Terça, 26 de abril de 2016

A internet da natureza

Conheça a ION: uma rede sem fio de sensores integrados projetada especificamente para aplicações ambientais

Roberto Francisco de Souza * - redacao@revistaecologico.com.br



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A internet da natureza: conjunto de soluções hardware e software integradas para monitorização de áreas naturais - Imagem: Domínio Público

A internet da natureza: conjunto de soluções hardware e software integradas para monitorização de áreas naturais - Imagem: Domínio Público

Está todo mundo falando de IOT, a internet das coisas. Só que não! Quem está falando mesmo disso é um bando de malucos que, requisitando uma expansão da identificação IP de quatro para seis, resolveu conectar tudo, em todo lugar, todo o tempo.

Uma vez eu conversei com uma geladeira. Daquela vez era Deus em pessoa, escrevi numa crônica. Só que agora não! Agora é a geladeira mesmo, ela me diz, que está faltando leite e que a carne já está descongelada à espera do meu jantar. Muito provavelmente uma aplicação cognitiva vai comandar o forno para ir esquentando enquanto eu chego. E sabem que vou chegar porque meu carro conversou com o interfone e contou pra ele que contou pro fogão.

Coisa de maluco... Só que não!

Se avança a internet das coisas, avança a lama Rio Doce abaixo e uma outra tal de internet da natureza, sua irmã gêmea, que pode nos ajudar a salvar imensos patrimônios da humanidade, florestas, mares, rios e ares.

A ION (que nome mais bonitinho!) é “uma rede sem fio de sensores integrados projetada especificamente para aplicações de natureza. Ela pode, autonomamente, monitorar o ambiente para níveis de poluição, riscos de catástrofes e a saúde da fauna e flora”.

Mas larga esse pronto-falei e vamos explicar de forma simples: a tecnologia pode nos ajudar a salvar a natureza. Ela pode monitorar animais, florestas, construções do homem, a qualidade da água e, conectada com sistemas que podem aprender, falar com a internet das coisas e fazer correções de curso, como soar sozinha uma sirene porque um milímetro de terra saiu do lugar.

Pode salvar vidas! Pode denunciar agressões, mover um avião para uma zona de desmatamento ilegal, monitorar a invasão de uma nascente. Tem muitos braços, muitos olhos e pensa em mil coisas de uma só vez.

Essa tal de internet da natureza vai ser a diferença entre nossa vida e morte. Fico pensando naqueles filmes de máquinas vindas do futuro para destruir a humanidade e me dá uma vontade doida de reescrever o roteiro. Um belo e heroico personagem que volta lá da frente para impedir a gente de entupir o mar de lama e fazer calar o pulo de um peixe.

Volta e é vingativo! Pouco se importa com o homem que destrói. Sua meta não é salvar a gente, é salvar o planeta. A ION caminha decidida entre gente engravatada em escritórios com ar-condicionado, atravessa estradas, campos, montanhas e vai direitinho colocar seu dedo gigante no buraco da barragem.

De lá, ele comanda sensores que fecham comportas. Talvez mande uma mensagem automática para a Bolsa de Valores, informando que algo está errado no reino de Mariana e muitas ações despenquem fora de controle. Talvez!

No caminho da salvação, ele terá pisado em dez mil pessoas, feito um King Kong cibernético. Pode ser que aconteça. Pode ser que mate gente inocente, enquanto aciona filtros em chaminés poluentes e desliga fábricas inteiras que envenenam o mundo. Um caos!

Pode ser que aconteça tudo isso, mas ele ainda será meu herói. Ao fim de sua saga, teremos um planeta vazio controlado pelas máquinas, a grande internet da natureza, só ela restando para preservar o planeta. Dizem que a Terra, vazia, não serve pra muita coisa. Só que não!

Pra quem crê em Deus, acho que Ele vai ficar tranquilo espiando seu globinho azul respirar aliviado. Ele e suas máquinas sensacionais, suas netas eletrônicas, cujos pais, seu único fracasso de criação, já terão morrido de tanto tentar se matar.  


Tech Notes:

O que é internet das coisas? http://goo.gl/Q0s7wS

O que é internet da natureza? https://goo.gl/LinIwL

O que quer uma companhia de TI com o Weather Channel? http://goo.gl/VpAzXo


 (*) Diretor-geral da Plansis, vice-presidente do Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e diretor do Arbórea Instituto.

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