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A nascente queimada e seca, pela primeira vez em sua istória de vida: crime de lesa-pátria - Imagem: Leandro Couri/EM/D.A Press

A nascente queimada e seca, pela primeira vez em sua istória de vida: crime de lesa-pátria - Imagem: Leandro Couri/EM/D.A Press

Por que não o Rio Doce? Porque a temática da premiação referente a 2015, até o acidente da Samarco na bacia do Rio Doce, no dia cinco de novembro, era mesmo sobre o Rio São Francisco. A solenidade da premiação, então marcada para o dia 10, menos de uma semana após o acidente de Mariana, foi transferida para o início deste ano, excepcionalmente, em respeito às vítimas da tragédia.

Foi por isso que mantivemos nossa confraternização e premiação anual, em nome do Velho Chico, em razão também da quantidade de projetos e cases concorrentes, apresentando exemplos pontuais de soluções possíveis para conter a sua degradação.

É triste, mas é verdade. Num mundo onde mais da metade da população ainda não tem acesso nem bebe água potável, o nosso “Rio da Integração Nacional” também continua morrendo. Secando, como aconteceu na primavera passada, pela primeira vez, com a sua nascente, no Parque Nacional da Serra da Canastra. Morrendo de morte provocada, fruto de nossa ignorância e desrespeito à sua natureza, como Carlos Drummond de Andrade descreveu em versos, no poema “Águas e Mágoas do Rio São Francisco”. E que foi declamado pelos artistas Nil César e Kátia Couto  na abertura da premiação, ao som das “Bachianas Nº 5”, de Heitor Villa-Lobos. 

 


Por que o amor?

A imagem do quadro enaleameado que ilustra a capa da edição passada da Ecológico foi clicada por Victor Moriyama, para o Greenpeace. A réplica do desenho do artista Valentim Keppk enfeitava a casa de Geraldo Nascimento, morador de Bento Rodrigues

A solicitação à plateia de um minuto de silêncio em respeito à tragédia de Mariana, antes do Hino Nacional ser interpretado em solo de bandolim pelo violonista e compositor Marcos Frederico, vencedor do 11º Prêmio BDMG Instrumental, desencadeou uma reação amorosa ao longo de toda a premiação.

A exibição simultânea no telão, durante os 60 segundos, de uma foto do Greenpeace reproduzindo um quadro bucólico do que era o distrito de Bento Rodrigues antes do rompimento da Barragem de Fundão, consolidou este sentimento maior. Reforçou até mesmo a referência “... & Amor à Natureza” que, pelo sexto ano consecutivo, completa o nome principal “Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade”.

Por incrível que possa parecer, e no mundo atual de tamanha violência e desesperança, falar de amor parece mesmo banal, infantil. Já no mundo científico, como defende o professor, ambientalista e nosso conselheiro maior, Angelo Machado, o mais acertado é falar de “Conservação da Natureza”, e não deste sentimento hoje visto como piegas. A própria ONG que o dr. Hugo presidia, lembra ele, se chamava assim: “Centro para a Conservação da Natureza...”

Resumo da ópera: entre conservação ou amor, amantes que os ambientalistas sempre foram da natureza, prevaleceram a denominação e a mensagem românticas. A fala do próprio Hugo, relembrada em vídeo na abertura da solenidade, deu a primeira dica: “Não existe maior dom e instrumento de mudança que o amor”.

Assim, sem protesto algum, a amorosidade, começando pela reconstrução sustentável de Bento Rodrigues e o enfrentamento positivo da crise hídrica, fez parte de praticamente todos os discursos e agradecimentos que se seguiram na noite. Foi contagiante, como se o próprio espírito de Hugo Werneck estivesse presente.

O comunicador Marco Antônio Lage, diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Fiat Chrysler Automobiles, lembrou que no momento em que o Brasil vive uma crise ética sem precedentes, falar de amor e receber um troféu que tem o nome de amor à natureza é muito importante. Significa amor à vida e ao nosso país”.

André Trigueiro, editor-chefe do “Programa Cidades e Soluções”, da Globo News, lembrou que “todo jornalista interessado em meio ambiente é, por definição, ecochato ou biodesagradável”. Mas completou: “Entretanto, para cumprir a nossa função social é preciso denunciar, com amor” - frisou - “os crimes de lesa-planeta”.

O também jornalista Nelton Friedrich, diretor de Meio Ambiente e coordenador do Programa Cultivando Água Boa da Itaipu Binacional, completou: “Nós trabalhamos com aquilo que o dr. Hugo sempre defendeu, que é a afetividade, o amor humano. Um novo jeito de ser. Menos logos e mais pathos. Mais sentimentos e emoções. Menos lógica e razão, o que implica em uma nova forma de produzir, consumir e preservar. Chegará um dia em que não teremos mais premiação para a sustentabilidade, porque ela será a própria existência de todos nós”.


Continue lendo a reportagem completa sobre o VI Prêmio Hugo Werneck:

Pelas águas do planeta

Por que o rio São Francisco? Por que o amor?

Pela sustentabilidade do planeta

Acolhida sustentável

Conheça os vencedores do VI Prêmio Hugo Werneck

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